Extrema-direita: Preocupações com a democracia na Alemanha
12 de novembro de 2025
O mundo digital das redes sociais é chamativo e rápido: quem se destaca é levado ao topo – Donald Trump, Elon Musk, Javier Milei – os seus milhões, foguetes espaciais e motosserras dominam as manchetes.
Como uma antítese de um mundo analógico, surge um tipo de pessoa que pouco exala aura para histórias dignas de manchetes: o centro social.
Mas, como ele constitui a espinha dorsal de toda sociedade democrática e aberta, cientistas alemães de renome investigam há quase vinte anos para a Fundação Friedrich Ebert como funciona esse centro. Como é a sua postura em relação ao extremismo de direita, à xenofobia, ao antissemitismo ou mesmo ao darwinismo social.
O estudo pretende ser um sismógrafo das condições sociais, das condições alemãs. Pretende ser uma espécie de sistema de alerta precoce para desenvolvimentos antidemocráticos e anti-humanos.
Os resultados atuais são contraditórios, mas reveladores. Nas palavras dos autores: o centro social na Alemanha está tenso.
Andreas Zick, diretor do Instituto de Investigação sobre Conflitos e Violência da Universidade de Bielefeld, chefiou uma grande equipa que entrevistou intensivamente 2000 pessoas na Alemanha.
Direita em declínio?
E, contrariamente a todas as expetativas, tendo em conta a ascensão do partido de extrema direita AfD, o extremismo de direita está em declínio: Apenas 3% dos alemães apoiam o extremismo, o que é significativamente menos do que no passado.
Uma grande parte da sociedade vê a democracia e a diversidade de forma positiva: 70% dos inquiridos afirmam que consideram ameaçador o aumento do extremismo de direita, embora, na realidade, este esteja em declínio. E mais de 50% de todos os inquiridos estão dispostos a manifestarem-se contra o extremismo de direita.
Zick e os autores do "Estudo do Centro" constatam uma área cinzenta crescente no que diz respeito à atitude dos alemães em relação a posições extremistas.
"Quando observamos onde as pessoas se situam nessa zona cinzenta e comparamos isso com outras atitudes antidemocráticas, por exemplo, no racismo e no sexismo, vemos que essas pessoas tendem mais a rejeitar a democracia do que a defendê-la", constata.
E prossegue: "Ou seja, a maior parte das pessoas nessa zona cinzenta tenderia, em caso de dúvida, a assumir atitudes antidemocráticas se fossem forçadas a isso. E é por isso que elas são mais suscetíveis à tentação do populismo e do extremismo".
Andreas Zick alerta ainda para o facto de a confiança das pessoas nas instituições e nos princípios democráticos está a diminuir drasticamente.
Tendência para o autoritarismo
Os investigadores não veem motivos para alarmismo. No entanto, alguns desenvolvimentos são realmente alarmantes: O extremismo de direita é significativamente mais comum entre os jovens, como explica Nico Mokros, coeditor do "Estudo do Centro" e especialista em pesquisas sobre atitudes extremistas entre os jovens.
"Vemos realmente que são adotados elementos decididamente extremistas da ideologia nazista: na defesa da ditadura ou no antissemitismo, no chauvinismo nacional, ou seja, nesse desejo de um forte sentimento nacional. Isso é algo que atrai muito os jovens e pelo qual eles são muito receptivos", diz.
Para Mokros, é particularmente notável que, na faixa etária mais jovem, pareça haver uma grande tendência para o autoritarismo, ou seja, o desejo de uma personalidade forte que decida por todos. Ao mesmo tempo, os jovens estão insatisfeitos com o facto de outros decidirem por eles.
"E essa agressividade expressa-se frequentemente no fato de que, principalmente os jovens, por exemplo, menosprezam as minorias", afirma.
Os autores do estudo têm uma mensagem central: A postura da classe média deve ser representada de forma muito mais forte no discurso público.