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Descida da taxa de juro “foi imprudente", considera analista

jc
19 de setembro de 2025

Subida dos preços dos combustíveis em Angola "vai exercer uma pressão ascendente sobre os preços, em geral, o que irá abrandar o processo de desinflação", segundo analista britânico.

Angola Luanda - Porto de Luanda
Angola tem entre os seus desafios económicos o objetivo de controlar a inflação, que deverá ficar acima de 20% este anoFoto: DW/C.V. Teixeira

A consultora Oxford Economics considerou hoje (19.09) que a descida da taxa de juro de referência em Angola foi "um pouco imprudente", considerando que o objetivo é controlar a inflação, que deverá ficar acima de 20% este ano. O alerta é comentado pelo analista britânico Christian Franken, para quem o aumento dos preços dos combustíveis continuará a ser um risco.

"Prevemos que o Governo continuará a cortar os subsídios aos combustíveis para ajudar a aliviar a pressão sobre as finanças públicas, o que significa que o aumento dos preços dos combustíveis continuará a ser um risco para a inflação no futuro”, afirmou. "Por isso, do ponto de vista da meta de inflação, a redução das taxas foi imprudente", referiu o analista do departamento africano daquela consultora britânica.

Em declarações à Lusa na sequência da descida da taxa de juro de referência em Angola pela primeira vez desde 2023, Christian Franken admitiu que a decisão "foi um pouco surpreendente" porque, sendo certo que a inflação tem vindo a desacelerar, a subida dos preços dos combustíveis "vai exercer uma pressão ascendente sobre os preços (em geral), o que irá abrandar o processo de desinflação".

Trajetória de redução da inflação

O Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu esta semana reduzir as três principais taxas de juro em 0,5 pontos percentuais, fixando a taxa base nos 19%, a primeira descida desde 2023, acreditando na trajetória de redução da inflação.

De acordo com o governador do banco, Manuel Tiago Dias, que falava no final de uma reunião do Comité de Política Monetária, o BNA decidiu descer a taxa base de 19,5% para 19%, a taxa de juro de facilidade permanente de cedência de liquidez de 20,5% para 20% e a taxa de juro da facilidade permanente de absorção de liquidez de 17,5% para 17%.

O Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu esta semana reduzir as três principais taxas de juro. No entanto, a Oxford Economics diverge das previsões do Banco Central angolanoFoto: Pedro Borralho Ndomba

"Estas decisões refletem a trajetória de redução da inflação em Angola, em linha com o objetivo de inflação para o ano em curso, não obstante o cenário de incertezas que ainda se observa no plano internacional e as suas implicações nas contas externas do país", justificou o responsável na referida reunião.

Manuel Tiago Dias realçou que a taxa de inflação mensal desacelerou para 1,09% em agosto de 2025, depois de inflexão observada em julho, em resultado da diminuição da contribuição dos preços da classe de transportes.

Divergências das previsões

No entanto, a Oxford Economics diverge das previsões do Banco Nacional de Angola. "Não acreditamos que a inflação diminuirá tão rapidamente quanto o Banco Central espera", disse Christian Franken. "Na verdade, prevemos que a inflação ficará, em média, nos 20,8% em 2025 devido a essa desinflação mais lenta, o que é superior à meta de 17,5% que o banco almeja, o que significa que as taxas de juros podem não ser altas o suficiente para conter a inflação futura, a menos que as taxas sejam aumentadas novamente", adiantou.

O analista, que segue Angola nesta consultora, acrescentou em declarações à Lusa que o Banco Central angolano "não tem uma estrutura explícita de metas de inflação". Ou seja, "combater a inflação não é, estritamente falando, o seu único mandato", referiu. "Portanto, é provável que esses cortes nas taxas de juro tenham sido feitos com o objetivo de estimular a economia, que foi muito afetada pelos baixos preços globais do petróleoe pela queda na demanda por diamantes", explicou.

A Oxford Economics concluiu que "as taxas mais baixas implicam que há um risco de inflação mais alta no futuro, a menos que as taxas sejam aumentadas novamente".

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