CAN 2025 arranca em Marrocos com Hakimi em dúvida
20 de dezembro de 2025
A Taça das Nações Africanas (CAN) arranca este fim de semana em Marrocos, com os anfitriões determinados a conquistar o troféu, mas apreensivos quanto à condição física da estrela Achraf Hakimi, num torneio encaixado num calendário já sobrecarregado.
A corrida contra o tempo do capitão marroquino para recuperar de lesão e o futuro de Mohamed Salah no Liverpool prometem dominar as manchetes desta edição da CAN, que decorre até 18 de janeiro.
Mais uma vez, a competição não acontece na data inicialmente prevista, depois de sucessivos adiamentos causados por chuvas sazonais, pandemia, conflitos e até um surto de Ébola. A introdução do Mundial de Clubes alargado obrigou a CAF a reagendar o torneio, que não pode ser jogado em junho (por causa do Mundial) nem em janeiro/fevereiro (devido ao novo formato da Liga dos Campeões).
A solução foi começar em dezembro e prolongar-se pelo Ano Novo, numa altura em que muitas ligas europeias estão paradas — exceto a Premier League, que mantém calendário cheio no Natal. Jogadores como Bryan Mbeumo (Manchester United) podem perder até seis jogos se os Camarões chegarem à final.
Marrocos surge como favorito, iniciando a competição frente às Comores, no novo Estádio Príncipe Moulay Abdellah, em Rabat, com capacidade para 69 mil pessoas. Semifinalista do Mundial 2022 e melhor seleção africana no ranking FIFA (11.º lugar), soma uma série recorde de 18 vitórias consecutivas.
Mudança histórica
No sábado, Patrice Motsepe, presidente da Confederação Africana de Futebol, anunciou uma revolução no futebol africano: a partir de 2028, a Taça das Nações Africanas será disputada de quatro em quatro anos, alinhando-se com o Europeu da UEFA. A edição de 2027, prevista para Uganda, Quénia e Tanzânia, mantém-se, mas a seguinte será antecipada para 2028, com a próxima em 2032.
Esta alteração abre espaço para a nova Liga das Nações Africanas, que arrancará em 2029 e contará com as 54 federações do continente, divididas em quatro zonas, com jogos em setembro e outubro e fase final em novembro. "Vamos ter uma competição todos os anos com os melhores jogadores africanos que atuam na Europa e no mundo", afirmou Motsepe, acompanhado pelo secretário-geral da FIFA, Mattias Grafström, que classificou a decisão como "histórica".
Hakimi contra o relógio
A pressão é enorme para um país que só venceu a CAN uma vez, em 1976. A condição física de Hakimi, eleito melhor jogador africano, pode ser decisiva. O lateral do PSG não joga desde 4 de novembro, quando saiu lesionado frente ao Bayern.
Marrocos vai exibir estádios de nível mundial, preparando-se para coorganizar o Mundial 2030 com Espanha e Portugal. Além de Rabat, haverá jogos em Tânger, Casablanca, Marraquexe, Agadir e Fez.
O Egito, liderado por Salah, procura um oitavo título recordista, enquanto a Costa do Marfim defende a conquista de 2024. Senegal, com Sadio Mané, é candidato forte; a Nigéria aposta em Victor Osimhen, considerado "o melhor avançado do mundo" pelo selecionador Eric Chelle. Argélia, campeã em 2019, tenta regressar às vitórias, com Riyad Mahrez e o promissor Mohamed Amoura.