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Ataques armados atingem capital do Mali e quartéis

Redação DW África Lusa, EFE, AP, AFP
25 de abril de 2026

Independentistas da Frente de Libertação de Azawad dizem ter tomado Kidal após ataques coordenados no Mali. Exército diz que combates continuam e tenta neutralizar os atacantes.

Soldado durante os ataques em Bamako, no Malim esta manhã
Fontes de meios de comunicação locais confirmaram confrontos em Bamako e nas cidades de Kati, Gao e MoptiFoto: REUTERS

Os independentistas do norte do Mali reivindicaram hoje o controlo da estratégica cidade setentrional de Kidal, após um ataque surpresa contra várias localidades para as retirar do domínio das tropas governamentais malianas.

A Frente de Libertação de Azawad (FLA) anunciou a operação num breve comentário na conta oficial nas redes sociais, citado pela agência de notícias espanhola EFE. A FLA disse que os seus combatentes se deslocavam livremente pelo centro de Kidal.

Vídeos não verificados, que circulam em redes sociais ligadas aos independentistas, mostram elementos da frente a avançar pela cidade sem combates aparentes.

Um porta-voz da FLA afirmou nas redes sociais que as forças do movimento assumiram o controlo de várias áreas de Kidal, mas também de Gao, outra cidade no nordeste do país. Não foi possível verificar as alegações da FLA de forma independente, de acordo com as agências internacionais.

Exército maliano confirma ataques

Grupos armados lançaram hoje de madrugada uma ofensiva em várias frentes contra as forças militares do Mali em diversos quartéis da capital, Bamako, e noutros pontos do país, anunciou o exército maliano.

"Os combates continuam e pedimos à população para manter a calma e a vigilância", disse o Estado-Maior do exército maliano nas redes sociais, citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP). "As nossas forças de defesa e segurança estão atualmente a trabalhar para neutralizar os atacantes", acrescentou.

O presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, condenou os ataques armados. Num comunicado emitido pela UA e citado pela agências de notícias, Mahmoud Ali Youssouf referiu que acompanha "com profunda preocupação os ataques denunciados no Mali contra a capital, Bamako, e contra outras zonas urbanas do país".

O chefe da Comissão (secretariado) sublinhou que esses atos "colocam em risco a vida da população civil" e destacou "o firme compromisso" da UA com "a promoção da paz, da segurança, da boa governação e da estabilidade no Mali". Youssouf expressou a sua "total solidariedade com o povo do Mali, as forças de segurança e as autoridades nacionais".

O Mali, juntamente com os vizinhos Níger e Burkina Faso, tem combatido grupos armados filiados na Al-QaedaFoto: Souleymane Ag Anara/AFP

Ataques em vários locais

Fontes de meios de comunicação locais confirmaram confrontos em Bamako e nas cidades de Kati, Gao e Mopti.

Em Kati, localidade próxima da capital, situa-se a residência do líder da junta militar no poder, o general Assimi Goita. 

Um jornalista da agência norte-americana The Associated Press (AP) em Bamako ouviu disparos sustentados de armas pesadas e espingardas automáticas provenientes do Aeroporto Internacional Modibo Keita, situado a cerca de 15 quilómetros do centro da cidade. Também avistou um helicóptero a sobrevoar os bairros vizinhos. O aeroporto é adjacente a uma base aérea utilizada pela força aérea do Mali.

Um residente de Bamako que vive perto do aeroporto e pediu para não ser identificado por motivos de segurança relatou igualmente tiroteios e a presença de três helicópteros em patrulha.

Em 2024, um grupo ligado à Al-Qaeda reivindicou um ataque ao aeroporto de Bamako e a um campo de treino militar na capital, que causou dezenas de mortos.

O Mali, juntamente com os vizinhos Níger e Burkina Faso, tem combatido grupos armados filiados na Al-Qaeda e na organização Estado Islâmico, num conflito que se intensificou ao longo da última década.

Após sucessivos golpes militares, as juntas nos três países afastaram-se dos aliados ocidentais e recorreram à ajuda da Rússia para combater os militantes islâmicos.

No entanto, a situação de segurança no Mali, Níger e Burkina Faso agravou-se nos últimos tempos, segundo analistas, registando-se um número recorde de ataques. 

As forças governamentais têm sido também acusadas de matar civis sob suspeita de colaboração com grupos extremistas, acrescentou a AP.

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