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Alianças comerciais são negociadas para fortalecimento da CPLP

Thais Fascina2 de junho de 2014

Exploração de petróleo, construção do “cluster do mar” e reinício dos voos entre Portugal e Guiné-Bissau são alguns dos acordos que estão sendo tratados. Objetivo é o fortalecimento econômico para criar base competitiva.

Produção de petróleo em Angola. Delegação da Sonangol esteve em Timor-Leste para checar potencial do país para criação de consórcioFoto: MARTIN BUREAU/AFP/Getty Images

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP, está analisando a possibilidade de inúmeras parcerias entre as nações que fazem parte do bloco.

Formado por Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Brasil, Portugal e Timor-Leste, tem como um dos objetivos o fortalecimento econômico dos países.

Em Díli, capital do Timor-Leste, acontece uma cúpula da Sonangol Hidrocarbonetos Internacional, a subsidiária da empresa petrolífera estatal de Angola. O país africano deve analisar a possibilidade de criação de um consórcio para exploração de petróleo em Timor Leste.

Em entrevista à agência Lusa, o presidente executivo da Senangol, Manuel Teixeira, disse que a visita ao país servirá para conhecer o potencial petrolífero da região. Ele afirma que "o objetivo dessa visita é sobretudo com a intenção do governo de Timor criar um consórcio que vai envolver todos os países da CPLP. E nós viemos aqui apenas para ver se de fato as áreas têm potencial em termos petrolíferos".

Teixeira ainda diz que, somente depois da visita estratégica, a Sonangol poderá chegar a uma conclusão se irá participar ou não do consórcio.

Para Sandro Mendonça, professor do Departamento de Economia do ISCTE Business School - Instituto Universitário de Lisboa, a cooperação entre os países da CPLP só traz vantagens.

Símbolo da CPLP formada por Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Brasil, Portugal e Timor-LesteFoto: CPLP

“[É importante] a força que se dá ao português como língua de negócios. Esta nova densidade comercial é algo que, para todos os países envolvidos, acabam por reduzir a sua dependência. Por exemplo, Portugal certamente precisa se alavancar em relação a uma Europa que não cresce, mas os países africanos de língua portuguesa também precisam de se lançar para um mundo mais vasto”, afirma o professor.

Economia e interesses

Em março deste ano, o presidente da Timor Gap, empresa petrolífera timorense, anunciou a intenção das autoridades do país para a criação de um consórcio com os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal já teriam manifestado interesse na iniciativa, com exceção do Brasil, que teria necessidades internas relacionadas aos próprios recursos.

O economista Sandro Mendonça afirma que há diferenças entre os países, já que alguns teriam mais interesses no bloco que outros. Porém, as trocas comerciais, mesmo com economias distintas, podem trazer resultados e definir a força do grupo.

Para ele, um país como o Brasil, com grandes recursos petrolíferos, pode estar menos interessado no mercado lusófono ao nível de recursos em hidrocarbonetos. Mas, no todo, pode-se redesenhar um padrão de trocas e, muitas vezes, essas novas trocas, ao somarem-se, podem vir a dar uma base competitiva para o resto do mundo.

Parcerias
No que diz respeito à Portugal, as autoridades do país sinalizam querer apoiar Cabo Verde na criação do “Cluster do Mar”, onde o país africano pretende desenvolver toda a atividade econômica marítima.

Negociações a todo vapor: um dos últimos eventos da CPLP foi uma feira de Agronegócios no Brasil(abril 2014)Foto: Paulino Tavares

Além disso, irá contatar as novas autoridades de Guiné-Bissau para verificar as condições de segurança e, então, retomar as conexões aéreas entre Lisboa e o país africano. Os voos da TAP foram interrompidos após o episódio do embarque forçado de passageiros ilegais em Bissau, no dia 10 de dezembro do ano passado.
O economista Sandro Mendonça afirma que as parcerias econômicas dos oito países lusófonos irão trazer progresso no futuro e acredita em um bloco forte para competir mundialmente.

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Além disso, ao menos três nações têm boas perspectivas de crescimento nos próximos anos aos olhos do Mundo: Angola, Moçambique e Brasil.

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