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PolíticaSão Tomé e Príncipe

CEN e UE destacam "votação pacífica" em São Tomé

Redação DW África com Lusa | Danilson Gomes
27 de setembro de 2026

Eleitores, comissão eleitoral e missão de observação da União Europeia destacam ambiente calmo e ordeiro da votação deste domingo. PR defende que o partido vencedor deve governar. ADI e MLSTP confiantes na vitória.

Eleições Sao Tomé
Candidatos do ADI e MLSTP confiantes na vitória. (Imagem de arquivo, 2022)Foto: Ramusel Graça/DW

Mais de 146 mil são-tomenses foram chamados a votar, este domingo (27.09), nas eleições legislativas, locais e regional de São Tomé e Príncipe, multiplicando-se apelos a uma participação que contrarie a abstenção recorde nas presidenciais de julho.

Segundo o correspondente da DW, Danilson Gomes, até ao meio da tarde, o processo decorreu "de forma calma e ordeira".

"Já votei. Por acaso, hoje está bastante calmo, não tem muita gente, está calmo, quero que toda a gente venha votar porque é um dever cívico”, disse à DW a cidadã Luzia Raposo.

Também o eleitor Gustavo Lima entende que o "processo decorreu dentro da normalidade, tudo tranquilo”.

"A mensagem que eu tenho a passar para os deputados e governos que forem eleitos é que trabalhem bem para o país e pensem no povo", acrescentou.

Num balanço inicial do dia da votação, Jeudiger Nascimento, presidente da Comissão Eleitoral Nacional, fez saber que as assembleias de voto "abriram normalmente e sem incidentes".

"A Comissão Eleitoral Nacional exorta aqueles eleitores que ainda se encontram em casa para aproveitarem o tempo e dirigirem-se às assembleias de voto e exercerem o seu direito de voto", disse.

Também a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia considera que o processo tem decorrido de forma tranquila, tendo destacado melhorias na organização e na privacidade do voto.

"As eleições têm decorrido de uma forma ordeira, tranquila, pacífica e calma. Não houve cortes registados ou assembleias que não abriram, como aconteceu nas presenciais, e nós registamos isso com muito agrado (…) Também algo que é relevante para nós é que existe uma melhoria do profissionalismo, da metodologia que nós assistimos nas assembleias de voto comparativamente às presidenciais. Por exemplo, mais privacidade no local onde as pessoas estão a executar o seu voto", disse Sérgio Humberto, chefe da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia.

"Gostaria que quem ganhasse governasse", diz PR

Também em declarações, este domingo, o Presidente da República afirmou que prefere evitar um Governo de Unidade Nacional e que gostaria que fosse formado um executivo e uma oposição escolhidos pelos eleitores nas legislativas de hoje.

 "Aceitarei os resultados da escolha dos eleitores, do povo. E, honestamente, gostaria que quem ganhasse governasse. À oposição, eu não pedirei carta branca ao poder. Mas pediria sustentabilidade", disse Carlos Vila Nova, após votar na capital da ilha de São Tomé. 

"Penso que temos um clima para criar essas condições e não entrar naquilo que realmente acabou de dizer de Governo de unidade. Não, o povo escolheu porque quer um poder e quer oposição. E vamos respeitar isso até onde nós pudermos", acrescentou o chefe de Estado.

Vila Nova notou que "o respeito pelos adversários prevaleceu" e que São Tomé e Príncipe continua a fazer "uma caminhada em democracia bastante considerável e reconhecida pelos parceiros internacionais".

Candidatos da ADI e MLSTP confiantes na vitória

Também em declarações à imprensa, após votar, o primeiro-ministro são-tomense e líder da Ação Democrática Independente (ADI) disse-se confiante na vitória nas eleições, sem descartar entendimentos para "uma base alargada de governação" e continuar a "criar as condições para o país avançar e desenvolver-se".

"O sentimento que tenho é de vitória, que a ADI vence estas eleições”, afirmou Américo Ramos, após votar numa das mesas da localidade de Maianço, no distrito de Lobata.

Também o presidente do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), o maior partido da oposição, se mostrou confiante.  Américo Barros prometeu formar um Governo que não seja composto apenas por militantes do partido.

"A partir de amanhã, depois da vitória, o primeiro contacto será com o Presidente da República. Depois de (...) definirmos a estratégia de uma maior coesão e integração de todos para o avanço do país, irei também encetar contactos com todos os órgãos de soberania, as confissões religiosas, a sociedade civil, a diáspora, de formas a montarmos um Governo que não seja apenas de elementos do MLSTP, ou seja, de militantes do MLSDP", garantiu Américo Barros.

Candidatos

A estas eleições concorrem quatro partidos com assento parlamentar: Ação Democrática Independente (ADI); Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP); a coligação Movimento Cidadão Independente/Partido de Unidade Nacional (MCI-PUN); e o Movimento Basta.

Outros três partidos sem assento parlamentar vão a votos: o Partido de Convergência Democrática (PCD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM) e o recém-criado Movimento Político Nossa Terra.

Para as legislativas estão em disputa 55 assentos da Assembleia Nacional e estão inscritos 146.929 eleitores, mais quase quatro mil eleitores em relação às eleições presidenciais de 19 de julho, quando foi reeleito Carlos Vila Nova, à primeira volta, registando-se então uma abstenção de 58,81%.

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