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FutebolEstados Unidos

Mundial: Amnistia alerta para riscos contra direitos humanos

João Carlos (em Lisboa)
14 de abril de 2026

A Amnistia Internacional alerta que o Mundial de Futebol 2026, que arranca em junho, pode tornar‑se uma ameaça para adeptos e comunidades locais. Em causa estão políticas de imigração restritivas, sobretudo nos EUA.

Trionda, a nova bola do Mundial de Futebol
A Amnistia Internacional receia que milhões de adeptos possam ser vítimas das políticas abusivas de imigração, sobretudo dos EUAFoto: Marc Schueler/Sportpics/picture alliance

A FIFA e os países anfitriões devem impedir que o Campeonato Mundial de Futebol, a ter lugar entre junho e julho nos Estados Unidos, Canadá e México, se torne numa ameaça para os adeptos e as comunidades locais. O alerta é lançado pela Amnistia Internacional, que receia que milhões de adeptos possam ser vítimas das políticas abusivas de imigração, sobretudo dos Estados Unidos.

Medidas impostas pela administração Trump impedem adeptos da Costa do Marfim, do Haiti, do Irão e do Senegal de entrar nos Estados Unidos. Adeptos, jogadores e jornalistas estão a ser avisados do risco de se depararem com graves violações dos direitos humanos.

Cabo-verdianos com dificuldades para obter vistos

À DW, o adepto Eric Muthame, diz estar ansioso que chegue o Campeonato do Mundo da FIFA 2026, que terá lugar nos Estados Unidos, Canadá e México, entre 11 de junho e 19 de julho deste ano.

"Seria um sonho ir para os Estados Unidos acompanhar o futebol. No último Mundial, por exemplo, Marrocos chegou às semi-finais e foi uma grande vitória para África", recorda. Mesmo não podendo estar presente no evento desportivo, o jovem do Quénia, a fazer licenciatura em Portugal, vai vibrar pelas seleções africanas, entre as quais de Cabo Verde.

É também pelos "Tubarões Azuis" que vai torcer o cabo-verdiano Ângelo Delgado. "Seria incrível, porque é a primeira participação de Cabo Verde num Mundial. Já assim é histórico. Também acho que a seleção cabo-verdiana tem, de facto, muita qualidade. Cabo Verde vai competir."

Mas Ângelo Delgado, que é escritor e redator de publicidade, está ciente das restrições não só para jogadores, como também para os adeptos que vão acompanhar "in loco" o Mundial de Futebol 2026. "Parece-me que a entrada [nestes países] tem sido dificultada a inúmeras nacionalidades, a pessoas de vários locais do mundo. Acredito que também isso irá acontecer com cabo-verdianos.", diz.

Mundial de Futebol 2026 decorrerá entre junho e julho nos Estados Unidos, no Canadá e no MéxicoFoto: Oasisamuel/Depositphotos/IMAGO

Cabo Verde está entre os países com dificuldades para obter vistos de entrada nos Estados Unidos, recorda o adepto cabo-verdiano. "Há nações que têm facilidade de obter vistos, há nações que têm menos facilidade de obter vistos e Cabo Verde, infelizmente, enquadra-se neste último grupo", lamenta,

Tanto Eric Muthame como Ângelo Delgado têm consciência dos entraves que muitos adeptos vão enfrentar para entrar sobretudo nos Estados Unidos, mas também no México, que vive uma situação de grande violência.

De acordo com as proibições impostas pela administração Trump, os adeptos da Costa do Marfim, do Haiti, do Irão e do Senegal estão também impedidos de entrar nos Estados Unidos para apoiar as respetivas equipas.

Políticas de imigração abusivas

A Amnistia Internacional alerta que milhões de adeptos que assistirão ao Mundial correm o risco de serem vítimas das políticas de imigração abusivas dos EUA. Consequentemente podem deparar-se com graves violações dos direitos humanos, como avisa André Julião, da Amnistia Internacional Portugal.

"Nós tememos bastante que as comunidades imigrantes, os próprios turistas, de países dos quais a administração Trump não gosta, não só não estejam seguros como possam ser alvos de rusgas, violência, racismo e xenofobia."

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Os riscos estão detalhados no recente relatório da Amnistia Internacional "A Humanidade Tem de Vencer: Defender os direitos, combater a repressão no Campeonato do Mundo da FIFA 2026". André Julião adianta que "nos três países onde se vão realizar os jogos já se observaram restrições aos protestos e haverá grandes operações de segurança com riscos de repressão, inclusive por forças de segurança militarizada."

"Portanto, temos aqui riscos agravados nos três países e tememos, inclusivamente, que este torneio já não seja o evento de risco médio que a FIFA considerou quando atribuiu o direito de organização, há oito anos, mas seja bastante mais elevado."

Apelos à FIFA

E o que devem fazer a FIFA e os anfitriões para impedir que o Mundial de 2026 em futebol se torne ameaça para os adeptos e as comunidades locais? "Nós, neste relatório, apelamos à FIFA e, sobretudo, aos países organizadores para que garantam ou procurem garantir os direitos à liberdade de expressão e de reunião pacífica, quer dentro quer fora dos locais onde se vai realizar o Campeonato do Mundo."

A Amnistia considera importante acabar com as rusgas indiscriminadas, a caraterização étnica, as detenções arbitrárias e em massa, a perseguição e a fiscalização de imigrantes, entre outras proibições. Por outro lado, adianta Julião: "Que procurem assegurar a publicação de planos de direitos humanos das cidades anfitriãs. E que devem fornecer proteção abrangente para os adeptos, jogadores, jornalistas, mas também para os trabalhadores e comunidades locais."

A Amnistia Internacional faz parte da Sports & Rights Alliance - um movimento de adeptos, atletas, trabalhadores, membros das comunidades locais e organizações de direitos humanos -, que apela à FIFA para que colabore com os países anfitriões na proteção dos residentes e das comunidades das cidades anfitriãs.