Cabo Delgado: Mais de 30 terroristas e dois soldados mortos
1 de dezembro de 2022
Mais de 30 terroristas e dois soldados morreram durante um confronto no norte de Moçambique, na província de Cabo Delgado. Os militares pertenciam às forças do SAMIM.
Foto: DW
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De acordo com um comunicado divulgado na quarta-feira (30.11) pela Comunidade de Desenvolvimento da África (SADC), 30 terroristas e dois soldados morreram durante uma operação da missão da SADC em Moçambique (SAMIM).
Os militares pertencentes às forças do SAMIM foram mortos por insurgentes ligados ao Estado Islâmico na terça-feira (29.11) e tinham nacionalidade da Tanzânia e do Botswana, revelou a missão.
"A SAMIM confirma que mais de trinta (30) terroristas foram mortos e um número considerável de armas, munições e equipamentos confiscados", lê-se na nota.
O combate aconteceu na terça-feira (29.11) em Nkonga, povoado do distrito de Nangade. Os dois soldados mortos foram Musa Mpondo, sargento tanzaniano, e Zikamee Kamai, praça das forças do Botsuana.
Um outro militar tanzaniano sofreu ferimentos, acrescenta a mesma nota.
A onda de ataques armados em Cabo Delgado começou em 2017Foto: DW/A. Chissale
A insurgência em Moçambique já ceifou milhares de vidas, provocou uma onda de deslocados e interrompeu projetos multibilionários de gás natural desde que teve início em 2017.
A insurgência levou a uma resposta militar desde julho de 2021 com apoio do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projetos de gás, mas surgiram novas vagas de ataques a sul da região e na vizinha província de Nampula.
O conflito já fez um milhão de deslocados, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e cerca de 4.000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.
Apesar da tendência de retorno das populações às zonas de origem, várias aldeias ainda continuam desertas e o cenário de destruição é visível nessas comunidades.
Foto: DW
Sensação de paz em Macomia
O distrito de Macomia já registou o regresso de grande parte da sua população que se havia evadido para outras zonas com a escalada da violência protagonizada pelos insurgentes, localmente conhecidos por "al-shababes". Na vila, atividades comerciais ganham terreno. Mas a população pede ainda a permanência do exército para lhes proteger. O desejo dos residentes é que a paz tenha vindo para ficar.
Foto: DW
Serviços públicos em Mocímboa da Praia
Após a recuperação do território, em agosto de 2021, as autoridades estão empenhadas no restabelecimento dos serviços públicos de modo a impulsionar o retorno da população que se refugiou em comunidades de Cabo Delgado. O Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos comprometeu-se em alocar escritórios moveis ao governo de Mocímboa da Praia para fazer face à escassez de infraestruturas.
Foto: DW
Local do massacre de Xitaxi
A 7 de abril de 2021, na aldeia de Xitaxi, no distrito de Muidumbe, os terroristas terão morto a sangue frio um grupo de 53 jovens num campo de futebol (ao fundo da imagem). Aparentemente, a causa da chacina foi a recusa desses jovens, que haviam sido raptados localmente e em aldeias já atacadas, em juntar-se ao movimento rebelde que devasta Cabo Delgado desde o ano de 2017.
Foto: DW
Forças Armadas na estrada
A estrada N380 liga o distrito de Ancuabe a Mocímboa da Praia. A via permaneceu intransitável com a escalada da violência terrorista em aldeias atravessadas pela rodovia. Com as ações terroristas enfraquecidas, a N380 voltou a ser transitável, embora de forma tímida. Veículos militares patrulham constantemente, para garantir que nenhuma situação de alteração da ordem venha a verificar-se.
Foto: DW
Destroços visíveis
Sucatas de veículos destruídos denunciam a quem por aqui passa, cenários de violência vividos na estrada principal que liga sul, centro e norte da província.
Foto: DW
Bens abandonados
Terroristas bloquearam durante um ano o acesso aos distritos no norte, com destaque para Mueda e Mocímboa da Praia, com o assalto ao posto de controlo policial no cruzamento de Awasse. Após o seu desalojamento pela força conjunta Moçambique-Ruanda, os terroristas abandonaram alguns dos seus bens, em caves que serviam de esconderijos.
Foto: DW
Ruínas
Casas abandonadas e em ruínas e zonas residenciais tomadas pelo capim são o retrato que se repete em diversas aldeias ao longo das estradas N380 e R698. Denunciam também a crueldade dos terroristas.