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Angola: Ativistas manterão local da marcha pelas mulheres

9 de janeiro de 2026

Organização da marcha contra abuso sexual de meninas e mulheres marcada para sábado, em Luanda, disse hoje que vai manter o local da concentração, mas pondera negociar o local onde termina, negando afrontas.

Angola, Luanda, 2025 | Forças de segurança durante protestos contra o aumento dos custos de combustível e transporte
Governo de Luanda propôs alterar o percurso da marcha invocando questões de segurança (foto de aquivo)Foto: Julio Pacheco Ntela/AFP

A organização da marcha recusou a proposta do Governo de Luanda, que autorizou o evento, mas propôs que os manifestantes se concentrem no Cemitério da Santa Ana e marchem até ao Largo das Escolas, uma proposta rejeitada pelos organizadores.

A ativistaRosa Conde garantiu que vão manter o itinerário inicial - concentração Largo do São Paulo e término no Largo das Heroínas - recusando qualquer afronta às autoridades administrativas, mas ponderando negociar, com a polícia, o local final da marcha contra abuso sexual de meninas e mulheres.

"[As autoridades] querem que nos concentremos na Santa Ana e marchemos até ao Largo das Escolas, mas isto não será possível porque a concentração não se pode alterar. Podemos tentar negociar o local do término da marcha, mas o local da concentração não vamos negociar", afirmou a ativista.

Rosa Conde, uma das promotoras da marcha que foi remarcada para sábado, após cancelamento da primeira tentativa há uma semana por impedimento das autoridades, negou que a posição dos organizadores seja uma afronta às autoridades.

A ativista fez saber que a organização vai se reunir hoje com o Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional para abordara segurança dos manifestantes, garantindo que neste encontro será reafirmada a manutenção do percurso inicial.

A ativista Rosa Conde garantiu que os manifestantes vão manter o itinerário inicial (foto de arquivo) Foto: Sandra Quiala/DW

"Não estamos para confrontar ninguém"

"Nós não estamos aqui para confrontar com ninguém, vamos reunir-nos [com a polícia] e vamos deixar o nosso ponto de vista: podemos tentar parar até às Torres da Dipanda ou largo do Soweto - a quase mil metros do Largo das Heroínas - o resto é conversa", referiu.

A responsável insistiu que a sociedade "está indignada" e quer apenas marchar para repudiar os crimes deabusos recorrentes em Angola,"que infelizmente estão a ser banalizados [pelas autoridades]": "É apenas isso que queremos e mais nada".

"Se eles vão ter isso como uma afronta, o problema é deles, queremos apenas marchar", rematou.

O Governo de Luanda autorizou a realização de uma marcha contra o abuso sexual de mulheres e crianças, marcada para sábado, mas propôs alterar o percurso, invocando questões de segurança.

Na resposta enviada às entidades organizadoras, o Governo Provincial de Luanda indica que "não há qualquer objeção" à realização da marcha, prevista para começar às 13:00, mas propõe que o trajeto tenha início no cemitério de Santa Ana e termine no Largo das Escolas, em vez do percurso inicialmente comunicado entre o Largo de São Paulo e o Largo das Heroínas.

A marcha contra a violência sexual face a menores e mulheres em Angola, surge na sequência do caso Belma, uma jovem de 15 anos vítima de agressões e abuso sexual,que gerou forte indignação pública e apelos a respostas mais eficazes das autoridades. 

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