A África e a ameaça nuclear
15 de março de 2011
Os peritos consultados pela Deutsche Welle são unânimes: a curto prazo não é provável que as radiações libertadas nas centrais nucleares japonesas possam vir a afetar os cidadãos em continentes geograficamente tão distantes como a Europa ou a África.
O prognóstico otimista tem a ver, por um lado, com a quantidade relativamente reduzida do material radioativo até agora libertado; e por outro, também com as condições climáticas, ou seja, com os ventos que normalmente não sopram em direção aos continentes europeu e africano.
A opinião dum especialista francês
O físico nuclear Bruno Chareyron, membro da Comissão francesa independente de pesquisa e informação sobre a radioatividade, debruçou-se também sobre o assunto, e, em entrevista à nossa rádio, declarou o seguinte:
"Apesar dos riscos serem muito reduzidos para o continente africano, temos que nos manter permanentemente em alerta. Não podemos ainda afirmar com precisão quanto material radioativo foi libertado até ao momento pelos reatores danificados. De qualquer forma, as nuvens radioativas demorariam sempre vários dias a chegar ao norte de África e, em geral, ao continente africano. Ou seja: não é dum dia para o outro que as massas de ar atravessam os oceanos. Poranto: quem vive na Europa ou em África, por enquanto não tem razão para preocupações."
Nas palavras do físico nuclear francês, Bruno Chareyron, uma coisa, no entanto, é certa: mesmo pequeníssimas quantidades de material radioativo, ingeridas pelo organismo humano, são suscetíveis de provocar doenças fatais, mesmo anos depois dos desastres propriamente ditos:
A catástrofe de Tschernobyl continua a fazer-se sentir
"As nossas experiências com outros desastres nucleares - por exemplo com o desastre de Mayak, na Rússia, ou de Tschernobyl, na Ucrânia, mostram que as consequências para o organismo humano são terríveis... aliás não apenas para o organismo humano, como também para os animais.
Mesmo passados alguns anos sobre referidos desastres, continuam a registar-se índices anormalmente altos de cancros e outras doenças. É que pequeníssimas quantidades de energia radioactiva chegam para alterar o DNA humano e aumentam consideravelmente o risco de ocorrência de cancros nocivos."
Palavras de Bruno Chareyron, membro da Comissão francesa independente, de pesquisa e informação sobre a radioactividade.
Autor: António Cascais
Revisão: Carlos Martins / António Rocha