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PolíticaArgélia

Argélia: Libertados mais de 30 ativistas

AFP | Lusa | cvt
20 de fevereiro de 2021

A Argélia libertou mais de 30 presos de opinião, incluindo o proeminente jornalista Khalid Drareni e o ex-candidato presidencial Rachid Nekkaz, depois de o Presidente Abdelmadjid Tebboune conceder dezenas de indultos.

Algerischer Journalist Drareni aus dem Gefängnis entlassen
Jornalisa Khalid Drareni a deixar a prisão em KoleaFoto: dpa/picture alliance

As lidertações aconteceram na sexta-feira (19.02), depois que o Presidente argelino anunciou, num discurso na quinta-feira (18.02), dezenas de indultos num gesto de apaziguamento. No mesmo pronunciamento, Abdelmadjid Tebboune anunciou ainda a dissolução do Parlamento e uma remodelação do atual Governo.

"Até agora, foram libertadas 33 pessoas. Estão em curso procedimentos para os restantes", informou o Ministério da Justiça numa declaração.

A iniciativa de Tebboune antecipa-se ao segundo aniversário do Hirak - a rebelião popular desencadeada em fevereiro de 2019 e que exige uma alteração do sistema político em vigor desde a independência em 1962 - a 22 de fevereiro.

Antes, na passada terça-feira (16.02), milhares de argelinos reuniram-se na cidade de Kherrata, para exigir "a queda do regime" e "a libertação dos prisioneiros de consciência".

Já há também apelos aos meios de comunicação social para manifestações na segunda-feira (22.02) para assinalar o segundo aniversário do Hirak.

Manifestantes voltaram às ruas em KherrataFoto: Fateh Guidoum/AP Photo/picture alliance

Jornalista Khalid Drareni libertado

Entre os indultados encontra-se o proeminente jornalista Khalid Drareni que saiu da prisão de Kolea na sexta-feira, disse o seu advogado Abdelghani Badi, acrescentando, contudo, que a sua libertação era "provisória".

Uma enorme multidão saudou Drareni, correspondente da francesa TV5 Monde e da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

Drareni foi condenado em agosto passado a três anos de prisão pela sua cobertura do Hirak. Em setembro, a sua sentença foi reduzida em um ano. Entretanto, o jornalista continua à espera que o Supremo Tribunal decida, a 25 de fevereiro, sobre o seu recurso - segundo o advogado e ativista de direitos Mostefa Bouchachi.

A ativista Dalila Touat, que estava em greve de fome na prisão desde 3 de janeiro, foi também libertada na sexta-feira.

Os Estados Unidos saudaram a libertação dos ativistas da Argélia e manifestaram o seu apoio à liberdade de expressão. "Esperamos ver passos positivos como estes continuarem", disse um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano.

O Presidente Abdelmadjid TebbouneFoto: Kamel Taibi/Starface/Imago Images

Opositor libertado     

Rachid Nekkaz, que se candidatou à Presidência da Argélia em 2019, também foi liberado na sexta-feira.

O polêmico milionário, presidente do opositor e não autorizado Movimento pela Juventude e pela Mudança havia sido detido no aeroporto de Argel em dezembro de 2019 em seu retorno da cidade espanhola de Alicante, onde havia manifestado sua intenção de processar o então chefe do Exército e homem forte do país, general Ahmed Gaïd Salah.

Levado a um tribunal da cidade de Al Beida, perto da capital, Nekkaz recebeu ordem de prisão preventiva em Al Harrach pelo suposto envolvimento em crimes de "ataque à unidade nacional" e "incitamento à revolta".

Segundo o Comité Nacional para a Libertação dos Prisioneiros (CNLD), cerca de 70 pessoas estão atualmente na prisão por causa das suas ligações com o Hirak ou outra atividade política pacífica da oposição.

O Presidente Tebboune disse que cerca de 55 a 60 membros de Hirak iriam beneficiar da amnistia.

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