Cólera em Angola dispara para 952 casos e mais sete mortes
25 de janeiro de 2025
Desde o início do surto, que afeta já cinco províncias angolanas, morreram 42 pessoas. Governo apela aos cidadãos com sintomas que procurem imediatamente centro de tratamento de cólera ou unidade de saúde próxima.
O município do Cacucaco, em Luanda, é o epicentro do surto e concentra 115 dos novos casos notificadosFoto: DW/C. Vieira
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Os casos de cólera em Angola dispararam, esta sexta-feira (24.01), com 169 notificações e mais sete mortes, totalizando 952 casos e 42 óbitos desde o início do surto, agora cinco provincias, segundo dados oficiais.
De acordo com o ultimo boletim do Ministério da Saúde, dos 169 novos casos, 129 ocorreram na província de Luanda, 26 na província do Icolo e Bengo, 12 no Bengo, um no Huambo e um na Huíla, até agora sem registos.
Foram registados mais sete óbitos e estão internadas 122 pessoas.
Apelo do Governo
O ministério apela às pessoas com sintomas de diarreia líquida e vómitos que procurem imediatamente um centro de tratamento de cólera ou unidade de saúde próxima, bebam água fervida ou tratada com cinco gotas de lixívia e preparem soro caseiro (um litro de água fervida ou tratada com duas colheres de sopa de açúcar e uma colher de chá de sal).
Recentemente, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, afirmou que pretende ter o surto de cólera controlado até março, através da concretização de trabalho comunitário e promoção da saúde, abastecimento de água potável, eliminação dos focos de lixo, tratamento precoce dos casos e aquisição de vacinas.
Entidades governamentais e as Forças Armadas Angolanas montaram pequenos centros de hidratação nas áreas mais críticas, bem como centros de tratamento da cólera.
42 óbitos
Ocorreram desde o início do surto 42 óbitos, dos quais 30 na província de Luanda, de acordo com a mesma fonte. O grupo etário mais afetado pela doença é o dos 2 aos 9 anos de idade com 244 casos e 14 óbitos, seguindo-se crianças e jovens dos 10 aos 19 anos de idade com 241 casos e cinco óbitos.
A cólera é uma doença bacteriana grave, contraída através do consumo de água e alimentos contaminados. A falta de saneamento básico e as fortes chuvas têm causado surtos desta doença em Moçambique.
Foto: Romeu Silva/DW
Chuvas propiciaram a cólera
As chuvas intensas que caíram em fevereiro e março causaram enchentes. As autoridades já previam a eclosão da cólera em alguns bairros, sobretudo periféricos. Foram estas chuvas que provocaram a estagnação de águas que propiciaram a eclosão da cólera, não só na cidade de Maputo, mas também em outras cidades de Moçambique.
Foto: Romeu Silva/DW
Lama e lixo perto de casa
O lixo e a lama propiciam a eclosão da doença. Estes ambientes com resíduos acumulados geralmente estão próximos das residências.
Foto: Romeu Silva/DW
Condições de saneamento nos mercados
Nos mercados, o perigo da eclosão da cólera é visível. Na Praça dos Combatentes, popularmente conhecida por Xiqueleni, não há infraestrutura de saneamento. Esta é um dos maiores mercados informais de Maputo e, também, um dos locais mais perigosos para a eclosão da doença já que se acumula água suja nos mesmos locais onde se vendem alimentos para consumo.
Foto: Romeu Silva/DW
Alimentos vendidos em locais impróprios
Os alimentos são, muitas vezes, expostos no chão ou em locais que as pessoas podem facilmente pisar. Tal torna necessário uma boa higiente na preparação dos ingredientes, o que também é dificultado pela falta de saneamento.
Foto: Romeu Silva/DW
Águas negras em prédios
Em alguns prédios mais antigos de Maputo é comum sentir-se o cheiro nauseabundo das águas que brotam dos esgostos improvisados. Estes são locais muito propícios à propagação da doença.
Foto: Romeu Silva/DW
Sanitários públicos
Em alguns sanitários públicos é notória a falta de higiene, sobretudo em escolas e hospitais muito frequentados por cidadãos. Neste sanitário de uma escola, denotam-se esforços para manter o local limpo.
Foto: Romeu Silva/DW
Falta de água
Nos locais públicos, algumas pessoas também têm dificultado as ações das autoridades quando roubam torneiras, dificultando assim a higiene individual. Apesar do esforço em manter o local limpo, nota-se nesta imagem que as torneiras foram retiradas.
Foto: Romeu Silva/DW
Lixeira de Hulene
Há residentes nas imediações da maior lixeira do município de Maputo. Várias vezes ao dia são despejados resíduos no local. Nos arredores, veem-se residências de pessoas que convivem diariamente com esta situação.
Foto: Romeu Silva/DW
Comunidades na recolha de lixo
As comunidades nos distritos municipais de Maputo desdobram-se em ações de limpeza para evitar a propagação da cólera. Todas as manhãs é visível o transporte de resíduos sólidos para os contentores de lixo.
Foto: Romeu Silva/DW
Água canalizada
Nem todos cidadãos têm acesso a água potável na cidade de Maputo. Contudo, fontanários têm sido bastante importantes no abastecimento do população com todas as medidas de higiene respeitadas.
Foto: Romeu Silva/DW
Saneamento do meio
Valas de drenagem como esta são raras nos guetos de Maputo. Em tempos de chuva, a vala escoa água para zonas baixas. Isso evita as enchentes que provocam cólera.