1. Ir para o conteúdo
  2. Ir para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
ConflitosEtiópia

Aumentam os receios de nova escalada militar em Tigray

Amós Fernando com Reuters, DW
18 de fevereiro de 2026

O norte da Etiópia poderá enfrentar uma nova escalada militar. Tropas federais e forças do Tigray movimentam‑se junto à fronteira interna, aumentando receios de retorno ao conflito que devastou o país entre 2020 e 2022.

 Forças de Defesa de Tigray na região de Afar
Forças de Defesa do Tigray também avançam para as zonas fronteiriças (arquivo)Foto: Private

Segundo agências internacionais, várias fontes diplomáticas confirmam que o exército federal etíope está a posicionar unidades em diversos pontos próximos da região do Tigray. Do outro lado, as Forças de Defesa do Tigray também avançam para as zonas fronteiriças.

Analistas alertam que esta movimentação militar é invulgar e pode anunciar uma nova escalada. Amdom Gebreselassie, presidente da Arena Tigray para a Democracia e Soberania, em Mekelle, confirmou à DW que o ambiente é tenso e que "a Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF) está militarmente ativa na região."

"As forças Shabia da Frente Popular de Libertação da Eritreia (EPLF) estão a infiltrar pessoal de inteligência em várias áreas; há muitos indivíduos uniformizados no terreno. As forças de defesa federais também estão estacionadas ali. Muitos estão totalmente mobilizados. Há risco de guerra e teme‑se o reinício do conflito", conclui Gebreselassie.

Entre 2020 e 2022, a região foi palco de uma guerra envolvendo tropas federais, milícias aliadas e o exército da Eritreia, causando centenas de milhares de mortos, segundo estimativas da União Africana (UA).

Apesar da assinatura de um acordo político, este nunca foi plenamente implementado e, em janeiro, novos confrontos levaram à suspensão temporária dos voos para a região.

Tigray: Reencontro emocionante das famílias

01:55

This browser does not support the video element.

"Fantasma" do conflito continua presente

Mustafa Abdu, especialista jurídico e analista político em Mekelle, recorda em entrevista à DW que os "fantasmas” do conflito continuam presentes em Tigray. "O povo de Tigray vive uma situação desesperada. A guerra atingiu-o profundamente, ainda não superou a dor. O facto de o conflito ter terminado com o Acordo de Pretória e agora estar prestes a recomeçar é desanimador. A situação em Tigray é extremamente difícil", relata.

Face ao risco elevado de um regresso à guerra no norte da Etiópia, multiplicam‑se os apelos à comunidade internacional para pressionar por um diálogo imediato.

Amdom Gebreselassie reforça que o povo de Tigray não quer um novo conflito, "quer paz, mas as forças armadas chegaram a um ponto em que estão preparadas para uma guerra que ultrapassa as suas capacidades."

O dirigente acrescenta ainda que a Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF), a Shabia e a FANO, a milícia etnonacionalista da Amhara, anunciaram recentemente uma aliança militar para defender Tigray.

As relações entre a Etiópia e a Eritreia também se deterioraram. Adis Abeba acusa Asmara de fornecer armas a grupos armados do Tigray, algo que o Governo eritreu nega.

Na semana passada, o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, apelou a medidas urgentes para evitar um novo conflito. Mustafa Abdu sublinha que a guerra ainda pode ser evitada, desde que o Acordo de Paz de Pretória seja plenamente respeitado.

Etiópia: Violações usadas como arma no conflito do Tigray

02:44

This browser does not support the video element.