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Ativistas a soldo? Denúncias de oportunismo em Angola

7 de julho de 2026

Aumentam relatos de ativistas que se aproveitam da sua posição para beneficiar de benesses do Governo angolano, partidos e outras instituições. Analistas alertam que práticas podem fragilizar credibilidade do ativismo.

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Com a Primavera Árabe no norte de África, Angola começou a registar o surgimento exponencial de ativistas em todo o país Foto: Julio Pacheco Ntela/AFP

O investigador angolano Claúdio Fortuna explica que os relatos de benesses no ativismo em Angola não são novos e que os casos tornam-se mais frequentes em períodos eleitorais. 

E quem corrompe os ativistas angolanos? "Não é só o partido da situação. Os partidos da oposição também usam esses ativistas para servir de campos de cobaia para fazer passar a sua voz na lógica de uma certa legitimidade popular", responde o académico.

"Se a sociedade descredibilizar os ativistas com este tipo de discurso, teriam meio caminho andado para fragilizar a causa que é a luta para um país mais justo e mais igualitário", acrescenta.

Também o cientista político Eurico Gonçalves considera que o exercício cívico deve ser feito por cidadãos idóneos. "O ativista responsável vive da independência moral da transparência e da confiança dos cidadãos", diz.

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Código de ética e prestação de contas

O que deve ser feito para que os cidadãos tenham confiança nos ativistas? Claúdio Fortuna sugere que "a sociedade deve estar madura, denunciar e desacreditar esse tipo de práticas viabilizadas por estas pessoas."

Eurico Gonçalves aponta a observância de princípios e regras para se evitar o oportunismo no ativismo angolano: "A solução passa por código de ética, prestação de contas, educação cívica e cultura de integridade".

João Malavidele, da ONG OMUNGA, apela à reflexão: "Isso leva-me a convidar todos os ativistas e a sociedade em geral a refletirem sobre os conceitos e princípios que devem guiar atuação de um ativista sua qual for a sua área de atuação."

Com a Primavera Árabe no norte de África, Angola começou a registar o surgimento exponencial de ativistas em todo o país em protestos contra a governação do antigo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

João Malavindele descreve qual deve ser o perfil de um defensor dos direitos humanos: "Um ativista que faz do ativismo para se auto-servir põe em causa a sua dignidade e coloca em risco a sua causa. A defesa do bem-comum deve ser itinerária de quem se firma como ativista", conclui.

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