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João Lourenço diz que Angola cresceu e combateu corrupção

15 de outubro de 2026

No discurso do Estado da Nação, o Presidente angolano destacou o crescimento de 5% da economia e a melhoria de indicadores sociais, reiterando o compromisso com a recuperação de ativos e o combate à corrupção.

Presidente angolano, João Lourenço
Presidente João Lourenço fez hoje o seu último discurso sobre o Estado da NaçãoFoto: João Carlos/DW

O Presidente angolano afirmou esta quinta-feira (15.10) que Angola está a avançar no caminho do desenvolvimento, destacando o crescimento económico e a melhoria de alguns indicadores sociais, ao mesmo tempo que reiterou o compromisso do Executivo no combate à corrupção e na recuperação de ativos.

No discurso sobre o Estado da Nação, que durou cerca de quatro horas e marcou a abertura do novo ano parlamentar na Assembleia Nacional, João Lourenço defendeu que a situação do país não deve ser avaliada apenas através da evolução da economia.

"Mede-se pelo número de famílias que conseguem viver melhor, pelo número de jovens que conseguem encontrar emprego, pelas crianças que frequentam escolas e pelas mães que dão à luz em segurança, pelos agricultores que exploram os seus campos”, afirmou apesar da generalidade dos angolanos se queixar do aumento do custo de vida do país.

Segundo o chefe de Estado, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu cerca de 5%, enquanto a esperança média de vida dos angolanos aumentou de 61 para 64 anos.

João Lourenço abordou também o processo de reconciliação nacional, depois de o líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, ter criticado o desaparecimento do tema do debate político angolano.

"É responsabilidade de todos nós trabalhar para consolidar a reconciliação nacional e a estabilidade política, garantia fundamental para o desenvolvimento económico e social do país", declarou o Presidente.

Sobre a implementação das autarquias locais, João Lourenço indicou que aguarda consensos entre as bancadas parlamentares do MPLA e da UNITA para que o processo possa avançar.

Presidente angolano diz que o país está melhor e que isso se vê no "número de famílias que conseguem viver melhor, pelo número de jovens que conseguem encontrar emprego, pelas crianças que frequentam escolas e pelas mães que dão à luz em segurança"Foto: AFP

"O essencial do trabalho está feito, persistindo um impasse quanto à realização faseada ou em simultâneo das eleições autárquicas em todos os municípios, o que para um país que pretende realizá-las pela primeira vez torna-se difícil, se não mesmo inviável”, afirmou.

Quase 13 mil milhões de euros identificados

O combate à corrupção, à criminalidade económico-financeira e ao branqueamento de capitais ocupou igualmente parte do discurso.

João Lourenço afirmou que o Executivo continua empenhado em recuperar e repatriar para Angola recursos identificados no âmbito do combate ao crime económico e à corrupção.

"Continuamos empenhados em garantir que estes recursos sejam repatriados incondicionalmente para Angola a fim de serem aplicados em projetos de investimento público em benefício da população", afirmou.

Entre 2022 e 2026, no âmbito da investigação patrimonial e financeira, foram apreendidos e arrestados, em Angola e no estrangeiro, bens móveis, imóveis e valores monetários no montante global de aproximadamente 13 mil milhões de dólares (cerca de 11,6 mil milhões de euros), segundo os dados apresentados pelo Presidente.

A estes valores somam-se 900 milhões de euros e 500 milhões de dólares (cerca de 446 milhões de euros) que o Estado angolano procura recuperar na sequência de decisões dos tribunais angolanos.

"Continuamos a trabalhar para que os cerca de 900 milhões de euros retidos num banco na Suíça e os 500 milhões de dólares norte-americanos retidos noutro banco em Singapura sejam efetivamente entregues ao Estado angolano, seu único e legítimo proprietário, que os utilizará na construção de infraestruturas sociais", disse.

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