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Como será Angola após festejos dos 50 anos de independência?

11 de novembro de 2025

Há um ano que se celebram em Angola os 50 anos de independência. O ato central decorre hoje, em Luanda, junto ao Memorial Doutor António Agostinho Neto. O que fica depois de todas estas celebrações dos 50 anos?

Angola UNITA
Foto: Moisés Alfredo

Este tem sido um ano repleto de celebrações dos 50 anos de independência. Centenas de pessoas de vários estratos sociais, incluindo os pais da independência - Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi - foram condecorados; um grupo de músicos realizou uma tournée em todo país e, na próxima sexta-feira, há um jogo de futebol amistoso entre Angola e a Argentina, que se defrontam no Estádio 11 de Novembro. 

Mas o ato principal das celebrações é esta terça-feira (11.11). Estarão presentes milhares de didadãos e quase 50 delegações estrangeiras para assistir ao desfile militar e ao discurso do chefe de Estado,João Lourenço

Adão de Almeida, ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, afirma que este será um "acontecimento único".

"E o ideal é celebrar a dimensão do significado histórico dessa data, de um povo que se libertou do colonialismo, de um povo que conseguiu manter a soberania territorial", considera.

E depois da festa?

Mas o que fica depois de todas estas celebrações dos 50 anos? Um sentido renovado de orgulho nacional e unidade? Maior ímpeto para resolver os desafios no país, da saúde à educação, passando por mais empregos para os jovens?

O analista Agostinho Sicatu mostra-se pessimista e está certo de que "o país continuará com os mesmos problemas. A celebração não vai alterar absolutamente nada. O que muda são apenas os gastos a mais. O país sairá desta celebração da independência com muito gasto e muito custo".

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Entre os gastos estão os 12 milhões de euros pagos à Argentina para o amistoso com a seleção angolana de futebol. A esse valor acrescem os mais de 30 milhões de dólares das atividades gerais. 

"A fome, a pobreza, a falta de educação para todos, falta de condições para uma saúde condigna. Tudo que falta, faltará", lembra.

Falta ainda tirar mais de 17 milhões de angolanos da pobreza e alimentar os 47,7% de crianças angolanas que sofrem de atraso no crescimento, bem como os mais de 22% da população que vive em situação de subnutrição, segundo dados do Índice Global da Fome 2025. 

"Só querem dançar e pular"

Outro número que aflige Francisco Teixeira, presidente do Movimento de Estudantes Angolanos (MEA)), são os 4 milhões de crianças e jovens fora do sistema normal do ensino não universitário. 

"Continuamos a assistir crianças a ir para escolae a usar latas, bancos, crianças andando muitos quilómetros a pé para ir ao local de aprendizagem, mas, infelizmente os governantes só estão preocupados com festas, só querem dançar e pular", critica.

As celebrações dos 50 anos de independência não trazem giz para as escolas, nem merenda escolar, comenta Francisco Teixeira.

O meio século da liberdade angolana celebra-se esta terça-feira (11.11) com um feriado prolongado.

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