"Ação combativa" com Ruanda permite regresso das populações
28 de agosto de 2025
O Presidente de Moçambique disse, esta quarta-feira (28.08), no Ruanda, que a "ação combativa" conjunta entre as forças nacionais e ruandesas está a causar um retorno progressivo das populações deslocadas na província de Cabo Delgado, apesar do registo de "ataques esporádicos".
"Graças a essa ação combativa regista-se um retorno progressivo da paz e estabilidade, bem como o regresso das populações deslocadas às suas zonas de origem, na província de Cabo Delgado, apesar dos ataques que continuam esporádicos", disse o Presidente de Moçambique, no final de um encontro com o Presidente ruandês, Paul Kagame.
Uma força de mais de dois mil militares do Ruanda combate, desde 2021, os grupos extremistas que operam na província de Cabo Delgado, protegendo nomeadamente a área em que a francesa TotalEnergies tem o seu empreendimento para explorar GNL, após acordo entre os dois governos.
Um relatório recente da Organização das Nações Unidas (ONU) dá conta que, pelo menos 29 pessoas morreram e outras 208 mil foram afetadas, em julho, pelos ataques de grupos extremistas em distritos de Cabo Delgado. Também um estudo divulgado em fevereiro pelo Centro de Estudos Estratégicos de África (ACSS) informa que pelo menos 349 pessoas morreram em ataques de grupos extremistas islâmicos no norte de Moçambique em 2024, um aumento de 36% face ao ano anterior.
Assinatura de memorando
Segundo Chapo, que efetua uma visita oficial ao Ruanda de dois dias, da reunião com o homólogo Paul Kagame saiu a assinatura de um memorando.
"Na sequência das conversações entre duas delegações, testemunhamos a assinatura do memorando de entendimento sobre o Estado da Força `SOFA´, um instrumento bastante importante para estatuto das forças de defesa do Ruanda em Moçambique", explicou Chapo.
Daniel Chapo convidou ainda o homólogo ruandês para uma visita a Moçambique para que o "povo moçambicano possa transmitir os agradecimentos por aquilo que o povo ruandês faz para defender o povo em Cabo Delgado".
Economia e comércio
Para além do reforço da cooperação no domínio militar, Daniel Chapo acrescentou que existe interesse em estreitar relações nas áreas de economia e comércio, afirmando a necessidade de operacionalizar os instrumentos já assinados entre dois países.
"O Presidente, [Paul] Kagame concluímos que as nossas relações atravessam um bom momento. Entretanto, notamos que há necessidade de operacionalizar os instrumentos já assinados entre os nossos dois países, bem como reforçar as relações bilaterais na vertente económica e comercial".
Por seu lado, Kagame reiterou que Moçambique e o Ruanda têm muito em comum "e para oferecer um para o outro".
"Estamos felizes que vão visitar algumas das nossas indústrias-chaves e conhecer membros do nosso setor privado. Essa é uma boa oportunidade para centralizar a nossa rede de negócios para o benefício das nossas nações", afirmou.
O Presidente garantiu ainda estar confiante que Moçambique e Ruanda estão no caminho certo, cultivando "a já excelente" parceria.