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Ativistas denunciam repressão de protesto em Luanda

11 de novembro de 2025

À margem das cerimónias oficiais dos 50 anos de independência, um grupo de jovens quis protestar nas ruas de Luanda contra a pobreza e a governação do MPLA. A polícia reprimiu a manifestação, relataram os ativistas à DW.

Polícia em Luanda
Foto de arquivoFoto: Borralho Ndomba/DW

Um grupo de jovens angolanos de um autodenominado "movimento revolucionário" tentou hoje realizar uma manifestação contra o desemprego, a fome e os aumentos do preço da cesta básica.

Para estes jovens, 50 anos de independência equivalem a 50 anos de "má governação e incompetência do partido no poder, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Por isso, foram para as ruas, partindo do cemitério de Sant'Ana em direção às imediações do palácio presidencial. Mas o protesto foi reprimido pela polícia, segundo relataram os jovens em entrevista à DW.

"A polícia não nos deixa sair às ruas. Todos os serviços foram acionados para impedir a manifestação", disse um dos organizadores, Jeremias José, conhecido pela alcunha "Revú 11".

50 anos depois: Jovem quer independência económica de Angola

02:15

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Contactada pela DW, a polícia não se quis pronunciar sobre o assunto. Os jovens prometem voltar a protestar já na sexta-feira, contra os gastos milionários para a realização do jogo amistoso entre as seleções de futebol de Angola e da Argentina.

DW África: Porque foram hoje para as ruas de Luanda protestar, no dia em que o país celebra 50 anos de independência?

Jeremias José (JJ): Estamos a protestar contra 50 anos de má governação e incompetência do MPLA. São 50 anos de miséria.

DW África: Como decorreu esta manifestação que se supõe pacífica? Houve repressão por parte da polícia?

JJ: A polícia apareceu e houve disparos. A polícia não nos deixa sair às ruas. Todos os serviços foram acionados para impedir a manifestação. Há participantes feridos. Ontem foram detidas três pessoas, hoje já temos quatro detidos.

DW África: Neste dia 11 de novembro, dia de feriado nacional em Angola, com muitas delegações do estrangeiro no país, a polícia reprimiu manifestantes que estão a fazer uma manifestação pacífica?

JJ: Sim. Nesta data não seria bom, por parte da polícia, sair com armas, porque é o Dia da Independência e temos visitas de várias delegações internacionais – que só passam por uma única via e não conseguem ver Angola real. Esta não é a Angola de que precisamos, a Angola com que nós sonhamos. Estamos a ser reprimidos. Já houve várias manifestações que foram reprimidas, mas dessa vez há força demais.

Angola celebra hoje 50 anos de independênciaFoto: Julio Pacheco Ntela/AFP/Getty Images

DW África: Foram usadas balas reais ou apenas balas de borracha e gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes?

JJ: Foi usado gás lacrimogéneo e foram usadas balas reais. Primeiro, foram disparadas para o ar, mas depois houve carros danificados. Dois pneus de carros da polícia foram furados com balas reais – não fomos nós, embora depois provavelmente queiram inverter a história, acusando os manifestantes de fazer isso, como tem sido o hábito.

DW África: E agora a vossa luta é para continuar?

JJ: A nossa luta continua. A 14 de novembro, que é o dia do jogo Angola-Argentina, vamos sair de novo às ruas. Em qualquer sítio, em qualquer hotel onde estiver hospedada a seleção nacional da Argentina, nós vamos lá estar, do jeito que estamos a fazer hoje. Vamos continuar a nossa luta. Este país nos pertence. Essa é a luta dos nossos ancestrais, que lutaram pelo nosso país. Temos de dar a continuidade a essa luta.