Cabo Delgado: Alegados terroristas abatidos em Macomia
tm
16 de fevereiro de 2025
Três alegados terroristas foram mortos numa operação no distrito de Macomia, Cabo Delgado. Tanzânia reafirma apoio no combate ao terrorismo.
As Forças Armadas de Defesa de Moçambique e do Ruand anunciaram, em setembro de 2024, que abateram dez terroristas (foto de arquivo)Foto: DW
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"Os terroristas entraram a disparar para dispersar a população e nisso atingiram três civis", disse em declarações à Lusa um membro da força local, constituída por antigos combatentes da luta de libertação nacional e que apoiam as autoridades no combate à insurgência, a partir de Macomia, Cabo Delgado.
Segundo relatos de fontes locais, o ataque que ocorreu no dia 08 de fevereiro, na aldeia de Litanduca, a mais de 30 quilómetros do distrito de Macomia, provocou dezenas de feridos, após supostos rebeldes terem invadido a localidade e morto pelo menos três civis.
Na sequência, a população abandonou a aldeia para a sede Macomia, confirmou ainda fonte da força local: "ninguém está na aldeia, a maioria fugiu para Macomia", disse.
Localizado ao longo da estrada nacional EN380, o distrito de Macomia está no centro de Cabo Delgado, distando 200 quilómetros da cidade de Pemba, capital provincial.
As Forças Armadas de Defesa de Moçambique e suas congéneres do Ruanda, anunciaram, em 25 de setembro, que abateram dez terroristas, num ataque que também resultou na morte de militares, nas matas do posto administrativo de Mucojo.
A Presidente da República da Tanzânia, Samia Hassan SuluhuFoto: Tanzania's Statehouse
Apoio da Tanzânia
O Chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, recebeu este sábado (15.02) garantias da continuação do apoio da Tanzânia no combate contra ataques terroristas que afetam a província de Cabo Delgado desde 2017.
As garantias foram dadas ao Presidente moçambicano após encontro com a Presidente da República da Tanzânia, Samia Hassan Suluhu, à margem da 38.ª Sessão Ordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), que decorre em Adis Abeba, capital da Etiópia.
Desde outubro de 2017, a província de Cabo Delgado, rica em gás, enfrenta uma rebelião armada com ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico.
O último grande ataque deu-se em 10 e 11 de maio de 2024, à sede distrital de Macomia, com cerca de uma centena de insurgentes a saquearem a vila, provocando vários morto e fortes combates com as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique e militares ruandeses, que apoiam Moçambique no combate aos rebeldes.
O rasto do terrorismo em Macomia teima em não desaparecer
O rasto do terrorismo em Macomia teima em não desaparecer
Foto: DW
Quarta invasão
No dia 10 de maio de 2024, um grupo de terroristas invadiu Macomia, naquela que foi a quarta vez consecutiva que aquela vila de Cabo Delgado se viu entregue aos terroristas. Permaneceram na sede distrital por cerca de dois dias. Após confrontos com as tropas moçambicanas e aliados, o grupo armado abandonou a vila. Mas a destruição permanece.
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Rasto de destruição
Ao abandonarem o local, os terroristas deixaram edifícios públicos como registo civil, a direção de infraestruturas e a secretaria distrital completamente vandalizados. Alguns desses locais continuam de porta fechadas. O comércio vai reabrindo a conta-gotas e a medo.
Foto: DW
Agências humanitárias não escaparam
Também os escritórios e infraestruturas que albergam organizações humanitárias como a Médicos Sem Fronteiras, Cruz Vermelha, entre outras, foram arrasados pelos terroristas. Desses locais, foram subtraídos medicamentos, viaturas e outros bens.
Foto: DW
Reconstrução é urgente
Autoridades governamentais de Cabo Delgado visitaram Macomia no início de junho para avaliar os danos causados pela presença terrorista. Apesar de admitirem que é uma "prioridade repor aquelas infraestruturas para gradualmente os funcionários prestarem os serviços necessários à população", os serviços continuam a funcionar a meio-gás.
Foto: DW
Paz e medo entre os habitantes
A vila tenta regressar à normalidade, mas o clima ainda é de medo. Os residentes reativaram as atividades de autossuficiência, mas não escondem o receio de um novo ataque, preocupação que paira a todo o instante.
Foto: DW
Chitunda, em Muidumbe, sem serviços públicos
Os cerca de 11 mil habitantes que tinham saído do posto administrativo de Chitunda, em Muidumbe, devido à insegurança, voltaram a casa. Mas nenhuma escola ou hospital está neste momento a funcionar, deixando milhares de crianças fora das salas de aula e os residentes sem acesso a cuidados de saúde.
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Governo promete reabrir escolas e hospitais
Para aceder a cuidados de saúde, a população da aldeia de Miangaleua, no posto administrativo de Chitunda, em Muidumbe, recorre ao distrito de Macomia. Mas o governo local garante que em breve os centros de saúde e as escolas na região voltarão a funcionar.
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Chuvas intensas agravaram a fome
A população de Miangaleua, em Muidumbe, que regressa paulatinamente a casa está a dedicar-se à produção agrícola. Porém, as chuvas intensas que caíram entre finais de 2023 e princípios deste ano arrastaram vários hectares de campos agrícolas junto ao rio Messalo. A produção de arroz e de outras culturas perdeu-se, aumentando a fome na região.
Foto: DW
Autoridades exortam população a produzir comida
O governo local ofereceu sementes de milho e feijões, enxadas, catanas e outros materiais de produção para que os camponeses voltem a semear.
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Corrente elétrica em falta
Os habitantes expressam também o desejo de ver restabelecida a corrente elétrica em Macomia, uma vez que as instalações elétricas também foram afetadas pelos ataques terroristas dos últimos anos. Pequenos painéis solares garantem serviços mínimos, mas não permitem a conservação do peixe que é retirado do rio, por exemplo.
Foto: DW
Mais segurança
Os residentes da aldeia de Miangaleua, em Muidumbe, pedem o reforço da presença das Forças de Defesa e Segurança, para que nunca mais tenham de fugir das próprias terras devido ao terrorismo. Mas a ajuda tarda em chegar.