Balanço preliminar das autoridades moçambicanas aponta para 19 vítimas mortais e 70 feridos desde a noite de quinta-feira na província de Sofala devido às fortes chuvas e ventos que chegam aos 170 quilómetros por hora.
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Um total de 13 vítimas mortais foram registadas na cidade da Beira, uma das maiores do país, e outras seis no distrito limítrofe de Dondo, segundo informação do governo provincial citada pelos órgãos de comunicação estatais.
As mortes foram causadas pelo desabamento de casas precárias e outras estruturas, bem como por afogamento.
Antes da chegada do ciclone Idai, formada no oceano Índico, outras 15 pessoas já tinham morrido entre os dias 6 e 13 de março durante a passagem de uma tempestade no centro e norte de Moçambique, segundo as Nações Unidas.
As casas de habitação precária que proliferam pela região são as mais danificadas, causando um número ainda indeterminado de desalojados.
Além de perder as casas, muitas famílias podem vir a ter dificuldades acrescidas em ter alimentos devido à destruição das suas hortas e campos de cultivo, alerta o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, sigla inglesa).
Há diversos postos de saúde e escolas danificados, estradas cortadas e postes de eletricidade tombados.
Equipas de socorro das autoridades moçambicanas com o apoio de diversos parceiros, incluindo ajuda internacional, estão em prontidão para avançar para o terreno logo que as condições meteorológicas melhorem, o que deve acontecer no sábado, disseram fontes de diferentes organizações à agência de notícias Lusa.
O ciclone Idai está também a afetar os países vizinhos Malawi e Zimbabué, com o Governo de Harare a registar, até ao momento, 24 vítimas mortais, 40 feridos e dezenas de desaparecidos. No Malawi, o balanço é de 56 mortos e mais de 1 milhão de pessoas afetadas.
8,8 milhões de euros para necessidades urgentes
Esta sexta-feira (15.03), a UNICEF anunciou que cerca de 600 mil pessoas foram afetadas pelas calamidades naturais em Moçambique, estimando que sejam necessários 10 milhões de dólares (8,8 milhões de euros) para responder às "necessidades mais urgentes das crianças".
"O ciclone Idai atingiu agora uma população que já estava em desespero e extremamente vulnerável. O impacto da tempestade está a multiplicar o seu sofrimento", afirmou Marcoluigi Corsi, o representante da Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Moçambique.
Das cerca de 600 mil pessoas afetadas, a UNICEF estima que 260 mil sejam crianças, estando milhares deslocadas devido ao facto de as suas casas terem sido destruídas.
Marcoluigi Corsi revelou que a situação "é séria" e que a UNICEF e os seus parceiros estão prontos para apoiar o Governo a levar "apoio urgente à população afetada, incluindo água potável, saneamento e higiene, bem como cuidados médicos."
A UNICEF está atualmente a colaborar com a agência nacional de desastres e outras agências da ONU para avaliar a dimensão do desastre, com o restabelecimento de linhas de comunicação na área inundada da região de Sofala e o acesso das equipas humanitárias às áreas de desastre a serem as maiores preocupações.
"Apesar de todos os desafios, estamos bem preparados, pois temos vários equipamentos e materiais de apoio pré-posicionados como lonas, 'kits' de higiene e pastilhas de purificação de água disponíveis no país. Estes podem ser entregues rapidamente e ajudar nos primeiros dias", referiu ainda Marcoluigi Corsi.
A UNICEF estima que necessitará de cerca 10 milhões de dólares para responder "às primeiras necessidades mais urgentes das crianças".
Mensagens de solidariedade
O Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, enviou esta sexta-feira uma mensagem de condolências e solidariedade ao Presidente de Moçambique, na sequência do ciclone.
Numa mensagem dirigida a Filipe Nyusi, o chefe de Estado cabo-verdiano afirma que tem acompanhado "com muita preocupação o desastre ambiental: "Neste momento de grande consternação, permita-me, em nome do povo de Cabo Verde e em meu nome próprio, dirigir-me a vossa excelência, às famílias das vítimas, bem como a toda a nação moçambicana, para exprimir a minha mais profunda solidariedade neste momento difícil por que atravessa o país irmão, Moçambique".
Também o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, expressou as suas condolências pelas "trágicas consequências" das calamidades naturais.
"O Presidente da República expressou, em nome do povo português e no seu próprio, sentidas condolências pelas trágicas consequências resultantes das violentas calamidades naturais que afetaram as regiões do Centro e do Norte de Moçambique", refere uma mensagem dirigida ao chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, publicada no sítio na internet da Presidência da República.
Marcelo Rebelo de Sousa enviou uma "nota de fraterna solidariedade" ao seu homólogo moçambicano, transmitindo votos de pesar às famílias das vítimas e de rápida recuperação a todos os feridos.
Ciclone Idai causa mortes e destruição
Ciclone Idai faz mais de 200 mortos em Moçambique, no Zimbabué e no Malawi. Cerca de 90% da cidade moçambicana da Beira foi destruída com a passagem do ciclone Idai, segundo a Cruz Vermelha.
Foto: picture-alliance/AP/C. Haga
Ciclone Idai faz mais de 200 mortos
A passagem do ciclone Idai afetou mais de 1,5 milhões de pessoas em Moçambique, no Zimbabué e no Malawi, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Mais de 200 pessoas morreram nos três países e milhares estão desalojadas. O levantamento do número de vítimas está por concluir, dado que há locais de difícil acesso devido à subida do nível dos rios.
