ANAMOLA contabiliza quatro feridos após ação policial
16 de agosto de 2026
O partido moçambicano ANAMOLA contabilizou quatro feridos na sequência de disparos efetuados pela polícia para dispersar e impedir uma marcha de celebração de um ano da formação do partido de Venâncio Mondlane, em Quelimane, este sábado (15.08), pedindo responsabilização dos agentes envolvidos.
Segundo o levantamento do partido Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), um jornalista foi atingido a tiro pela polícia, duas crianças foram atingidas por projéteis de gás lacrimogéneo e um membro do partido sofreu ferimentos após ser picado por abelhas que, segundo a formação política, terão sido dispersadas "propositadamente" pela polícia, estando todos hospitalizados, conforme refere um comunicado.
O partido repudiou o ataque da polícia aos simpatizantes que se preparavam para uma marcha na cidade de Quelimane, centro de Moçambique, esclarecendo que a atividade era do conhecimento das autoridades, incluindo o respetivo itinerário.
"O partido repudia veementemente este ataque violento da PRM [Polícia da República de Moçambique] contra os membros do nosso partido, incluindo crianças, jornalistas e pessoas com deficiência, em pleno exercício dos seus direitos constitucionalmente consagrados", lê-se no comunicado.
A formação do ex-candidato presidencial quer a abertura imediata de um inquérito "sério e transparente" pelas autoridades, exigindo a responsabilização dos agentes envolvidos nestes atos, além do respeito escrupuloso das leis que garantem a liberdade de reunião e de manifestação pacífica.
O partido reclama também "a garantia de condições de segurança para a continuação das atividades políticas do partido ANAMOLA amola em todo o território nacional".
Após a polícia moçambicana lançar gás lacrimogéneo para dispersar apoiantes do político Venâncio Mondlane durante uma concentração para uma marcha na cidade de Quelimane, provocando a fuga de populares, o autarca da cidade manifestou "profundo choque" com a atuação da polícia, criticando a postura "musculosa e desproporcional" das autoridades.
Venâncio Mondlane chegou na sexta-feira (14.08) à cidade de Quelimane para participar nas comemorações do primeiro aniversário do partido que fundou. À chegada, já era visível um forte aparato policial no exterior do aeroporto local.
Num comício realizado no sábado, Mondlane prometeu conduzir o partido à vitória nas eleições autárquicas previstas para 2028, em todos os municípios do país, sustentando que a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), no poder desde 1975, receia perder o escrutínio para a sua formação política.
Nesse contexto, afirmou que os processos judiciais que enfrenta, relacionados com as manifestações pós-eleitorais de 2024, visam intimidá-lo, garantindo não recear uma eventual detenção.
"Ainda nos vão meter medo com cadeia, nós? Nós próprios, que a morte já não nos mete medo, é a cadeia que vai nos meter medo? Da mesma maneira que dizem que está próximo o julgamento de Venâncio no Tribunal Supremo. Eles acham que estou com medo desse julgamento? Eles acham que estou com medo de cadeia? Até é bom, se levarem o Venâncio para a cadeia, vai ser bom, porque é no mesmo dia que todas as cadeias de Moçambique vão explodir", declarou.
"Estou a explicar que o ANAMOLA veio para revolucionar Moçambique", acrescentou, defendendo que o partido já está implantado em todos os distritos, postos administrativos e localidades do país.
Moçambique viveu a sua mais grave crise pós-eleitoral após as eleições gerais de outubro de 2024, na sequência das manifestações convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que continua a contestar os resultados que atribuíram a vitória a Daniel Chapo.
Segundo dados da organização não-governamental Plataforma Decide, os protestos provocaram 411 mortos e levaram à detenção de cerca de 7.200 pessoas.
Fundador do ANAMOLA , Mondlane foi eleito, em junho, presidente da formação política por unanimidade durante a sua primeira Convenção Nacional, após ter assumido interinamente a liderança do partido desde a sua criação, em agosto de 2025.