27 de Maio: "É uma vitória" descoberta de vala comum
9 de maio de 2026
O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos e coordenador da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), Marcy Lopes, anunciou, esta sexta-feira (09.05), numa entrevista à Televisão Pública de Angola (TPA), que mais de 500 perfis humanos foram localizados numa vala comum no Cemitério do 14, em Luanda, no âmbito das investigações sobre os acontecimentos de 27 de Maio de 1977.
Segundo o governante, a localização da vala comum resultou de cinco anos de buscas e pesquisas com recurso a diversos equipamentos tecnológicos.
"Uma vitória"
Em reação, o presidente da Associação 27 de Maio, Silva Mateus, fala "em vitória" e destaca a "boa vontade" do Presidente angolano João Lourenço.
Para Silva Mateus, o resultado agora alcançado "foi uma vitória", porque a comissão "não foi [criada] de livre espontânea vontade do Presidente da República, apesar de que tudo culminou com a sua boa vontade e seu entendimento".
"Porque nós em cada maio fazíamos confusão, dissertações, passeatas e isso incomodava, e o [Presidente da República] João Lourenço, como não queria ter esse incómodo, resolveu, e bem, criar essa comissão que está a trabalhar para os casos de todos os conflitos ocorridos em Angola", referiu.
O presidente da Associação 27 de Maio explica ainda que os resultados divulgados pelo Governo resultam de um trabalho que se iniciou em fevereiro passado, realçando que a vala já existia desde 1977, mas não tinha uma localização precisa.
"Nós em 1992 e com a criação do PRD [Partido Renovador Democrático] tivemos informações da existência desta vala, foi a partir daí que colocámos lá uma campa memorial e todos os 27 de maio íamos para lá fazer a nossa homenagem", disse hoje o responsável à Lusa.
Segundo o general reformado, a vala carecia de uma localização exata, mas com a "perspicácia e paciência" da CIVICOP a vala foi encontrada.
Segundo Marcy Lopes, "os restos mortais serão encaminhados para exames laboratoriais, com vista à confirmação das identidades e ao apoio às famílias no processo de reconhecimento dos seus entes queridos".
De acordo com informações da comissão, avançadas pelo Novo Jornal, será divulgada uma lista na Unidade Central de Criminalística, em Luanda, bem como nas restantes províncias do país, para permitir aos familiares efetuar a recolha de amostras de ADN para testes de compatibilidade.