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DesastresMoçambique

Cheias: Partidarização da ajuda ou vitimização dos partidos?

28 de janeiro de 2026

Partido MDM denuncia ter sido impedido de prestar ajuda humanitária às vítimas das cheias no distrito de Búzi, Sofala. Vitimização do partido ou há partidarização da assistência? Analistas, ouvidos pela DW, dividem-se.

Destruição após inundações na província de Tete
MDM acusou as autoridades locais de Sofala, de impedirem deputados do partido de apoiar vítimas das cheiasFoto: AP Photo/picture alliance

O deputado do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), José Domingos, acusa as autoridades locais do distrito de Búzi, em Sofala, e o Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) de terem abandonado o local no momento em que o partido chegou com ajuda humanitária destinada às vítimas das cheias.

"Aqui não há cor partidária, mas eles ainda têm isso na mente. O que fazem connosco nos comícios estão a fazer aqui no centro de acomodação de pessoas que estão a sofrer. Estamos preocupados, queremos exortar, a nível nacional, a mudar-se esse comportamento quando é para ajudar o povo, porque eles não fazem e não deixam fazer", contesta.

Para o analista político Dércio Alfazema, o MDM está a assumir uma postura de vitimização. Defende que o partido deveria ter articulado previamente com as estruturas competentes antes de proceder à entrega da ajuda.

"No lugar de olhar para as vítimas eles próprios tentam vitimizar-se. Quer dizer, eles agora é são vítimas e não aquelas pessoas que foram afetadas (pelas cheias)", comenta Alfazema.

Já o analista e jornalista Alexandre Chiúre entende que o cenário registado em Búzi demonstra uma clara partidarização da ajuda às populações afetadas.

"Porque se fosse o partido no poder (FRELIMO) teriam ficado em sentido de soldado a receber o apoio e com direito a tapete vermelho. Como é um outro partido, logo, fizeram o que fizeram. Não faz sentido isso, é inadmissível."

Politização das mudanças climáticas

Situação semelhante foi também denunciada pelo ANAMOLA, partido liderado porVenâncio Mondlane. Para Dércio Alfazema, estas posições revelam uma tendência de politização das mudanças climáticas.

"Politizar mudanças climáticas, inundações e chuvas é uma aberração. Mostra que os nossos políticos infelizmente não estão preparados para fazer política de forma ativa, construtiva e em benefício do povo."

Por sua vez, Alexandre Chiúre entende que a presença organizada dos partidos junto das vítimas não configura partidarização.

"Faz parte das atividades políticas dos partidos. Usam esses momentos para aparecerem e doarem, aproximarem-se do eleitorado. Uma das acusações que tem havido é de que os partidos políticos se distanciam do povo. Quando há esses eventos todos eles aparecem, para serem vistos em como estão a trabalhar", sublinha.

Entretanto, devido às chuvas intensas que provocaram cheias em Moçambique, a Estrada Nacional Número 1 (EN1) continua intransitável.

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