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Ativista angolano Osvaldo Caholo em greve de fome na cadeia

José Adalberto em Luanda
4 de agosto de 2025

O ativista Osvaldo Kaholo, detido por suspeita de rebelião e apologia ao crime após organizar protestos contra o aumento dos combustíveis, está em greve de fome há mais de uma semana. Familiares temem pela sua saúde.

Ativista angolano Osvaldo Kaholo
Ativista Osvaldo Kaholo está detido desde 19 de julho por "incitação à violência"Foto: Braima Darame/DW

Em declarações à DW África, Bruno Xingui, um dos advogados de Osvaldo Kaholo, fez saber que o ativista decidiu entrar em greve de fome em protesto pela forma como tem sido tratado no processo que o conduziu à cadeia.

"Está em greve de fome, recusa-se alimentar-se das refeições que lhe são entregues por entender tratar-se de uma prisão política", diz Xingui.

Para o advogado, a greve de fome de Osvaldo Kaholo é legítima, tendo em conta as irregularidades que estiveram na base da sua detenção.

"Nós, como advogados, e alguns outros colegas que também acompanham este cenário, comungamos da mesma ideia de que a detenção foi arbitrária e ilegal", sublinha.

Polícia angolana impediu o alastramento dos protestos contra a subida do preço dos combustíveisFoto: Julio Pacheco Ntela/AFP

Medo de envenenamento

De acordo com Elsa Kaholoa, irmã do ativista, Osvaldo Kaholo recusa-se a fazer refeições dentro do estabelecimento prisional com receio de envenenamento, por entender que a sua detenção teve motivações políticas.

"Ele exige que a comida lhe seja entregue pela família, sem passar pelos serviços prisionais, com receio de ser envenenado", conta.

Osvaldo Kaholo ja foi ouvido por um juiz, que manteve a medida de coação mais gravosa ao arguido.

O advogado Bruno Xingui acha excessiva a medida coação aplicada, "porque não há aí continuidade de nenhum crime, não há necessidade de se obstruir qualquer tipo de provas".

Perante este cenário, a mãe de Osvaldo Kaholo, Isabel Correia, diz não ter dúvidas de que o filho é uma vítima: "Essa cadeia é uma cadeia política. Ele deveria responder em liberdade, mas não o deixam porque constitui uma ameaça ao país", acusa.

Tentámos ouvir ouvir os Serviços Prisionais sobre o assunto, mas não foi possível obter uma reação.

O nome de Osvaldo Kaholo ganhou destaque em Angola, no caso 15+2, em 2015, quando juntamente com outros ativistas foi acusado de tentativa de golpe de Estado por contestar o Governo do então Presidente José Eduardo dos Santos. Kaholo foi igualmente detido na ocasião.

Osvaldo Kaholo sonha ser Presidente de Angola

03:06

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