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Desastres

Graça Machel: "Apoio às vítimas do Idai ainda é escasso"

Lusa | EFE | tms
23 de março de 2019

Recursos para ajudar vítimas do ciclone Idai em Moçambique ainda são poucos e o número de afetados deve ultrapassar estimativas do Governo, diz a presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, Graça Machel.

Foto: Reuters/Josh Estey/Care International

O número de pessoas afetadas pelo ciclone Idai poderá ultrapassar os três milhões e os recursos necessários para a assistência humanitária são ainda muito insuficientes, referiu neste sábado (23.03) Graça Machel, presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade.

"Posso arriscar: temos muito acima de três milhões de pessoas afetadas e todo o apoio ainda é insuficiente", disse a ex-primeira-dama de Moçambique e viúva de Nelson Mandela, em conferência de imprensa, em Maputo.

"O Governo e as Nações Unidas fizeram um apelo muito por baixo", considerou, referindo que cerca de 30 milhões de dólares "servirá só para pôr a bola a rolar. Não se tinha uma avaliação completa da escala e magnitude dos problemas".

Graça MachelFoto: Ismael Miquidade

Graça Machel deixou um alerta: "o mundo que se prepare" para números maiores. "Há de ser necessário, com números mais precisos, fazer outro apelo e provavelmente um terceiro", acrescentou.

"Toda ajuda será necessária"

A presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade falava em conferência de imprensa ao lado de Henrietta Fore, diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que fez uma visita à região afetada na sexta-feira.

Henrietta Forre referiu que há muitas crianças separadas das suas famílias e vão ser necessários orfanatos e outras instituições para lhes dar apoio. Toda a ajuda vai ser necessária, frisou, em inglês.

Graça Machel considera que a prioridade deve continuar a ser o salvamento: "Imaginem o que significa estar pendurado em cima de um telhado ou árvore durante oito dias. As pessoas começam a cair de exaustão", descreveu. Ela considera que o Governo do país "trabalhou bem no alerta" para o ciclone, "embora haja quem diga que depois não se removeram as pessoas", mas realça que a dimensão do problema é avassaladora.

Residentes do distrito de Buzi, em Sofala, refugiam-se no telhado das casas Foto: Getty Images/AFP/A. Barbier

A ex-primeira-dama frisou que "vamos precisar de ajuda internacional por muito tempo", mesmo antes da fase de reconstrução. "Esta é uma emergência nunca vista na nossa história. Todos nós estamos devastados. Não temos experiência de gerir a complexidade desta emergência", acrescentou.

"Obviamente que a economia já estava sob pressão e isso significa que o Governo, de antemão, já tinha muitos poucos recursos", acrescentou, questionada pelos jornalistas.

Nesta sexta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, fez um chamado para que toda a comunidade internacional contribua com fundos para fazer frente aos estragos causados pela passagem do ciclone Idai. "É necessário um apoio internacional muito maior", advertiu o diplomata português, que pediu solidariedade ao mundo com os três países afetados – além de Moçambique, Zimbabué e Malawi.

O balanço provisório da passagem do ciclone Idai em Moçambique voltou a aumentar, subindo para 418 mortos, segundo dados fornecidos pelo Conselho de Ministros à Televisão Pública de Moçambique.

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