Guerra na Ucrânia: Que expetativas para a cimeira no Alasca?
15 de agosto de 2025
Os líderes europeus manifestam preocupação face ao encontro previsto entre Donald Trump e Vladimir Putin. O Presidente dos Estados Unidos reúne-se, esta sexta-feira (15.08), com o Presidente russo, numa base aérea da era da Guerra Fria, no Alasca, para discutir um possível cessar-fogo na Ucrânia.
A reunião acontece num momento delicado, marcado pela incerteza quanto aos resultados das conversações. A Ucrânia e a Europa temem que Trump possa ceder às exigências do Kremlin, em detrimento de Kiev. Também os líderes mundiais aguardam com expectativa os resultados da cimeira.
Merz exige cessar-fogo
O chanceler alemão, Friedrich Merz, instou, esta sexta-feira, a Rússia a aceitar um cessar-fogo na guerra com a Ucrânia.
Merz afirmou que este encontro representa uma "oportunidade" para alcançar a paz, apelando a Putin para que abandone todas as condições prévias a um cessar-fogo e se disponha a reunir-se com o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky.
"O objetivo deve ser a realização de uma cimeira em que o Presidente Zelensky também participe. Nessa cimeira, deverá ser acordado um cessar-fogo. A Ucrânia precisa de garantias de segurança sólidas. As questões territoriais só podem ser decididas com o consentimento dos próprios ucranianos", escreveu Merz numa declaração.
Roménia espera garantias sólidas
O ministro da Defesa romeno, Ionut Mosteanu afirmou que "a Roménia aguarda com interesse os resultados da discussão" sobre a paz na Ucrânia, uma conversa que, na sua opinião, "não será a última".
O ministro da Defesa salientou a importância de "alcançar uma paz duradoura e garantir que tais agressões e guerras nunca mais voltem a acontecer". Mosteanu também falou sobre a necessidade de garantir o comércio livre e seguro no Mar Negro, bem como de proteger as principais infraestruturas energéticas. Tudo isto num contexto em que, na sequência da guerra da Rússia contra a Ucrânia, "o Mar Negro se tornou um mar conturbado", afirmou.
Índia disposta a apoiar esforços diplomáticos
A Índia manifestou disponibilidade para apoiar os esforços diplomáticos destinados a pôr fim à guerra na Ucrânia, incluindo a cimeira no Alasca.
Esta posição surge num contexto de crescentes tensões com Washington, depois de os Estados Unidos terem ameaçado duplicar as tarifas sobre importações indianas, de 25% para 50%, até 27 de agosto, caso Nova Deli não cesse a compra de petróleo russo, considerado uma importante fonte de financiamento da ofensiva militar de Moscovo na Ucrânia.
Em resposta, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, durante o seu discurso anual do Dia da Independência no Forte Vermelho de Nova Deli, reforçou o compromisso do seu Governo com a autossuficiência energética e o fortalecimento da defesa nacional. "A autossuficiência é a base de uma Índia desenvolvida", afirmou Modi, acrescentando que o país está determinado a defender os seus interesses "como um muro".
"Nunca fazemos planos com antecedência”
Entrentanto, no Alasca, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, disse que Moscovo vai apresentar uma "posição clara e compreensível" ao Presidente dos EUA, Donald Trump, durante a cimeira.
Questionado sobre os comentários de Donald Trump sobre o risco de fracasso da reunião, estimado por Trump em 25%, Lavrov afirmou: "nunca fazemos planos com antecedência”.
Lavrov disse ainda que muito foi alcançado durante a recente visita do enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, a Moscovo, e que o Kremlin esperava continuar essa "conversa útil" na cimeira desta sexta-feira.
"Quero ir para casa”
Os residentes de Melitopol, na parte controlada pela Rússia da região de Zaporizhzhia, na Ucrânia, manifestaram um otimismo cauteloso na quinta-feira (14.08).
Alguns residentes esperaram que Putin e Trump cheguem a algum tipo de entendimento. "Gostaria que houvesse alguma estabilidade nas nossas vidas, para que não houvesse estas perdas humanas sem sentido", disse Alexander à Reuters.
"Só espero que tudo se resolva e pronto. Vamos esquecer todo este conflito", afirmou Anna, que anteriormente vivia em Kherson. "Quero ir para casa".
Outros residentes, no entanto, mostraram-se céticos quanto à cimeira. "É claro que vão tentar chegar a um acordo, mas os interesses da Rússia e dos Estados Unidos são completamente opostos. Por isso, é pouco provável que tenha algum efeito", disse Roman, que preferiu não divulgar o apelido. Questionado sobre a possibilidade de Putin e Trump chegarem a um acordo, acrescentou: "Não, acho que não".
Protestos em Anchorage
Residentes locais manifestaram-se em apoio à Ucrânia, na quinta-feira, em Anchorage. Condenam a chegada ao Alasca do Presidente russo, acusado de crimes de guerra, e exigem o fim imediato do conflito.
"Não estou contente por ver Putin aqui. Acho que isso o legitima de forma desnecessária. Ele é um criminoso de guerra. Cometeu atrocidades e a sua presença no Alasca não me deixa confortável", disse Oleksander Luschik.
"Sinto isso no coração. É uma questão de humanidade. Não se destroem pessoas nem se cometem todas as atrocidades que Trump e Putin cometeram. Isso não se faz. Mas continuam impunes. Putin é um criminoso de guerra, e não sei como foi possível ele entrar na América nessa condição", comentou Judith.