Angola: Trocas de governadores no Huambo preocupam oposição
9 de junho de 2020
A angolana Lotti Nolika é a terceira governadora da província do Huambo em menos de quatro anos. A oposição contesta as constantes mudanças por considerar que não contribuem para a estabilidade governativa.
Foto: DW/J. Adalberto
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A nova governadora da província do Huambo, em Angola, volta para uma casa que bem conhece. Lotti Nolika já exerceu funções no executivo provincial como administradora municipal, diretora provincial da Educação e vice-governadora para a Área Social. Antes da sua nomeação como governadora, era membro do Conselho da República, órgão de consulta do Presidente da República.
Lotti Nolika é a escolhida por João Lourenço para dirigir os destinos da província do Huambo, rica em recursos naturais. Os cidadãos esperam que trabalhe para melhorar a condição dos habitantes da urbe, apostando nas áreas económicas e sociais.
Angola: Trocas de governadores no Huambo preocupam oposição
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Nolika é a terceira governadora da província em menos de quatro anos.A oposição contesta as constantes mudanças.
Eduardo Ndumba, deputado da União Nacional para a Libertação Total de Angola (UNITA), eleito pelo ciclo provincial do Huambo, entende que as constantes mudanças na hierarquia governativa da província não contribuem para a implementação dos planos de governação.
"Não haverá estabilidade sempre que observamos mutações permanentes. Ou seja, alterações ou mudanças de um governador para outro, porque precisamos que os planos governativos sejam sequenciados. Ou seja, temos que especializar os nossos governadores para que se adaptem trabalhando com os seus", analisa Ndumba.
Quem também não vê com bons olhos as constantes mudanças é Arão Abel, secretário-executivo provincial da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE) no Huambo, que tem 12 assentos no Parlamento.
"O Huambo, muito antes destes quatro anos, tinha um desenvolvimento visível. Havia programas que visavam ao desenvolvimento da cidade e das pessoas. Mas a dada altura, alguns passos que davam neste sentido viram-se parados", sublinha.
Cumprimento obrigatório de mandatos
O Partido de Renovação Social (PRS) também mostrou-se agastado com aquilo a que chama de "dança das cadeiras". António Soliya Solende é secretário do PRS no Huambo e defende que haja cumprimento de mandatos e substituição apenas em casos excecionais.
Eduardo Ndumba, deputado da UNITA, critica a instabilidade governativa no HuamboFoto: DW/José Adalberto
"Essas mudanças, essas danças de cadeiras, que são caraterísticas do Presidente João Lourenço, vão retardar um pouquinho o seu programa de desenvolvimento, as suas promessas eleitorais. E, depois, vão retardar o próprio país, porque as pessoas não conseguem executar aquilo que são os planos de governo de imediato", critica.
Questionado quanto às áreas prioritárias em que Lotti Nolita deve concentrar esforços durante o seu mandato, Eduardo Ndumba, da UNITA, diz que não acredita, no entanto, em mudanças de paradigma na governação da província. Ainda assim, deixou alguns conselhos à nova governadora.
"Precisamos de olhar para o campo para beneficiarmos a cidade. Isto significa que temos de ligar as vias rodoviárias com urgência, do campo para a cidade, para facilitar o escoamento de bens de primeira necessidade", aponta.
O deputado da UNITA atenta ainda que é preciso olhar pela juventude: "A delinquência juvenil tem lugar, o desemprego é exponencial", diz.
Ceticismo latente
António Soliya Solende é secretário provincial do PRSFoto: DW/José Adalberto
Em relação às expectativas da governação de Lotti Nolika, o secretário provincial do PRS, António Soliya Solende, é cético.
"O princípio é que árvore má não dá bons frutos. Porque do governo do MPLA [Movimento Popular de Libertação de Angola, o partido no poder], nós não conhecemos muitas pessoas com realizações certas", justifica.
"Estamos céticos, porque quando ela ocupou os cargos anteriores, quase que não vimos bons frutos", acrescenta.
Durante a toma de posse, Lotti Nolika elegeu como prioridades a reabilitação das vias terciárias e a melhoria das condições sociais da população. Mas os partidos políticos esperam igualmente que a nova governadora dedique tempo à governação e que evite incompatibilidades, como o cargo de primeira-secretária do partido MPLA no Huambo.
Luanda é a cidade que cresce mais rapidamente em África
Não são necessariamente as cidades mais populosas de África, mas são as que crescem de forma mais rápida, segundo as Nações Unidas. Luanda lidera a lista das cidades com maior crescimento populacional no continente.
