Acidentes em Angola seriam evitáveis com estradas melhores?
28 de maio de 2026
As estradas angolanas matam todos os meses. Luanda é a província onde há mais acidentes, seguida da Huíla, Huambo e Benguela. Nas províncias do Icolo e Bengo e Cuanza-Sul, mais de 30 pessoas perderam a vida em acidentes em pouco menos de 30 dias.
É uma "epidemia", é assim que esta situação é tratada do ponto de vista da saúde pública, e os cidadãos estão preocupados.
O que está por trás destes acidentes? Primeiro que tudo, os automobilistas apontam para os buracos, a má sinalização e a falta de manutenção das estradas.
"O Ministério das Obras Públicas deveria dar mais atenção à questão das estradas, porque os nossos automobilistas contribuem bastante para as receitas do Estado, até é patriótico", diz o condutor Celestino Jaca.
Quem, como Celestino Jaca, anda ao volante sente os problemas nas estradas todos os dias. Um motorista de transportes públicos, que pediu para não ser identificado, descreve um cenário difícil: "No nosso país, não há sinalização, não há manutenção em dia. Não sei a quem nos podemos queixar, porque os governantes não sentem o sofrimento do pacato cidadão."
As más estradas potenciam e agravam as dores de cabeças diárias destes motoristas, afirma o académico Cruz de Deus: "Há muitos autocarros que fazem viagens consecutivas sem manutenção. O mesmo autocarro sai de Luanda até ao Lubango e tem de voltar no dia seguinte. É muita viagem para um só transporte. Isto degrada o próprio meio de transporte, além de desgastar o próprio pessoal. Os motoristas estão sempre cansados."
Fiscalização está a funcionar?
Quando se fala sobre sinistralidade rodoviária, outra questão que costuma vir à tona é se a fiscalização está realmente a funcionar?
O ativista de direitos humanos Amadeus Lucas considera que é preciso investigar melhor potenciais conflitos de interesses dentro do setor dos transportes, pois são "pessoas influentes" quem detém as transportadoras públicas. "Sendo eles poderosos e influentes, dificilmente teriam a mão pesada de uma instituição fiscalizadora", conclui.
Mas o ministro angolano do Interior, Manuel Homem, promete medidas mais rígidas para reduzir as mortes nas estradas.
"Estamos a reforçar as medidas de prevenção rodoviárias com meios e mecanismos que permitem uma melhor fiscalização. Estamos também a alargar os postos de fiscalização de veículos, para permitir que possamos dar uma atenção especial à manutenção e à necessidade de veículos com condições", anunciou recentemente.
A prevenção começa também com o reforço da educação rodoviária, defende Pascoal Baptistiny, da organização não-governamental Mbakita. "As campanhas deviam ser contínuas e o Governo devia disponibilizar verbas para as organizações ligadas ao trabalho de educação rodoviária", sugere.
Para muitos jovens, a pergunta em relação aos altos números da sinistralidade rodoviária já não é tanto "porque é que isto acontece?", mas sobretudo "quando é que isto vai acabar?"