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Bissau: Ato "inaceitável" contra UE pode "minar relações"

9 de fevereiro de 2026

Agentes encapuzados e armados expulsaram o embaixador da União Europeia da Casa dos Direitos, em Bissau. Episódio pode agravar as tensões diplomáticas.

Bandeira da União Europeia
Incidente com embaixador da União Europeia em Bissau ocorreu no sábado, 07 de fevereiroFoto: Michael Bihlmayer/CHROMORANGE/picture alliance

O embaixador da União Europeia (UE) na Guiné-Bissau, Federico Bianchi, foi expulso no sábado (07.02) da Casa dos Direitos por um contingente da Polícia de Intervenção Rápida. A denúncia foi feita pelo consórcio de organizações da sociedade civil que, em comunicado, explicou ainda que tudo aconteceu de forma "inesperada e inaceitável" durante uma visita do diplomata às suas instalações.

Elementos "fortemente armados e encapuzados" expulsaram o embaixador e os membros do consórcio presentes, sem "qualquer explicação ou fundamento legal". A Casa dos Direitos fala em "intimidação armada" e "desrespeito grave" para com a UE.

Em entrevista à DW, o analista político Santos Nuno Mustas sublinha que o incidente pode manchar as relações diplomáticas entre a Guiné-Bissau e a União Europeia.

A DW contactou a Delegação da União Europeia na Guiné-Bissau, mas não foi possível obter uma reação à expulsão do embaixador no sábado. Até agora, o governo de transição na Guiné-Bissau também não se pronunciou sobre o assunto. As autoridades de transição já mandaram fechar a Casa dos Direitos, pelo menos, três vezes, desde o golpe de Estado de novembro.

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DW África: Como interpreta esta expulsão do embaixador da União Europeia da Casa dos Direitos?

Santos Nuno Mustas (SNM): Esta é uma situação muito difícil de interpretar, do ponto de vista da atuação das autoridades guineenses. Mas é algo que pode pôr em causa a boa relação entre o Estado da Guiné-Bissau e a União Europeia, porque estamos a falar da representação da União Europeia ao mais alto nível.

Agora, nós estamos a falar de um regime que está disposto a usar todos os meios para contrariar as vozes que têm defendido um Estado de Direito democrático e têm sempre alertado a opinião nacional e internacional para a necessidade do país voltar ao normal funcionamento constitucional.

DW África: Pegando no que acabou de dizer, acha que este pode ter sido uma espécie de sinal ou retaliação pela condenação da União Europeia em relação à situação política na Guiné-Bissau?

SNM: Podemos considerar que o regime está a responder à posição adotada pelos diferentes órgãos da União Europeia, nomeadamente o Parlamento da União Europeia, que tem caído mal junto do atual regime. Mas é evidente que estamos a falar de um regime que não está a respeitar as regras democráticas, não está disposto a deixar o poder de uma forma mais civilizada, através do diálogo.

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O que o regime está a fazer é a responder de forma muito precipitada à atuação da comunidade internacional. Vimos não só aquilo que aconteceu com a União Europeia, mas também a situação da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] - foi da mesma forma. Mas não devia ser esse o mecanismo adotado pelo atual regime.

DW África: Isso mostra, de certa forma, um desinteresse das autoridades no poder em relação ao diálogo e à comunidade internacional? Pode fazer-se essa leitura?

SNM: Exatamente. Neste caso em concreto, em que estamos a falar de um suposto golpe de Estado em que há muita coisa ainda por esclarecer, os parceiros estratégicos da Guiné-Bissau estão interessados num diálogo político e diplomático para encontrar a solução para que o país saia da situação em que está. E isso deve também incluir a participação efetiva e a vontade própria de quem detém a autoridade neste momento. O atual regime tem de aceitar este diálogo, com propostas que incidam no interesse superior da população guineense, para o desenvolvimento do país.

DW África: A Casa dos Direitos, num comunicado, fala em intimidação à União Europeia. Qual deverá ser a resposta da UE diante do que aconteceu?

SNM: Eu acredito que a União Europeia ainda vai procurar mecanismos de diálogo com os guineenses, porque estamos a falar de uma cooperação em diferentes domínios e setores. A Guiné-Bissau precisa muito da presença ativa da União Europeia na Guiné-Bissau, esta é uma organização estratégica para desenvolver cooperação em diferentes setores, incluindo no setor de pesca.

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