1. Ir para o conteúdo
  2. Ir para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
PolíticaRepública Democrática do Congo

Anúncio do regresso de Joseph Kabila à RDC divide opiniões

10 de abril de 2025

Pessoas próximas de Joseph Kabila anunciaram que o antigo Presidente da República Democrática do Congo (RDC) regressaria em breve ao país. Um anúncio que está a causar polémica e que divide opiniões nas ruas de Kinshasa.

Joseph Kabila, antigo Presidente da República Democrática do Congo
Em meados de março, Joseph Kabila deu uma conferência de imprensa em Joanesburgo, após conversações com o antigo Presidente sul-africano Thabo MbekiFoto: Siphiwe Sibeko/REUTERS

Alguns congoleses consideram que Joseph Kabila, como qualquer outro cidadão, tem o direito de regressar à RDC e de se instalar onde quiser.

No entanto, muitos acreditam que o seu regresso através do leste controlado pelos rebeldes confirmaria as acusações do Presidente Félix Tshisekedi de que Kabilaapoia o grupo M23.

Reações nas ruas de Kinshasa 

"Como ex-Presidente, ele pode regressar ao seu país como qualquer outro congolês", afirmou um residente de Kinshasa. "Se ele decidir regressar à sua província natal, não há problema. Se ele quiser ir para o Kasai, por exemplo, não há obstáculos."

"Mas porque é que ele escolheu Goma?", pergunta outro cidadão congolês. "Provavelmente porque já lá esteve e conhece bem a região. Mas nós, enquanto congoleses, estamos atentos à evolução da situação", assegura.

Sete razões da continuação do conflito no leste da RDCongo

04:20

This browser does not support the video element.

"Ele dirigiu este país durante 18 anos, o que significa que nenhum outro congolês tem mais experiência de governação e de gestão dos segredos de Estado do que ele", disse à DW outro habitante.

Por fim, outro habitante de Kinshasa interroga-se: "O que me dizem é que todos os aeroportos do leste estão sob o controlo dos grupos que nos combatem. Se ele regressar, isso sugere que pode estar ligado a esses grupos. Vimos a mulher dele a viajar para a região. Não há provas de que ele esteja por detrás da situação no leste."

Suspeitas de longa data

Joseph Kabila deixou a RDC em janeiro de 2024. Nessa altura, Augustin Kabuya, secretário-geral da União para a Democracia e o Progresso Social (UDPS), o partido do Presidente Tshisekedi, acusou Kabila de ter fugido do país devido ao seu alegado apoio à rebelião do M23.

Estas acusações foram firmemente negadas pelos membros da Frente Comum para o Congo (FCC), a coligação política de Kabila, mas mantidas pelo Presidente Tshisekedi. Atualmente, a UDPS considera que a escolha de Kabila de regressar através de Goma prova que ele está a tentar desestabilizar o país, como salienta Adolphe Amisi Makutano, da UDPS.

"Compreenderão que a missão foi confiada a um fantoche. Hoje, o responsável por esta missão está a tentar tomar as rédeas. Isto não é grave, mas ele tem de compreender que haverá consequências e que a sua iniciativa vai falhar. O povo congolês está de pé", sublinha Makutano.

O anúncio do regresso de Joseph Kabila surge no momento em que as delegações do governo congolês e do M23 deveriam reunir-se em Doha, no Qatar, para negociações diretas com vista a resolver a crise que persiste no leste da RDC.

Conflito na RDC: Porque é que o Acordo de Adis Abeba falhou?

01:25

This browser does not support the video element.