Cabinda: Falta de centro oncológico deixa pacientes em risco
4 de agosto de 2026
Os custos de transporte, alojamento e alimentação fora de Cabinda pesa muito no bolso das famílias que, na maioria dos casos, já vivem com recursos limitados. Muitos abandonam o tratamento no meio do caminho. A distância geográfica também agrava o problema e os adiamentos de sessões de quimioterapia comprometem a eficácia do protocolo.
Para evitar o pior, as associações de apoio a doentes oncológicos pedem a criação de uma unidade oncológica provincial. Entre eles está Pedro Sebastião, médico e responsável do Núcleo de Oncologia em Cabinda: "Deve haver um Centro de Oncologia para acudir esses casos, porque seria uma medida de prevenção, pois com ele, encaminharíamos apenas doentes com essa patologia para o devido tratamento."
O médico aponta ainda um incoveniente: "para nos deslocarmos a Luanda temos de ir apenas de avião e quanto maior a altitude, menor é o oxigénio para o paciente”, explica.
Abandono de tratamento
Preocupa ainda as associações de apoio os pacientes que abandonam o tratamento porque não conseguem deslocar-se à capital de Angola, em busca de uma melhor assistência.
O médico Herculano Bambi sublinha que muitos casos só são descobertos quando já estão avançados. "Temos de fazer um relatório e mandar para ver se dão seguimento em Luanda. Mas infelizmente temos dificuldades depois que muitos destes pacientes retornem para dar o seguimento e certas vezes, acabamos de ficar a deriva, sem saber se nada verdade se a situação foi bem acompanhada ou não", lamenta.
Promessa vazia?
O Instituto Angolano de Controlo do Cancro admite que a infraestrutura nacional é insuficiente para número de pacientes. Em 2023, o diretor-geral do Instituto Angolano do Cancro prometeu que o país iria ganhar novos centros para controlo e tratamento oncológico em algumas províncias, com destaque para Cabinda, mas de lá para cá nada se vê.
Uma situação que é do conhecimento do secretário provincial da Saúde, Ruben Buco: "O Hospital Provincial de Cabinda conta com um núcleo oncológico, que com muito esforço, tem estado a acompanhar os pacientes de fórum oncológico."
"Para quem vive com cancro em Cabinda, a luta não é apenas contra a doença. É contra a distância, o custo e o tempo. E nesse combate, cada semana sem tratamento pesa", comenta o analista Paulo Monteiro.
"Acho que não podemos adiar essa pretensão, porque estaríamos a adiar sofrimentos de muitas famílias", conclui Monteiro.