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Cabo Delgado: Raptos disparam com nova estratégia terrorista

29 de julho de 2026

Ataques e raptos voltam a aumentar em Cabo Delgado após perda da base de Catupa pelos terroristas. O jornalista Quinton Nicuete diz que a dispersão dos insurgentes em pequenos grupos dificulta as operações militares.

Imagem de Macomia, uma das regiões afetadas pelo terrorismo que assola Cabo Delgado, norte de Moçambique
Aumento de raptos surge depois das tropas moçambicanas e ruandesas terem desalojado os terroristas da base de Catupa, no distrito de MacomiaFoto: DW

Pelo menos 10 pessoas morreram e 72 foram raptadas em junho pelos terroristas, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, de acordo com um relatório agora divulgado pelas Nações Unidas. O documento reporta o aumento das incursões terroristas na região em junho.

Em entrevista à DW, o jornalista Quinton Nicuete explica que este aumento surge depois das tropas moçambicanas e ruandesas terem desalojado os terroristas da base de Catupa, no distrito de Macomia. Os insurgentes estão agora "dispersos em pequenos grupos", o que dificulta as operações das tropas governamentais, explica.

DW África: O que poderá estar na origem do aumento dos ataques?

Quinton Nicuete (QN): É sabido que nos últimos dias os ataques têm sido cada vez maiores, diferentemente de nos últimos meses, porque depois da recuperação da base de Catupa, os terroristas ficaram praticamente espalhados e divididos em pequenos grupos.

DW África: Quando fala da recuperação da base de Catupa está a falar da recuperação pelas tropas governamentais?

QN: Exatamente, porque estava nas mãos dos terroristas. A força conjunta do Ruanda juntamente com as nossas defesas militares - estamos a falar da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), que também apoia - conseguiram invadir a base e ir recuperando a base. Então, os terroristas espalharam-se pelo distrito de Ancuabe e Muidumbe, em Quissanga, outro grupo em Metuge, e agora estamos a falar do distrito de Montepuez, entre Montepuez e Mueda.

População reage a provável saída do Ruanda de Cabo Delgado

01:46

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DW África: Então, os terroristas estão subdivididos em pequenos grupos?

QN: Exatamente, estão divididos em pequenos grupos. E isso também chega a baralhar as forças de segurança, porque em algum momento podem pensar que estão aqui e estão a vir para outro ponto. Isso pode complicar também cada vez mais e criar mais deslocações, obrigando as comunidades a abandonar as suas aldeias.

DW África: Uma das questões que têm sido levantadas é que também nesse período aumentou o número de raptos. Fala-se, por exemplo, de 72 pessoas que foram raptadas.

QN: Há várias formas que eles utilizam essas pessoas que raptam. Por exemplo, menores de idade que raptam para violações sexuais ou para engrossar as fileiras do grupo. Em algum momento, há pessoas que eles raptam só para as usar como transportadores de víveres que eles mesmos saqueiam nas comunidades. Por exemplo, no dia 24 de julho, houve vazamento de uma mina na aldeia de Muaja...

DW África: Essa mina está em que distrito?

QN: No distrito de Ancuabe. É uma comunidade que faz fronteira com o distrito de Meluco e o distrito de Montepuez. Raptaram oito pessoas. Dessas oito pessoas, até hoje só voltaram cinco pessoas. O seu modus operandi já não é como antigamente, porque já não se foca muito nas vítimas mortais. Não matam mais, só raptam as pessoas para engrossar [as fileiras do grupo]. Se formos a contar o número de mortes, é um número muito reduzido nos últimos dias.

DW África: O que é que pode estar por detrás deste facto de os terroristas hoje não recorrerem muito ao assassinato das comunidades?

QN: É tentar trazer um engano à população, de que estamos convosco e queremos que a religião muçulmana, ou o Estado Islâmico, se torne o Estado a nível de Moçambique. Isto pode ser uma forma de convencer a comunidade.