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Desastres

Ciclone Idai: Como serão repartidos os milhões recebidos?

8 de abril de 2019

Ajuda financeira é agora a palavra de ordem. Diariamente são anunciados milhões de euros de apoio, mas como serão canalizados as áreas afetadas não se sabe. O edil da Beira, da oposição, também espera pelo seu quinhão.

Daviz Simango, edil da cidade da Beira, centro de MoçambiqueFoto: Thomas Heilmann/KfW

Inicialmente não havia coordenação entre o Governo central e a edilidade da Beira, gerida pela segunda maior força da oposição, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), na assistência aos afetados. Cada um tocava para o seu lado, como a banda dos independentes. Vinte dias depois a DW África procurou saber o que mudou, entrevistando o edil Daviz Simango: 

DW África: O trabalho conjunto entre a edilidade da Beira e o Governo central já flui melhor neste contexto de crise?

Daviz Simango (DS): Penso que o mais seguro hoje é o facto de termos de nos unirmos e realizarmos em conjunto uma conferência de doadores que vai ter lugar nos dias 23 e 30 de maio. É um sinal de que a nossa moçambicanidade fala mais alto, e sobretudo a nossa irmandade ainda existe, penso que é um princípio bom para quem procura unir-se e estamos unidos como moçambicanos.

DW África: Concretamente, que tipo de apoio se procura junto dos doadores?

Estragos causados pelo Ciclone Idai na BeiraFoto: Médecins Sans Frontières

DS: Já fizemos um levantamento, mas estamos na segunda fase em que participam os parceiros da ONU Habitat e a UNICEF. E antes de aparecerem os holandeses, a cidade da Beira é costeira e sofreu [com o Ciclone Idai], portanto é uma grande prioridade para nós, porque se a nossa costa não for protegida dificilmente o investidor que venha para cá se sinta seguro. Há que se proteger assegurar os investimentos, os postos de trabalho e o desenvolvimento da própria sociedade e do país. Temos os problemas das estradas que precisam de um grande trabalho por causa das chuvas que alagaram as estradas, temos as infraestruturas todas que têm de ser recuperadas, queremos arrancar com a segunda fase do sistema de drenagem, garantir que a componente mudanças climáticas ligada às inundações e chuvas esteja protegida e naturalmente preparar um novo regulamento que possa permitir que a cidade resista aos ventos fortes. Precisamos de permitir que as crianças voltem a escola, as aulas já começaram e algumas escolas ainda não têm coberturas desejadas [nem] os hospitais, os edifícios municipais, as sedes dos bairros, os parques desportivos estão todos degradados... Portanto, há uma série de infraestruturas urbanas que devem ser trabalhadas para que respondam as necessidades do citadino.

DW África: Da ajuda internacional anunciada, que quinhão o Governo central vai enviar para o município da Beira? Isso já foi estimado?

DS: Ainda não e estamos ansiosos em ver, sabemos que há valores que entram ou que estão a caminho. O importante é que esperamos que na altura própria sejamos informados para fazermos uso [tendo em conta] as necessidade que temos.

DW África: Entretanto há uma outra reunião de doadores ainda este mês. Faz sentido dois encontros que visam o mesmo objetivo?

DS: O que aconteceu foi o seguinte, o município da Beira iniciou o processo de preparação da conferência dos doadores e abordou a questão e entendeu-se com os doadores, marcando a data para 24 de abril, dissemos que queríamos juntar o Governo uma vez que existem umas zonas afetadas que necessitam dessa sustentabilidade da conferência. Apresentei o problema ao Presidente da República [Filipe Nyusi] e ele concordou que podíamos fazer uma coisa conjunta, o Conselho de Ministros determinou que sim, então significa que a conferência marcada para dia 24 de abril, para dar tempo que as autoridades de outras regiões afetadas se preparem, passou para o intervalo de 23 a 30 de maio. O que quero dizer com isso é que só haverá uma única conferência dos moçambicanos das regiões afetadas.

Ciclone Idai: Como serão repartidos os milhões recebidos?

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DW África: Pouco tempo depois do Ciclone Idai o sr. Daviz Simango esteve em Maputo onde se reuniu com representantes da comunidade internacional  a procura de apoios. Qual é o resultado dessa iniciativa?

DS: O que fui fazer foi expor a realidade da Beira, fazer-lhes perceber o que aconteceu na Beira porque muitos deles tinham informações através da imprensa, mas era preciso que ouvissem em primeira mão com o titular da cidade o que lá tinha acontecido. E nesse encontro propus organizar a conferência de investimentos, concordaram afirmando que iriam participar e neste momento estão a trabalhar connosco e com o Governo para esta conferência conjunta. Portanto, o resultado do encontro que tive com os doadores é exatamente a realização desta conferência. Por outro lado, temos a equipa holandesa que já está no terreno a fazer levantamentos, temos a equipa da ONU Habitat e UNICEF que estão a trabalhar connosco. Portanto, o grande resultado é os parceiros se terem juntado a nós para fazer o levantamento para termos os dados necessários.

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