Bissau: Onde estão as mulheres candidatas nestas eleições?
10 de novembro de 2025
Para as legislativas de 23 de novembro, só há uma formação política dirigida por uma mulher que concorre em alguns círculos eleitorais: trata-se do Movimento Social Democrático (MSD), liderado por Joana Cobde Nhanca.
Entre os candidatos a deputado em 29 círculos eleitorais, também há poucas mulheres como cabeças de lista, nas 14 formações concorrentes. Quanto às presidenciais, nenhuma mulher se candidata, tal como aconteceu nas eleições de 2019.
O sociólogo Celestino João Insumbo aponta que a fraca presença feminina em posições de destaque na política tem a ver com uma "questão de tabu".
"[Pensa-se] que as mulheres não podem participar nos assuntos mais confidenciais do Estado. Mas isso não corresponde à realidade", comenta Insumbo em declarações à DW. "Vimos o exemplo do Senegal e de Cabo Verde, onde muitas mulheres lideraram grandes projetos e instituições."
Lei da Paridade por cumprir
Em 2018, a Assembleia Nacional Popular (ANP) aprovou a Lei da Paridade, uma legislação que prevê a participação mínima de 36% das mulheres nos lugares cimeiros e de tomada de decisões, a nível nacional. Mas sete anos depois da aprovação da lei, ainda se luta pelo cumprimento do estipulado no preceito.
"No nosso entendimento, ainda falta muito trabalho por fazer", aponta Magda Correia, coordenadora interina do Conselho das Mulheres Guineenses. "Temos também a situação da crise política cíclica, que não ajuda a mulher a afirmar-se, pois intimida a participação."
Nas últimas eleições legislativas, realizadas em 2023, dos 102 assentos que compõem o Parlamento guineense, apenas 11 mulheres foram eleitas deputadas. E no atual governo de iniciativa presidencial, composto por 37 membros, só oito são mulheres.
De quem é a culpa?
Para a coordenadora interina do Conselho das Mulheres Guineenses, "não será fácil" reverter a atual realidade "com o nível de homens e com os partidos políticos que temos."
"E ainda há falta de conhecimento e a noção da importância da participação da participação da mulher nos lugares cimeiros, por parte de partidos políticos. Tudo isso não ajuda", acrescenta.
Ouvido pela DW, o jurista Cabi Sanhá queixa-se da alegada passividade do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que, segundo ele, devia obrigar os partidos a respeitarem a Lei da Paridade ao entregarem as candidaturas.
No entanto, para Cabi Sanhá, o órgão máximo da justiça guineense não seria o único culpado: "As organizações da sociedade civil não exerceram nenhuma pressão [para o cumprimento da lei], e esta é a primeira vez, na Guiné-Bissau, em que todo o processo [eleitoral] foi organizado num total silêncio das ONG."