A empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) cancelou os voos domésticos de e para o norte do país, devido à aproximação do ciclone tropical Jude, que já afeta a região. Mais de 40 mil pessoas estão sem energia elétrica.
Estão cancelados todos os voos domésticos de e para Nampula, Pemba e Nacala, a partir de Maputo, informou a LAMFoto: DW/J. Beck
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"Devido à tempestade tropical Jude, que fustiga a região norte do país, e por razões de segurança operacional estão cancelados os voos domésticos de e para Nampula, Pemba e Nacala, a partir de Maputo", anunciou a LAM.
De acordo com a companhia de bandeira moçambicana, foram cancelados os voos entre Maputo e Nampula que tinham sido programados para esta segunda-feira (10.03) e os voos das rotas Maputo-Nacala e Maputo-Pemba, marcados também para hoje..
"Os passageiros afetados por estes cancelamentos serão transportados logo que o estado do tempo apresentar melhorias e favorecer a realização de voos", informou ainda a LAM.
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Nampula, Cabo Delgado e Zambézia na rota
As províncias de Nampula e Cabo Delgado, no norte de Moçambique, e Zambézia, na zona centro, estão na rota do ciclone tropical Jude, que poderá atingir o país nas primeiras horas desta segunda-feira, a partir de Nampula.
As três províncias já foram afetadas pelos ciclones Chido e Dikeledi na atual época chuvosa, entre dezembro e janeiro.
Pelo menos 40.245 pessoas estão sem energia elétrica em Nampula devido ao mau tempo causado pela aproximação do ciclone, anunciou a Eletricidade de Moçambique (EDM), alertando para dificuldades na reposição do sistema face a chuvas e ventos fortes.
A 16 de dezembro de 2024, o norte de Moçambique foi fustigado pelo ciclone Chido, que deixou um rastro de devastação. Mais de um mês depois, a reconstrução continua lenta na província de Cabo Delgado.
Foto: Delfim Anacleto/DW
Assistência às vítimas
As autoridades governamentais lideradas pelo Instituto Nacional de Gestão de Riscos de Desastres (INGD) avaliam ter prestado ajuda a 71% das vítimas do ciclone Chido. Do grupo de apoio, constam produtos alimentares e alguns materiais de construção para retirar as famílias do relento onde ficaram depois do ciclone ter destruído as suas habitações.
Foto: Delfim Anacleto/DW
Moradia improvisada
Apesar das ajudas anunciadas, um grande número de famílias continua à espera de apoio, principalmente material de construção. Maria Pedro vive no bairro de Metula, em Pemba, e improvisou uma cabana usando restos de chapas de zinco e paus que reaproveitou dos escombros. "Nos dias de chuva, toda a água termina no nosso corpo por falta de abrigo adequado. Ninguém aqui na zona recebeu apoio", diz.
Foto: Delfim Anacleto/DW
Resposta "muito lenta"
Também o presidente do Conselho Autárquico de Pemba avalia a resposta ao ciclone na capital provincial como "muito lenta". "Temos nos reinventado à nossa maneira e com os recursos próprios e temos aproximado o Governo provincial, que também tem mais desafios", diz, referindo-se a outros distritos. Para Satar Abdulgani, é urgente que se dê impulso às famílias: "Esta população não tem onde dormir."
Foto: Delfim Anacleto/DW
Solidariedade internacional
A ONU continua a apelar para a urgência de apoio dos parceiros internacionais para mitigar o sofrimento das vítimas do ciclone Chido. Paola Emerson, chefe do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários em Moçambique, aponta alimentação, sementes para cultivo e bens de necessidades básicas como itens urgentes: "Apelamos para que a solidariedade internacional continue".
Foto: Delfim Anacleto/DW
Vulnerabilidade agravada
No bairro de Mahate, em Pemba, há famílias que estão a perder os seus terrenos por causa de uma cratera que cresce a cada época chuvosa. O ciclone Chido acelerou ainda mais a erosão, destruiu casas e outras estão em risco de desabarem. A edilidade local está a sensibilizar famílias para abandonarem estas zonas de risco.
Foto: Delfim Anacleto/DW
Oferta ambulatória de cuidados de saúde
O setor da saúde foi um dos mais afetados, em Cabo Delgado, com unidades sanitárias a ficarem destruídas - dificultando o acesso da população aos cuidados de saúde. O setor está a promover brigadas móveis de saúde. Ou seja, em zonas onde o centro de saúde foi destruído, técnicos de saúde oferecem serviços de consulta, farmácia e outros cuidados.
Foto: Delfim Anacleto/DW
Aulas em "espaços temporários"
1.419 é o número de salas de aula destruídas pelo ciclone Chido nos oito distritos de Cabo Delgado atingidos. Quando se prepara o arranque do ano letivo a 31 de janeiro em curso, o setor da Educação está a construir "espaços temporários" que substituirão provisoriamente as salas de aula convencionais para acolher a lecionação de conteúdo.
Foto: Delfim Anacleto/DW
Energia reposta
A 12 de janeiro, os distritos fustigados pelo Chido voltaram a usufruir da corrente elétrica depois de duas semanas sem eletricidade. Em Mecufi, a população recorria a geradores de energia à base de combustível para carregar telemóveis e lâmpadas para iluminação. Com a passagem do ciclone, mais de 1.800 postes de média tensão e 21 postes de transformação ficaram totalmente danificados.
Foto: Delfim Anacleto/DW
Aprender para corrigir
O distrito costeiro de Mecufi foi a porta de entrada do ciclone Chido em Moçambique. Quase tudo o que havia foi derrubado. Para a reconstrução, o então Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, havia anunciado que o Governo deveria observar rigorosamente o ordenamento territorial como forma de criar resiliência a futuros eventos extremos. A reconstrução nesses moldes, entretanto, ainda não arrancou.
Foto: Delfim Anacleto/DW
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Ciclone pode afetar 341 mil pessoas
O ciclone pode afetar um total de 341 mil pessoas, segundo as previsões do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). Já foram ativados os comités operativos de emergência e que decorrem encontros entre o Governo moçambicano e parceiros para o levantamento de todos os recursos disponíveis de assistência aos afetados.
"Neste momento, existe capacidade para assistir cerca de 65 mil pessoas daquilo que tinha sido arrolado e foi anunciado no conselho técnico, mas durante o dia de hoje esses recursos podem ser dinamizados e, naturalmente, este número poderá alterar-se", disse durante uma conferência de impressa, em Maputo, o porta-voz do INGD, Paulo Tomás, citado pelo jornal Folha de Maputo.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) de Moçambique, o ciclone tropical Jude poderá causar ventos com rajadas de até 180 quilómetros por hora e chuvas fortes que poderão atingir 250 milímetros em 24 horas.
As autoridades moçambicanas alertaram também para a ocorrência de inundações urbanas. A cidade de Quelimane, capital provincial da Zambézia, "está com alto risco".