Bissau: Crescem os apelos ao voto e ao boicote ao referendo
27 de agosto de 2026
A nova Constituição guineense já está publicada no Boletim Oficial. Os cidadãos serão, no entanto, chamados, este domingo, a pronunciar-se sobre as alterações introduzidas, incluindo o reforço dos poderes do Presidente da República e a redução do número de deputados na Assembleia Nacional, de 102 para 65.
A campanha opõe dois blocos distintos: os apoiantes das mudanças validadas pelo poder de transição e grupos da oposição, que apelam ao boicote ao referendo constitucional.
Do lado dos defensores da nova Constituição tem-se destacado José Carlos Monteiro, ex-secretário de Estado da Ordem Pública durante o mandato de Umaro Sissoco Embaló e atual diretor-geral dos Serviços de Migração e Fronteiras.
"Só [com a nova Constituição] a Guiné-Bissau terá paz e ordem. Para seres deputado vais ter de suar muito", afirmou José Carlos Monteiro num vídeo publicado nas redes sociais em que explicava à população as mudanças introduzidas.
Referendo é "aberração"
Grupos da oposição e organizações da sociedade civil também têm usado as redes sociais, mas para apelar ao boicote ao referendo constitucional.
Tanto o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), como o Partido da Renovação Social (PRS), da ala de Fernando Dias da Costa, e a Convergência Nacional para a Liberdade e o Desenvolvimento da Guiné-Bissau (COLIDE-GB) posicionaram-se contra a votação.
Em comunicado conjunto, diversas organizações da sociedade civil classificaram o referendo constitucional como uma "aberração", sustentando que a convocação do escrutínio "não respeita as normas, os procedimentos e os limites estabelecidos pelo quadro jurídico aplicável". Apelaram, por isso, ao "boicote massivo e total" da votação.
O presidente de transição, o general Horta Inta-a, pediu, por sua vez, uma participação "massiva e ordeira" dos cidadãos, descrevendo o referendo de domingo como "um momento decisivo" para o futuro da Guiné-Bissau.