1. Ir para o conteúdo
  2. Ir para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
ConflitosÁfrica do Sul

África do Sul culpa a NATO pela guerra da Ucrânia

Lusa
17 de março de 2022

O Presidente sul-africano culpa a NATO pela invasão da Rússia à Ucrânia. Cyril Ramaphosa acrescenta que a guerra revela grandes "fraquezas" da arquitetura da Organização das Nações Unidas.

Südafrika Johannesburg 2021 | Zondo Commission of Inquiry | Cyril Ramaphosa, Präsident
Foto: Sumaya Hisham/AP Photo/picture alliance

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, disse esta quinta-feira (17.03) que a guerra "poderia ter sido evitada se a NATO tivesse considerado advertências feitas internamente de que a "expansão" no leste europeu conduziria "ao aumento da instabilidade na região".

Ramaphosa fez a afirmação numa sessão parlamentar em que justificou a posição do seu Governo em defender o "diálogo" e sem condenar a invasão da Ucrânia. A África do Sul mantém relações estreitas com Moscovo e é aliada da Rússia no bloco das potências emergentes BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) - em defender o "diálogo" e sem condenar a invasão da Ucrânia.

 "A África do Sul está pronta a apoiar genuínos esforços multilaterais para acabar com o conflito e alcançar uma paz duradoura na região", afirmou o Presidente sul-africano, apesar de a sua posição equidistante na crise lhe ter valido duras críticas no país.

Abrigo anti-bombas no hospital infantil Okhmadet, no centro de KievFoto: Emilio Morenatti/AP/picture alliance

África do Sul condena violência e violação do Direito Internacional

Apesar de indicar que a África do Sul não tolera nenhum ato de violência ou justifica a violação do Direito Internacional, Ramaphosa argumentou que "obviamente" a Rússia sentiu uma "ameaça existencial" que desembocou em operações militares contra a Ucrânia e defendeu que o Governo sul-africano defendeu o "diálogo" em vez de posições de "condenação".

O Presidente sul-africano repetiu que, na conversa que manteve há uma semana com Vladimir Putin, o Presidente russo lhe garantiu que as negociações estavam a avançar e expressou o desejo de falar também em algum momento com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Cyril Ramaphosa critica o trabalho da ONU

 Por outro lado, Ramaphosa considerou que a guerra na Ucrânia está a revelar as grandes "fraquezas" da arquitetura da Organização das Nações Unidas, designadamente do Conselho de Segurança, na hora de lidar com conflitos, uma vez que já não reflete a "realidade" global.

Carros danificados e um edifício destruído, perto de um posto de controlo em Brovary, arredores de KievFoto: Efrem Lukatsky/AP Photo/picture alliance

Ramaphosa criticou ainda as principais potências por terem a "tendência" de usar o estatuto de membros permanentes (do Conselho de Segurança) para servir interesses nacionais em vez da "estabilidade global", e reclamou mais protagonismo para África.

"Que um continente de 1,3 biliões de pessoas não tenha uma voz significativa no Conselho de Segurança da ONU é algo de grande preocupação para os cidadãos deste continente", enfatizou.

No dia em que a Rússia invadiu a Ucrânia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da África do Sul pediu, em comunicado, a retirada imediata das tropas, embora sem condenar explicitamente a operação, mas nas semanas seguintes Pretória suavizou a sua posição.

Apesar das duras críticas da opinião pública sul-africana e da imprensa local, no início de março, o Governo de Ramaphosa absteve-se na votação que a ONU realizou para condenar a invasão russa.

De acordo com os dados da ONU, já pelo menos 4,8 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia, desde a invasão da Rússia a 24 de Fevereiro. Esta é considerada a pior crise de refugiados da Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Europa vive momento mais perigoso desde fim da Guerra Fria

05:17

This browser does not support the video element.

 

Saltar a secção Mais sobre este tema