Foto: picture-alliance/AP/C. Haga
Beira é a cidade mais atingida de Moçambique
Há pelo menos 84 mortos em Moçambique, segundo os últimos dados. Mas o Presidente Filipe Nyusi afirma que "tudo indica que poderemos registar mais de mil óbitos". A cidade da Beira foi a mais afetada. Os ventos e chuvas fortes deixaram a cidade parcialmente destruída, sem luz nem telecomunicações.
Foto: Getty Images/AFP/A. Barbier
Ciclone visto do espaço
Esta imagem de satélite feita pela NASA mostra a passagem do ciclone Idai pelos países africanos. "A situação é terrível, a magnitude da devastação é enorme", disse o líder da equipa de avaliação da Cruz Vermelha na Beira, Jamie LeSueur. "Enquanto o impacto físico do Idai começa a emergir, as consequências humanas ainda não estão claras", lê-se num comunicado.
Foto: NASA
Deslocados à procura de abrigo
Milhares de pessoas estão desalojadas na zona centro de Moçambique. O Presidente Filipe Nyusi, que sobrevoou a região, indicou que aldeias inteiras desapareceram nas enchentes e que há regiões totalmente incomunicáveis. "Vimos durante o voo corpos flutuando, um verdadeiro desastre humanitário de grandes proporções", assinalou o chefe de Estado.
Foto: DW/B. Chicotimba
Estrada de acesso à cidade da Beira fechada
Com as fortes chuvas, o nível dos rios subiu. Um deles, o rio Haluma, transbordou e cortou a estrada nacional 6, espinha dorsal do centro de Moçambique e única via de acesso à Beira. A cidade ficou isolada. Em entrevista à AFP, o ministro do Meio Ambiente de Moçambique, Celso Correia, afirmou que "este é o maior desastre natural ocorrido no país".
Foto: DW/A. Sebastião
Motoristas isolados na estrada
Isolados na estrada nacional 6, única via de acesso à Beira, moçambicanos aguardam até que a via seja desbloqueada. Formou-se uma longa fila de camiões e outros veículos. Os ventos fortes derrubaram postes.
Foto: DW/A. Sebastião
Noutras vias, mais destruição
A estrada número 260, que liga Chimoio a Mossurize, também não escapou à intempérie. A ponte sobre o rio Munhinga foi arrastada, isolando os dois distritos. Formaram-se enormes buracos nas rodovias, a isolar zonas de Moçambique e a dificultar o acesso às equipas de socorro.
Foto: DW/B. Chicotimba
A fúria das águas
A ponte sobre o rio Haluma, em Nhamatanda, zona central de Moçambique, ficou submersa. É mais uma zona afetada pelas cheias e pelo nível elevado dos rios. Uma camioneta que transportava dez pessoas foi arrastada ao passar pelo local. Seis pessoas morreram e quatro conseguiram salvar-se, penduradas em cima de um camião basculante.
Foto: DW/B. Chicotimba
População precisa de ajuda médica
Mais de cem salas de aulas ficaram destruídas nas regiões mais afectadas pelo ciclone e cheias nos distritos moçambicanos de Chinde, Maganja da Costa, Namacurra e Nicoadalá. Em visita à Zambézia, o Presidente Filipe Nyusi afirmou que, além de bens alimentares, a população necessita também, com prioridade, de assistência médica.
Foto: DW/M. Mueia
Ciclone Idai leva a cancelamento de voos
A passagem do fenómeno também afetou os transportes aéreos. O aeroporto da Beira ficou inoperante entre quinta-feira (14.03.) e domingo (17.03). Todos os voos domésticos foram suspensos. Dezenas de voos previstos para descolar do aeroporto internacional de Maputo, o maior de Moçambique, foram cancelados. O fecho dos aeroportos também dificultou a chegada de ajuda humanitária.
Foto: Getty Images/AFP/E. Josine
Depois de Moçambique, Zimbabué e Malawi
O ciclone Idai atingiu a Beira na quinta-feira (14.03), tendo seguido depois para oeste, em direção ao Zimbabué e ao Malawi, afetando mais milhares de pessoas, em particular nas zonas orientais da fronteira com Moçambique. Casas, escolas, empresas, hospitais e esquadras ficaram destruídas. Estradas e pontes desapareceram, o que dificulta os trabalhos de resgate.
Foto: picture-alliance/S. Jusa
Plantações devastadas pela força do ciclone
No Zimbabué, o número de mortos após a passagem do ciclone Idai chega a 82. O Presidente Emmerson Mnangagwa disse que a resposta do Governo está a ser coordenada pelo Departamento de Proteção Civil através dos comités de Proteção Civil nacional, provincial e de distrito, com o apoio de parceiros humanitários.
Foto: picture-alliance/S. Jusa
Ciclone Idai chega ao Malawi
Os distritos de Chikwawa e Nsanje, no Malawi, ficaram inundados com a passagem do ciclone Idai. Segundo o balanço mais recente do Departamento de Gestão de Riscos, no país foram registadas 56 mortes. Quase 1 milhão de pessoas foram afetadas pela passagem do ciclone. De acordo com a Federação Internacional da Cruz Vermelha, 80 mil viram as suas casas destruídas e estão sem onde se refugiar.
Foto: Getty Images/AFP/A. Gumulira
Cheias nos rios aumentam risco de doenças
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou as autoridades para a importância de se levar a cabo um levantamento dos estragos nos serviços de saúde, já que o agravamento das cheias nos próximos dias, devido à continuação de chuvas fortes, aumenta o risco do aparecimento de doenças transmissíveis pela água e pelo ar.