Foto: picture-alliance/dpa/M. Kappeler
1. Luanda, Angola
Nenhuma cidade africana está a crescer tão rapidamente como Luanda, a capital de Angola. Segundo dados da ONU, vivem aqui mais de 7,7 milhões de pessoas. A idade média dos luandenses é de 20,6 anos. A capital é uma das cidades mais caras do mundo. Mas apenas as elites de Angola beneficiam das grandes reservas de petróleo do país. A população fala em desigualdade social no país.
Foto: picture-alliance/dpa/M. Kappeler
2. Yaounde, Camarões
Com 3,6 milhões de habitantes, a capital dos Camarões é muito menor que a de Angola. Os serviços públicos e as representações diplomáticas estão principalmente concentrados na capital. É por isso que Yaoundé desfruta de um padrão de vida e segurança mais elevados do que o resto dos Camarões. É também um ponto central de transferência de mercadorias como café, cacau, tabaco e borracha.
Foto: Dirke Köpp
3. Dar es Salaam, Tanzânia
A população da capital comercial da Tanzânia aumentou mais de seis vezes desde 1978. Dar es Salaam, com mais de seis milhões de habitantes, é a maior cidade da África Oriental e um importante centro económico e comercial para a região. De 2000 a 2018, a população cresceu 166%.
Foto: DW/E. Boniphace
4. Kumasi, Gana
A população da cidade ganesa de Kumasi aumentou onze vezes para três milhões entre 1970 e 2017. Ultrapassou o número de pessoas que vivem na capital, Accra, em 2014 para se tornar a maior cidade do país. A população do Gana está a crescer de forma rápida, especialmente em cidades como Kumasi. A metrópole económica atrai muitas pessoas do norte do país.
Foto: Imago Images/photothek/T. Imo
5. Kampala, Uganda
Kampala, a principal capital de Uganda, fica nas margens do Lago Vitória. A população total da região mais do que duplicou desde o início do século XXI. Muitas pessoas do interior estão a mudar-se para as cidades. Kampala tem uma das maiores taxas de crescimento em todo o mundo. Espera-se que mais de 40 milhões de pessoas vivam na cidade até 2100.
Foto: picture-alliance/AP Photo/R. Kabuubi
6. Lusaka, Zâmbia
Lusaka, o centro económico e político da Zâmbia, registou um boom demográfico nos últimos anos. O centro da cidade, nos arredores da Independence Avenue e da Cairo Road, é caracterizado por edifícios comerciais, companhias de seguros, bancos, bolsas de valores, hotéis e cadeias de "fast food" americanas. O setor industrial, os transportes e o artesanato também desempenham um papel importante..
Foto: DW/C. Chimbelu
7. Douala, Camarões
A maior cidade dos Camarões também está entre as dez cidades que mais crescem em África. Douala é o lar do maior porto da África Central, que é vital para a economia do país e toda a Comunidade Económica e Monetária da África Central. É um importante centro financeiro, industrial, comercial, cultural e de tráfego dos Camarões.
Foto: picture-alliance / maxppp
8. Mbuji-Mayi, República Democrática do Congo
Provavelmente não há outro lugar no mundo com tantos diamantes como em Mbuji-Mayi. Os comerciantes de diamantes da cidade congolesa pintam edifícios com imagens brilhantes e bonitas para atrair os mineiros. A cidade tinha apenas 30.000 habitantes em 1960. Até 2018, Mbuji-Mayi deverá ter 2,3 milhões de habitantes. A imigração em massa das áreas vizinhas aumentou drasticamente a população.
Foto: Imago Images/H. Hoogte
9. Antananarivo, Madagáscar
Antananarivo é a maior cidade e capital do Estado insular de Madagáscar. A maioria dos turistas entra e sai do país pelo aeroporto da capital. Apesar de um período de doenças e guerras no século XVIII, a população da cidade cresceu de forma constante. Esse crescimento populacional deve-se sobretudo à saída das pessoas do interior para a capital do país.
Foto: Imago Images/Xinhua
10. Pretória, África do Sul
Por último, mas não menos importante, no top 10 está a cidade de Pretória, uma das três capitais da África do Sul. É a capital administrativa, com reconhecimento também no campo do ensino superior e da investigação. Localizada a norte de Joanesburgo, Pretória é um importante centro comercial e industrial, onde são construídas ferrovias, carros, máquinas e aço.