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PolíticaAlemanha

Alemanha: AfD vence no nordeste e esquerda conquista Berlim

20 de setembro de 2026

A AfD venceu as eleições em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, enquanto o partido Die Linke ficou em primeiro lugar em Berlim, num duplo revés para a CDU do chanceler alemão Friedrich Merz.

Chanceler alemão, Friedrich Merz, em conferência de imprensa em Berlin, este domingo
O chanceler Friedrich Merz classificou os resultados das duas eleições como um "desastre"Foto: Christian Mang/REUTERS

A Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu este domingo (20.09) as eleições regionais em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste da Alemanha, enquanto o partido Die Linke (A Esquerda, em português) ficou em primeiro lugar em Berlim, segundo projeções baseadas nos resultados parciais. O chanceler Friedrich Merz classificou os resultados das duas eleições como um "desastre".

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD seguia na frente com 37,3% dos votos, contra 35,5% do Partido Social-Democrata (SPD), que governa o estado há 28 anos. Die Linke surgia em terceiro lugar, com 7,5%, enquanto a CDU de Merz se encontrava perto do limiar de 5% necessário para entrar no parlamento regional.

Apesar do primeiro lugar, as projeções não davam à AfD uma maioria na assembleia regional, composta por 71 deputados. O partido deverá eleger 28 representantes, contra 26 do SPD, deixando a formação de um futuro governo dependente das negociações entre as forças com representação parlamentar.

Die Linke vence na capital alemã

O cenário foi diferente em Berlim, onde Die Linke se afirmou como a força mais votada, com mais de 25% dos votos. As projeções atribuíam-lhe 43 dos 159 lugares no parlamento da cidade-estado, à frente da CDU, que registava pouco menos de 20% e deverá ficar com 34 deputados.

A AfD ficou em terceiro lugar na capital alemã, com 15,6% e uma projeção de 27 deputados. Os Verdes surgiam imediatamente atrás, a menos de um ponto percentual e com 26 lugares, num resultado que deixa o futuro executivo de Berlim dependente de negociações entre vários partidos.

Os resultados surgem duas semanas depois de outro revés para a CDU nas eleições da Saxónia-Anhalt. Nesse estado, os democratas-cristãos obtiveram 17,2%, enquanto a AfD alcançou 43,8% dos votos. Em Berlim, a CDU conseguiu um resultado superior, enquanto em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental se encontrava perto do limite mínimo para obter representação parlamentar.

A Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita, registou ganhos em Berlim, com as primeiras projeções a colocarem o partido em terceiro lugar nas eleições estaduaisFoto: Britta Pedersen/dpa/picture alliance

Pressão sobre Governo de Merz

Os resultados levaram também dirigentes do SPD, parceiro da CDU no Governo federal, a pedir mudanças. O vice-chanceler, ministro das Finanças e copresidente social-democrata, Lars Klingbeil, afirmou que o executivo terá de analisar as razões da "grande incerteza" existente no país e reconheceu dificuldades em comunicar as reformas de forma convincente.

O secretário-geral do SPD, Tim Klüssendorf, pediu igualmente uma mudança de rumo da coligação liderada por Merz. Segundo o dirigente, os resultados constituem uma mensagem de que o Governo não pode continuar "como antes", defendendo reformas estruturais em vez de uma política centrada apenas em cortes.

AfD pede fim do bloqueio político

A copresidente da AfD, Alice Weidel, aproveitou os resultados para voltar a pressionar a CDU a abandonar a recusa de cooperação com o seu partido. Weidel afirmou que a fragilidade eleitoral dos democratas-cristãos resulta, em parte, dessa estratégia e disse que o objetivo da AfD é chegar, a longo prazo, a negociações para uma coligação com a CDU.

Merz, por seu lado, indicou que pretende manter a agenda reformista do Governo. O chanceler afirmou que quer uma Alemanha que "acredite na sua própria força" e reconheceu que as mudanças poderão gerar novas incertezas e encargos antes de produzirem resultados. "É precisamente por isso que temos de começar agora a trabalhar", afirmou.

CDU acumula resultados negativos

As eleições deste domingo representam mais um teste político para Merz depois dos resultados registados pela CDU noutros estados. Além da votação na Saxónia-Anhalt, a formação ficou agora atrás do partido Die Linke em Berlim e registou um resultado particularmente baixo em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.

As projeções permaneciam dependentes da contagem dos votos e do desempenho das formações próximas do limiar eleitoral de 5%, que poderá influenciar a distribuição final dos lugares nos parlamentos regionais e, consequentemente, as opções disponíveis para a formação dos futuros governos.

AfD vence eleições regionais: E agora, como formará governo?

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