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SOS Cunene campanha de solidariedade com as vítimas da fome

Manuel Ribeiro4 de dezembro de 2015

Apesar da sua riqueza em petróleo, muitos angolanos passam fome. A província do Cunene tem sido a mais afetada. Um grupo de cidadãos em Luanda criou uma campanha de solidariedade para com os irmãos do sul de Angola.

"SOS Cunene" é uma campanha de solidariedade levada a cabo por um grupo de cidadãos angolanos que pretende recolher alimentos e água potável em todo o país para levar àquela região que tem sido devastada pela seca.

O mentor da campanha que tem início no sábado (05.12), Isidro Fortunato, refere que não podia estar parado. A iniciativa “surgiu através das noticias que fomos ouvindo sobre as necessidades que as populações do Cunene estavam a enfrentar devido à fome e seca. Aproveitei a página que tenho no Facebook e fui criando a campanha. Quando dei por mim a mesma já estava com vida."

Seca no sul de Angola tem sido uma constante

O Cunene é uma província no sul de Angola, com uma área superior a 87 mil km quadrados e com perto de 300 mil habitantes. A sua capital, Ondjiva, fica a 1500 km de Luanda.

A situação da seca tem sido uma constante desde 2011. A escassez de alimentos e água é tão grave que “o que se está a passar no Cunene é desumano, as pessoas estão a morrer de fome. As crianças vagueiam pelas ruas com bidões amarelos à procura de água, o gado está a morrer”, sublinha Fortunato.Em junho, a Radio Vaticano adiantava serem precisas mais de “duzentas mil toneladas de alimentos” para as populações mais vulneráveis, sobretudo as crianças.

Em novembro, numa entrevista à RTP, o embaixador itinerante Luvualu de Carvalho, criticou as noticias que dão conta que Angola é o país no mundo onde morrem mais crianças, considerando essa notícia como “descabida.”


"Niguém está a morrer de fome"

A crise alimentar por causa da seca atinge as regiões centro e sul, nomeadamente Huíla, Cunene e Namibe.

A DW África conversou com o Governador Provincial de Huíla, uma das regiões afetadas pela seca. “A província da Huíla tem sido assolada pela seca fundamentalmente nos municípios do sul onde cerca de duzentas mil pessoas estão afetadas. Mas ninguêm está a morrer de fome. Estamos a ajudar as pessoas mais vulneráveis como os velhos e as crianças com o apoio do ministério da Segurança Social. Temos em perspetiva a construção de três barragens e temos muitos centros de nutrição a nível de todos os postos médicos. Temos estado a avaliar a situação das crianças e aplicar vacinas contra a poliomielite. A tendência é para melhorar”, vaticina o Governador de Huíla, João Marcelino Typinge.

Em relação à campanha SOS Cunene, a receção dos donativos arranca no sábado, 05 de dezembro e vai até 20 de dezembro. Todas as ofertas serão, para já, centralizadas em Luanda e posteriormente transportadas para o Cunene. “Todos os finais de semana vamos trabalhar na recolha dos donativos. Na verdade a solidariedade e a união sempre existiu o que não tem existido são as iniciativas”, conclui o impulsionador da campanha, Isidro Fortunato.

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Isidro FortunatoFoto: privat
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