Ciclone tropical Jude: Sobe para seis número de mortos
12 de março de 2025
O número de mortos na passagem do ciclone tropical Jude em Moçambique subiu para seis, havendo ainda 20 feridos e mais de 9.000 pessoas afetadas, anunciou hoje o INGD.
Foto: Sitoi Lutxeque/DW
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Todos os seis óbitos foram registados na província de Nampula, ponto de entrada do ciclone na madrugada de segunda-feira (10.03), indica o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
O mau tempo afetou um total de 9.525 pessoas, o correspondente a 1.863 famílias, destruiu total e parcialmente 1.899 casas, além de nove unidades de saúde, quatro casas de culto e um edifício público.
Até terça-feira (11.03), o ciclone Jude tinha afetado também 17.401 alunos, 264 professores, 59 escolas e 181 salas de aula, todos os dados correspondentes às províncias de Nampula e Niassa, no Norte de Moçambique, e Zambézia, no centro do país.
O ciclone tropical Jude entrou em Moçambique através do distrito de Mossuril, em Nampula, com ventos de 140 quilómetros por hora e rajadas até 195 quilómetros por hora, disse à Lusa Manuel Francisco, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) de Moçambique.
Logo após a entrada no país, o ciclone "voltou ao estágio de tempestade tropical severa e nos próximos dois dias poderá variar entre tempestade moderada e severa", disse o meteorologista, acrescentando que o sistema poderá ainda causar chuvas intensas até 250 milímetros em 24 horas.
O INGD avançou, no domingo (09.03), que o novo ciclone pode afetar um total de 341 mil pessoas, referindo que já foram ativados os comités operativos de emergência e que decorrem encontros entre o Governo moçambicano e parceiros para o levantamento de todos os recursos disponíveis de assistência aos afetados.
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Época chuvosa
Moçambique está em plena época chuvosa, que decorre entre outubro e abril, período em que foram já registados os ciclones Chido e Dikeledi, que afetaram igualmente o norte do país.
Os ciclones atingiram Moçambique entre dezembro do ano passado e janeiro último, com maior impacto para as províncias de Cabo Delgado e Nampula, tendo afetado cerca de 736.000 pessoas e causado a destruição de infraestruturas públicas e privadas.
Eventos extremos, como ciclones e tempestades, provocaram pelo menos 1.016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
O país é considerado um dos mais severamente afetados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, mas também períodos prolongados de seca severa.
Mais de um mês após ciclone Chido: Resposta ainda é lenta
A 16 de dezembro de 2024, o norte de Moçambique foi fustigado pelo ciclone Chido, que deixou um rastro de devastação. Mais de um mês depois, a reconstrução continua lenta na província de Cabo Delgado.
Foto: Delfim Anacleto/DW
Assistência às vítimas
As autoridades governamentais lideradas pelo Instituto Nacional de Gestão de Riscos de Desastres (INGD) avaliam ter prestado ajuda a 71% das vítimas do ciclone Chido. Do grupo de apoio, constam produtos alimentares e alguns materiais de construção para retirar as famílias do relento onde ficaram depois do ciclone ter destruído as suas habitações.
Foto: Delfim Anacleto/DW
Moradia improvisada
Apesar das ajudas anunciadas, um grande número de famílias continua à espera de apoio, principalmente material de construção. Maria Pedro vive no bairro de Metula, em Pemba, e improvisou uma cabana usando restos de chapas de zinco e paus que reaproveitou dos escombros. "Nos dias de chuva, toda a água termina no nosso corpo por falta de abrigo adequado. Ninguém aqui na zona recebeu apoio", diz.
Foto: Delfim Anacleto/DW
Resposta "muito lenta"
Também o presidente do Conselho Autárquico de Pemba avalia a resposta ao ciclone na capital provincial como "muito lenta". "Temos nos reinventado à nossa maneira e com os recursos próprios e temos aproximado o Governo provincial, que também tem mais desafios", diz, referindo-se a outros distritos. Para Satar Abdulgani, é urgente que se dê impulso às famílias: "Esta população não tem onde dormir."
Foto: Delfim Anacleto/DW
Solidariedade internacional
A ONU continua a apelar para a urgência de apoio dos parceiros internacionais para mitigar o sofrimento das vítimas do ciclone Chido. Paola Emerson, chefe do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários em Moçambique, aponta alimentação, sementes para cultivo e bens de necessidades básicas como itens urgentes: "Apelamos para que a solidariedade internacional continue".
Foto: Delfim Anacleto/DW
Vulnerabilidade agravada
No bairro de Mahate, em Pemba, há famílias que estão a perder os seus terrenos por causa de uma cratera que cresce a cada época chuvosa. O ciclone Chido acelerou ainda mais a erosão, destruiu casas e outras estão em risco de desabarem. A edilidade local está a sensibilizar famílias para abandonarem estas zonas de risco.
Foto: Delfim Anacleto/DW
Oferta ambulatória de cuidados de saúde
O setor da saúde foi um dos mais afetados, em Cabo Delgado, com unidades sanitárias a ficarem destruídas - dificultando o acesso da população aos cuidados de saúde. O setor está a promover brigadas móveis de saúde. Ou seja, em zonas onde o centro de saúde foi destruído, técnicos de saúde oferecem serviços de consulta, farmácia e outros cuidados.
Foto: Delfim Anacleto/DW
Aulas em "espaços temporários"
1.419 é o número de salas de aula destruídas pelo ciclone Chido nos oito distritos de Cabo Delgado atingidos. Quando se prepara o arranque do ano letivo a 31 de janeiro em curso, o setor da Educação está a construir "espaços temporários" que substituirão provisoriamente as salas de aula convencionais para acolher a lecionação de conteúdo.
Foto: Delfim Anacleto/DW
Energia reposta
A 12 de janeiro, os distritos fustigados pelo Chido voltaram a usufruir da corrente elétrica depois de duas semanas sem eletricidade. Em Mecufi, a população recorria a geradores de energia à base de combustível para carregar telemóveis e lâmpadas para iluminação. Com a passagem do ciclone, mais de 1.800 postes de média tensão e 21 postes de transformação ficaram totalmente danificados.
Foto: Delfim Anacleto/DW
Aprender para corrigir
O distrito costeiro de Mecufi foi a porta de entrada do ciclone Chido em Moçambique. Quase tudo o que havia foi derrubado. Para a reconstrução, o então Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, havia anunciado que o Governo deveria observar rigorosamente o ordenamento territorial como forma de criar resiliência a futuros eventos extremos. A reconstrução nesses moldes, entretanto, ainda não arrancou.