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PolíticaAlemanha

Merz alerta que a soberania da Ucrânia não é negociável

Richard Connor | Michaela Küfner
24 de novembro de 2025

O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse à DW que a Europa não pode apoiar alguns pontos do controverso plano dos EUA para a Ucrânia. Considerou também que o prazo de quinta-feira, definido por Trump, não é realista.

A correspondente da DW Michaela Küfner (à direita) entrevistou o chanceler alemão, Friedrich Merz, à margem da Cimeira do G20, em Joanesburgo
O chanceler alemão, Friedrich Merz, em entrevista à correspondente da DW Michaela Küfner, à margem da Cimeira do G20, em Joanesburgo, África do SulFoto: Michael Kappeler/dpa/picture alliance

No domingo (23.11), o chanceler alemão afirmou, em entrevista à DW, que a Europa enfrenta uma "ameaça profunda" à sua arquitetura de segurança, enquanto continuam em Genebra as negociações sobre um plano controverso dos EUA.

Friedrich Merz disse que a soberania da Ucrânia não deve ser sacrificada como parte de qualquer acordo, que Washington quer ver concluído até à próxima quinta-feira (27.11).

O que disse Merz sobre o plano para a Ucrânia?

Falando à DW após a cimeira do G20 em Joanesburgo, Merz afirmou que a Europa já conhecia a proposta e confirmou que tinha falado com o Presidente dos EUA, Donald Trump, antes de viajar para a África do Sul.

"Estamos a par deste plano de 28 pontos desde sexta-feira passada", disse o chanceler. "Estive ao telefone com o Presidente Trump antes de sair do país. Disse-lhe que poderíamos concordar com alguns pontos, mas com outros não e disse-lhe que estamos totalmente alinhados com a Ucrânia, que a soberania deste país não pode ser posta em causa."

Merz acrescentou que as negociações em Genebra são sérias e estão a ser conduzidas por conselheiros de segurança nacional dos EUA, da Ucrâniae da Europa. "Não sabemos qual poderá ser o resultado destas conversações", afirmou. "A soberania da Ucrânia não pode ser questionada", frisou o chanceler.

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Os aliados europeus da Ucrânia têm rejeitado o plano, que exige que Kiev ceda grandes áreas de território à Rússia e limite o tamanho das suas forças armadas, entre outras medidas.

Merz afirmou que a guerra tem desestabilizado a Europa há quase quatro anos. "Estamos a assistir a ataques graves contra a nossa infraestrutura. Estamos a assistir a ataques graves contra a nossa cibersegurança. Isto é uma ameaça profunda a toda a ordem política do continente europeu", disse. "É por isso que estamos tão empenhados.”

Avisou também que o prazo de quinta-feira imposto por Trump para o acordo é irrealista. "Penso que não é possível chegar a acordo sobre todos os 28 pontos", disse o chanceler, referindo-se ao que poderia ser alcançado no prazo estipulado.

O que disse o chanceler sobre o papel da Europa?

Merz confirmou que a Europa propõe antes um "passo mais pequeno” e que tem alguma influência sobre o que é possível.

"Estamos a tentar perceber que parte deste plano poderia ser alcançada por unanimidade entre os europeus, os americanos e a Ucrânia, por um lado, e os russos, por outro", disse. "Isto é extremamente complicado… estamos agora a tentar implementar uma etapa intermédia até quinta-feira. E sei que o Presidente Trump está realmente interessado em ter pelo menos um resultado intermédio até quinta-feira."

Friedrich Merz sublinhou que a Europa detém poder sobre elementos-chave do plano: "Os ativos russos, que estão baseados em Bruxelas, não podem ser pagos aos americanos. Isso é impensável. Por isso, se este plano se concretizar, o apoio dos europeus é definitivamente necessário.”

Merz acrescentou que Pequim também poderia ajudar a pressionar Moscovo. "A China poderia desempenhar um papel. A China poderia exercer mais pressão sobre a Rússia para acabar com esta guerra", disse.

O chanceler acrescentou que teve uma "reunião muito longa” com o primeiro-ministro chinês Li Qiang enquanto preparava uma visita de Estado no próximo ano. Disse esperar que um cessar-fogo possa ser alcançado antes dessa visita.

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