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Angola distribui mal a riqueza entre províncias?

8 de maio de 2026

Luanda e Zaire lideram a contribuição para PIB angolano, mas analistas questionam: por que as províncias mais ricas continuam marcadas pela pobreza e desigualdade social? Petróleo e diamantes: riqueza para quem afinal?

Foto: Borralho Ndomba/DW

Dados do Instituto Nacional de Estatística de Angola revelam que Luanda, Zaire e Benguela são as províncias que mais contribuem para o Produto Interno Bruto (PIB). Especialistas alertam para o risco de desigualdades sociais na distribuição da riqueza nacional.

Luanda e Zaire são as províncias com maior peso na economia angolana. Segundo os números do Instituto Nacional de Estatística sobre a participação das províncias no Produto Interno Bruto, Luanda lidera com cerca de 31 biliões de kwanzas (converter em euros), equivalente a 30% da riqueza nacional, enquanto o Zaire surge em segundo lugar, com 17 biliões de kwanzas (converter em euros), correspondentes a 17%.

Nas províncias com menor peso no PIB, o destaque vai para Cuando Cubango e Cunene, ambas com participação inferior a 1%, além do Namibe, com cerca de 1,5%.

A divulgação dos dados reacendeu o debate sobre a distribuição do Orçamento Geral do Estado por província, em função da contribuição económica e das consequências sociais que as desigualdades de investimento podem provocar nas comunidades locais.

O analista político Agostinho Sicato considera necessário aprofundar as razões da fraca contribuição de algumas províncias, defendendo melhor aproveitamento dos recursos existentes.

"Essas podem ser tidas como as que mais contribuem, partindo de um pressuposto. Eventualmente, tenham mais recursos que estão a ser explorados, porque há províncias que têm muitos outros recursos que nem sequer se sabe que têm", afirmou.

Petróleo e diamantes: riqueza para quem afinal?

Entre as províncias que mais produzem está também a Lunda Norte, rica em diamantes. Apesar disso, persistem queixas sobre falta de investimento e desigualdades sociais.

O deputado Joaquim Nafoia afirma que, apesar da riqueza mineral, a população continua a enfrentar dificuldades severas.

"A Lunda Norte, província de riqueza natural, infelizmente, o povo sofre mais a fome em relação a outras províncias", lamentou.

Da província do Zaire, rica em petróleo, também surgem críticas quanto ao retorno social da riqueza produzida. Para Pedro Lemba, apesar da contribuição significativa para o Produto Interno Bruto, a província continua sem beneficiar de forma proporcional dos recursos que gera.

"A distribuição feita pelos municípios e pelas províncias não vai de acordo. Pelo menos o Zaire devia ter uns 20% ou 15% daquilo que possui", defendeu.

Já Agostinho Sicato defende maior equilíbrio na distribuição da riqueza nacional, alertando para o risco de aumento da insatisfação social nas regiões menos desenvolvidas.

"Portanto, vamos ter socialmente uma sociedade dividida: aquela que acha que contribui mais e que precisaria justamente de mais, e aquela que acha que, não obstante não estar a contribuir mais, merecia fazer parte do desenvolvimento do país, alertou.