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Caos no Parlamento sul-africano "mancha imagem" do país

Subry Govender | Maria João Pinto | Reuters
10 de fevereiro de 2017

É o que dizem líderes políticos e cidadãos depois do cenário de insultos, vaias e agressões que marcou o discurso sobre o estado da nação do Presidente Jacob Zuma, esta quinta-feira (09.02).

Südafrika Fäuste und Proteste vor Präsidenten-Rede
Foto: picture alliance/dpa//REUTERS POOL/AP/S. Hisham

Ainda antes de ter lugar, o discurso sobre o Estado da Nação no Parlamento sul-africano, na Cidade do Cabo, já causava polémica devido ao inédito contingente de militares destacados para proteger a Assembleia.

Grupos opositores de Zuma convocaram várias manifestações em frente ao Parlamento - a exigir a demissão do Presidente - o que levou à mobilização de cerca de 440 militares para o local. A medida levantou protestos dos partidos da oposição e da sociedade civil sul-africana. No Parlamento, o evento acabou por se tornar uma batalha campal.

Durante mais de uma hora, vaias, insultos e mesmo trocas de murros impediram o discurso do Presidente Jacob Zuma. A oposição considera que o chefe de Estado sul-africano não tem legitimidade para se dirigir à nação. O cenário caótico culminou na expulsão de quase 30 deputados pelos agentes de segurança do Parlamento.

Políticos condenam incidente

O líder do principal partido da oposição, a Aliança Democrática (AD), Mmusi Maimane, disse aos jornalistas, esta sexta-feira (10.02), que a formação política vai solicitar ao Supremo Tribunal a proibição da presença de soldados armados no Parlamento, afirmando que a medida é inconstitucional. "O discurso sobre o estado da nação deste ano vai ficar na história como uma mancha negra na nossa jovem democracia", afirma Maimane.

10.02 Caos no Parlamento sul-africano 'mancha imagem' do país - MP3-Mono

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"Ninguém acorda num país e diz 'temos um ditador'. É algo que acontece gradualmente, através de pequenas acções, o uso da força, do exército, a restrição dos média. Temos de agir já, antes que acabe a democracia", alerta.

"Aquilo que testemunhei deprimiu-me", afirma por sua vez o veterano político e líder do Partido da Liberdade Inkatha, Mangosuthu Buthelezi. O político condena "alguma da linguagem abusiva que usaram contra o Presidente”, considerando que "isso não abona a favor da África do Sul, de forma alguma”. "Não é bom para a nossa imagem, para o nosso país ou para potenciais investidores. Se eu fosse um investidor estrangeiro, iria hesitar em investir num país onde os políticos se comportam desta forma”, frisa.

No entanto, a ministro da Defesa, Nosisiwe Mapisa-Nqakula, dá o seu total apoio ao uso de agentes de segurança para expulsar do Parlamento aqueles que classifica como membros "conflituosos”. A ministra afirma que a África do Sul não é uma "república das bananas” e questiona: "Porque é que as pessoas querem prejudicar o país?"

"Podemos ter diferenças políticas, mas apesar dessas diferenças, tem de haver respeito mútuo, respeito pelos direitos dos outros. É preciso compreender que todos temos direitos humanos básicos”, considera Mapisa-Nqakula.

Jacob Zuma desvaloriza confrontos

Ouvido pela televisão estatal, SABC, Jacob Zuma afirmou que os confrontos no Parlamento não espelham uma nação dividida. "Acho que é o reflexo de algumas pessoas de alguns partidos no Parlamento", sublinhou. "A democracia não se trata de jovens zangados, trata-se de debater aquilo que temos de fazer pelo nosso país."

Sobre as acções da oposição no Parlamento, o chefe de Estado sul-africano é claro: "Não me incomodam". Ainda assim, Zuma lamenta que o Parlamento não seja usado "para falar sobre as escolhas da maioria do país”: "Acho que é uma visão errada. Aliás, acho que não há visão nenhuma."

Jacob Zuma na cerimónia de abertura do discurso sobre o estado da naçãoFoto: Getty Images/AFP/S. van Zuydam

No discurso desta quinta-feira, o Presidente Jacob Zuma destacou as medidas que têm sido tomadas para melhorar a qualidade de vida da maioria negra sul-africana, garantindo que o país está "a iniciar um novo capítulo de uma transformação sócio-económica radical."

"Temos de ir além das palavras para programas práticos. A economia ainda não está a crescer o suficiente para criar os empregos de que precisamos. Ainda há muitos sul-africanos, incluindo jovens, que não trabalham há anos", lembrou Zuma.

Zuma volta a dirigir-se ao Parlamento na próxima semana para responder a questões sobre o discurso do estado da nação. Os dois últimos discursos ficaram marcados por confrontos entre polícia e manifestantes, que acusam o Presidente sul-africano de corrupção e culpam-no pelo mau desempenho económico do país.

 

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