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Guerra na Ucrânia: Que expetativas para a cimeira no Alasca?

cmt | com agências
15 de agosto de 2025

Ucrânia e Europa temem que, no encontro de hoje no Alasca, Trump possa ceder às exigências do Kremlin, em detrimento de Kiev. Líderes mundiais aguardam com expectativa os resultados da cimeira.

Encontro dos presidentes Trump e Putin à margem da cimeira do G20, Japão, 2019
O Presidente dos Estados Unidos reúne-se, esta sexta-feira (15.08), com o Presidente russo, numa base aérea da era da Guerra Fria, no Alasca, para discutir um possível cessar-fogo na UcrâniaFoto: Kevin Lamarque/REUTERS

Os líderes europeus manifestam preocupação face ao encontro previsto entre Donald Trump e Vladimir Putin. O Presidente dos Estados Unidos reúne-se, esta sexta-feira (15.08), com o Presidente russo, numa base aérea da era da Guerra Fria, no Alasca, para discutir um possível cessar-fogo na Ucrânia.

A reunião acontece num momento delicado, marcado pela incerteza quanto aos resultados das conversações. A Ucrânia e a Europa temem que Trump possa ceder às exigências do Kremlin, em detrimento de Kiev. Também os líderes mundiais aguardam com expectativa os resultados da cimeira.

Merz exige cessar-fogo

O chanceler alemão, Friedrich Merz, instou, esta sexta-feira, a Rússia a aceitar um cessar-fogo na guerra com a Ucrânia.

Merz afirmou que este encontro representa uma "oportunidade" para alcançar a paz, apelando a Putin para que abandone todas as condições prévias a um cessar-fogo e se disponha a reunir-se com o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Merz afirmou que este encontro representa uma "oportunidade" para alcançar a pazFoto: John Macdougall/REUTERS

"O objetivo deve ser a realização de uma cimeira em que o Presidente Zelensky também participe. Nessa cimeira, deverá ser acordado um cessar-fogo. A Ucrânia precisa de garantias de segurança sólidas. As questões territoriais só podem ser decididas com o consentimento dos próprios ucranianos", escreveu Merz numa declaração.

Roménia espera garantias sólidas

O ministro da Defesa romeno, Ionut Mosteanu afirmou que "a Roménia aguarda com interesse os resultados da discussão" sobre a paz na Ucrânia, uma conversa que, na sua opinião, "não será a última".

O ministro da Defesa salientou a importância de "alcançar uma paz duradoura e garantir que tais agressões e guerras nunca mais voltem a acontecer". Mosteanu também falou sobre a necessidade de garantir o comércio livre e seguro no Mar Negro, bem como de proteger as principais infraestruturas energéticas. Tudo isto num contexto em que, na sequência da guerra da Rússia contra a Ucrânia, "o Mar Negro se tornou um mar conturbado", afirmou.

Guerra Rússia-Ucrânia: Possibilidade de cessar-fogo é real?

05:05

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Índia disposta a apoiar esforços diplomáticos

A Índia manifestou disponibilidade para apoiar os esforços diplomáticos destinados a pôr fim à guerra na Ucrânia, incluindo a cimeira no Alasca.

Esta posição surge num contexto de crescentes tensões com Washington, depois de os Estados Unidos terem ameaçado duplicar as tarifas sobre importações indianas, de 25% para 50%, até 27 de agosto, caso Nova Deli não cesse a compra de petróleo russo, considerado uma importante fonte de financiamento da ofensiva militar de Moscovo na Ucrânia.

Em resposta, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, durante o seu discurso anual do Dia da Independência no Forte Vermelho de Nova Deli, reforçou o compromisso do seu Governo com a autossuficiência energética e o fortalecimento da defesa nacional. "A autossuficiência é a base de uma Índia desenvolvida", afirmou Modi, acrescentando que o país está determinado a defender os seus interesses "como um muro".

"Nunca fazemos planos com antecedência”

Entrentanto, no Alasca, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, disse que Moscovo vai apresentar uma "posição clara e compreensível" ao Presidente dos EUA, Donald Trump, durante a cimeira. 

Questionado sobre os comentários de Donald Trump sobre o risco de fracasso da reunião, estimado por Trump em 25%, Lavrov afirmou: "nunca fazemos planos com antecedência”.

Lavrov disse ainda que muito foi alcançado durante a recente visita do enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, a Moscovo, e que o Kremlin esperava continuar essa "conversa útil" na cimeira desta sexta-feira.

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, o Moscovo vai apresentar uma "posição clara e compreensível" ao Presidente dos EUAFoto: Russian Ministry of Foreign Affairs/Anadolu/picture alliance

"Quero ir para casa”

Os residentes de Melitopol, na parte controlada pela Rússia da região de Zaporizhzhia, na Ucrânia, manifestaram um otimismo cauteloso na quinta-feira (14.08). 

Alguns residentes esperaram que Putin e Trump cheguem a algum tipo de entendimento. "Gostaria que houvesse alguma estabilidade nas nossas vidas, para que não houvesse estas perdas humanas sem sentido", disse Alexander à Reuters.

"Só espero que tudo se resolva e pronto. Vamos esquecer todo este conflito", afirmou Anna, que anteriormente vivia em Kherson. "Quero ir para casa".

Outros residentes, no entanto, mostraram-se céticos quanto à cimeira. "É claro que vão tentar chegar a um acordo, mas os interesses da Rússia e dos Estados Unidos são completamente opostos. Por isso, é pouco provável que tenha algum efeito", disse Roman, que preferiu não divulgar o apelido. Questionado sobre a possibilidade de Putin e Trump chegarem a um acordo, acrescentou: "Não, acho que não".

Protestos em Anchorage

"Não estou contente por ver Putin aqui. Acho que isso o legitima de forma desnecessária. Ele é um criminoso de guerra. Cometeu atrocidades e a sua presença no Alasca não me deixa confortável", disse um dos manifestantesFoto: Hasan Akbas/Anadolu/picture alliance

Residentes locais manifestaram-se em apoio à Ucrânia, na quinta-feira, em Anchorage. Condenam a chegada ao Alasca do Presidente russo, acusado de crimes de guerra, e exigem o fim imediato do conflito.

"Não estou contente por ver Putin aqui. Acho que isso o legitima de forma desnecessária. Ele é um criminoso de guerra. Cometeu atrocidades e a sua presença no Alasca não me deixa confortável", disse Oleksander Luschik.

"Sinto isso no coração. É uma questão de humanidade. Não se destroem pessoas nem se cometem todas as atrocidades que Trump e Putin cometeram. Isso não se faz. Mas continuam impunes. Putin é um criminoso de guerra, e não sei como foi possível ele entrar na América nessa condição", comentou Judith.

Cimeira Trump-Putin: Tentativa de paz ou manobra política?

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