Chanceler alemão visita EUA durante tensões no Médio Oriente
3 de março de 2026
Inicialmente, a deslocação tinha outro propósito: discutir comércio e as tarifas impostas por Washington à Europa. Mas o mundo mudou repentinamente. Agora, Friedrich Merz leva para os Estados Unidos uma missão mais pesada: explicar a visão alemã, e também europeia, sobre a ofensiva dos EUA e de Israel e sobre a resposta do Irão.
No domingo (01.03), em Berlim, o chefe do governo alemão reconheceu que a Alemanha vive um "dilema". "Apoiamos os EUA e Israel. Condenamos os ataques do Irão. Mas sabemos também que os primeiros bombardeamentos levantam questões jurídicas difíceis", disse.
Mas o governo alemão compartilha "o alívio de muitos iranianos e iranianas por este regime estar agora a chegar ao fim", acrescentou Merz, referindo-se aos muitos iranianos que celebraram o possível fim do regime dos ayatolas. Lembrou ainda que, depois de décadas de negociações falhadas sobre o programa nuclear e de mísseis de Teerão, este talvez não seja o momento de "dar lições” aos aliados.
A tensão subiu ainda mais quando Alemanha, França e Reino Unido divulgaram uma declaração conjunta na qual os três países anunciaram estar preparados para adotar "medidas militares defensivas”.
Mais tarde, na segunda-feira (02.039, o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, veio esclarecer que afinal "a Alemanha não participará em novos ataques. Os nossos soldados só se defenderão caso sejam atacados."
Militares alemães estão destacados na Jordânia e no Iraque, posições agora consideradas sensíveis.
Tarifas dos EUA e Ucrânia na agenda
Outro tema no centro desta visita são as tarifas norte‑americanas. Apesar de o Supremo Tribunal ter travado parte das medidas iniciais, a administração Trump impôs novas taxas de 10% e ameaça avançar com outras que podem chegar aos 15%.
Berlim quer apresentar contrapropostas, como confirmou o porta‑voz do governo alemão, Stefan Kornelius. "Esta viagem vem no momento certo. Precisamos de falar diretamente com o Presidente e apresentar uma posição unida da União Europeia", revelou.
Em Washington, Friedrich Merz quer também recolocar a guerra na Ucrânia na agenda internacional. O seu objetivo é convencer Donald Trump de que a Europa deve regressar à mesa das negociações entre Moscovo e Kiev.
A guerra na Ucrânia continua a moldar profundamente a política europeia. E até o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, admite agora que o país poderá ter de aceitar perdas territoriais temporárias para travar os combates - uma solução que Moscovo rejeita.
Relativa tranquilidade face à Gronelândia
Quando Donald Trump ameaçou querer adquirir a Gronelândia, pertencente à Dinamarca, para os EUA, o tom mudou, inclusive por parte de Friedrich Merz.
A Alemanha e outros parceiros europeus da NATO garantiram a sua solidariedade ao membro da aliança em dificuldades, a Dinamarca, e aos gronelandeses. Como resultado, Trump decidiu não dar continuidade ao tema da Gronelândia por enquanto.