Obras do Campus Universitário de Caio começaram há 16 anos, mas estão paradas desde 2015 por falta de dinheiro. Governo promete ir à procura de fontes de financiamento.
Obras do Campus Universitário de Caio estão paradas desde 2015 por falta de dinheiroFoto: Simão Lelo/DW
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As futuras infraestruturas do Campus Universitário de Caio serão construídas numa área de 90 hectares, na Caio Litoral, a cerca de 25km da cidade de Cabinda. Mas as obras, que começaram há 16 anos estão paralisadas há quase uma década.
Simão Lando, fiscalizador da obra, conta à DW que têm existido sucessivos avanços e paralisações, por constrangimentos financeiros. "De momento, está tudo parado. Chegamos até quase 74 por cento de execução física", nota.
Num despacho presidencial em 2022, o chefe de Estado João Lourenço autorizou a celebração dos contratos de empreitada para acabamentos complementares e apetrechamento da primeira fase do projeto de construção referente ao edifício da reitoria e dos serviços sociais, no valor global de 15,4 milhões de dólares norte-americanos.
Na altura, o documento referia que, devido à paralisação do projeto, em 2015, o material implantado se tinha degradado, sendo urgente a sua reposição. No entanto, mesmo depois do despacho, nada mudou.
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Situação "triste e lamentável"
Muitos académicos mostram-se insatisfeitos com a situação. Isto porque um dos objetivos do projeto do Campus Universitário de Caio era aumentar o número de salas de aula, e consequentemente, abrir mais vagas.
Pedro António, docente universitário, descreve a situação como "triste e lamentável, pois muita juventude fica fora sem poder dar continuidade aos seus estudos, porque os espaços são insuficientes".
Domingos João Marques, jurista, partilha a mesma visão: "Nem todos têm as condições financeiras para garantir uma vaga numa universidade privada. A entrada em funcionamento [do Campus] poderia garantir mais desenvolvimento", disse à DW.
Ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Paula de Oliveira (à esquerda)Foto: Simão Lelo/DW
Numa visita de trabalho à província de Cabinda, no início do mês, a ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Paula de Oliveira, garantiu que o Governo está à procura de "fontes de financiamento para que possamos terminar a referida obra".
"O que falta é inferior em relação àquilo que o executivo já investiu até agora. Portanto faz todo o sentido, numa província como Cabinda, termos esta obra terminada", afirmou.
Questionada sobre o montante necessário para concluir a obra, a ministra não deu detalhes.
Apesar da garantia do Governo, há quem prefira ver para crer. É o caso do jurista Domingos Marques, que diz: "Esperemos que as palavras da senhora ministra não sejam mais um discurso político, somente como forma de nos acalmar, mas que esteja eivado de responsabilidade e de sentido tendo em conta a dimensão da própria obra".
Angola: Diversificar a economia através da agricultura
O petróleo é a principal fonte de receitas de Angola. Face à crise no mercado internacional, o país procura diversificar a sua economia nomeadamente através da agricultura.
Foto: Antonio Ambrosio/DW
Estado das vias de acesso preocupa
Há 10 anos o Governo realiza, anualmente, a Feira da Banana no Bengo. Apesar do nome, a feira contempla diversos produtos. Bengo possui uma área arável de cerca de 1 milhão de hectares. As culturas mais predominantes são a mandioca, batata doce, feijão, banana, ginguba e batata rena. Mas o estado degradante das vias de acesso tem gerado perdas significativas aos produtores.
Foto: Antonio Ambrosio/DW
Produção nacional de Banana
A produção de banana é uma fonte de rendimento para muitas famílias, gerando postos de trabalho e desenvolvimento nas regiões de produção. Em 2023, a província angolana do Bengo produziu mais de 443 toneladas de banana. Martins Albino, produtor, diz que no município de Bula Atumba explora 8 hectares e consegue colher mais de 100 cachos de banana por mês.
Foto: Antonio Ambrosio/DW
Para quando o relançamento do café?
A produção de café em grande escala também pode ajudar Angola a depender menos do petróleo. O país, antes independência, já foi um dos maiores produtores de café. Os conflitos armados, o envelhecimento da mão de obra e o relaxamento dos produtores freou a sua elevação. Nos últimos tempos, tem havido maior aposta na produção.
Foto: Antonio Ambrosio/DW
Do bombó vem o funge
Na região norte de Angola, o funge de bombó, cuja matéria-prima é a mandioca, é um dos principais alimentos. Rosa José, que vive desta produção há mais de 20 anos, conseguiu empregar três trabalhadores. Em um ano colhe e comercializa mais de uma tonelada de bombó. Face aos níveis de produção na sua localidade, diz que tem procurado vender o bombó em outros mercados.
Foto: Antonio Ambrosio/DW
Cana-de açúcar é outra alternativa
Também a produção de cana-de açúcar já proporcionou muitas alegrias a Angola. A cidade capital do Bengo encontra-se numa zona que recebeu o nome de "Açucareira" precisamente por conta dos elevadores níveis de produção.
Foto: Antonio Ambrosio/DW
Das águas angolanas chegam outras valências
Peixes de diferentes espécies podem ser encontrados no rio ou no mar, na província do Bengo. Ambriz, por exemplo, é conhecido por ser um município piscatório devido ao seu potencial no que à pesca diz respeito. Quem visita a municipalidade não pode deixar de provar a "madiquita".
Foto: Antonio Ambrosio/DW
Kizaca, o "frango verde" de Angola
Além da mandioca que dá origem ao bombó, da mesma produção vem a kizaca. Um alimento que durante a pandemia da COVID-19 ficou conhecido em algumas zonas de Angola como "frango verde". Muito presente na mesa dos angolanos, a kizaca pode acompanhar o funge, o arroz e até mesmo o molho.
Foto: Antonio Ambrosio/DW
Produção de laranja
Este é outro produto que muito se cultiva em Angola: a laranja. Nesta feira em que participam mais de 500 expositores, com um volume de negócios de mais de cem milhões de Kwanzas (cerca de 109.453€), os participantes aproveitam para fazer negócios. O Governo do Bengo contempla um total de 156 associações de camponeses e 187 cooperativas agropecuárias, grande parte integrada por ex-militares.
Foto: Antonio Ambrosio/DW
Autoridades e produtores buscam soluções
Sentados "à mesma mesa", autoridades e produtores buscam soluções para melhorar e impulsionar a produção nacional e alavancar a diversificação da economia do país.