Como travar as mortes nas estradas em Angola?
5 de outubro de 2025
A campanha realizada pelo Ministério do Interior decorre sob o lema "Mude Antes que Seja Tarde” e propõe a adoção de medidas policiais para diminuir os acidentes rodoviários e devolver a tranquilidade e segurança às estradas do país.
Os indicadores são alarmantes. Em Angola, mais de 3 mil cidadãos morrem todos os anos vítimas de acidentes rodoviários, de acordo com dados da Polícia Nacional.
A situação requer uma intervenção conjugada e urgente de todos os setores, diz o ministro do Interior, Manuel Homem.
"Devemos considerar a realidade atual. Não devemos continuar a considerar pessoas como estatísticas ou números apenas. Nós temos uma taxa de mortalidade de mais de dez cidadãos por dia em todo país. Isso preocupa-nos", diz o ministro.
Esta realidade não deixa indiferente quem faz da via o seu ganha pão.
Licínio Fernandes, secretário para administração e finanças da Associação dos Transportes Rodoviários de Mercadorias de Angola (ATROMA) reconhece as ações de fiscalização levadas a cabo pela polícia. Contudo, não acredita no sucesso do programa de prevenção e combate à sinistralidade rodoviária sem a integração de outros setores.
"A polícia está a fazer o máximo que pode. Ministério da Educação e do Ensino Superior sentem-se e ouçam a polícia. Criem mecanismos de atuação e de educação. A sinistralidade rodoviária em Angola é um problema de educação", salienta.
Mas Manuel Homem tranquiliza. O ministro diz que, apesar de ser iniciativa do Ministério do Interior, o combate à sinistralidade rodoviária abrange outros departamentos ministeriais e organizações da sociedade civil angolanas.
"Este programa vai estender-se às escolas no reforço da educação e cidadania para a sinistralidade rodoviária. E vai estender-se a outros núcleos da sociedade que identificamos como importantes para podermos ultrapassar a realidade atual."
70% dos acidentes causados por negligência
Os acidentes rodoviários constituem a segunda causa de morte no país, atrás da malária, segundo dados do Governo.
De acordo com dados da polícia nacional, 70% dos acidentes são causados por negligência. A inobservância das regras de Código de Estrada, condução sob efeito de álcool, uso de telemóvel ao volante são alguns dos factos que contribuem para os acidentes.
Bento Rafael, presidente da Associação dos Mototaxistas e Transportadores de Angola (AMOTRANG), está preocupado com o aumento do número de acidentes que envolvem moto-taxistas e diz estar a trabalhar com as autoridades para inverter os indicadores.
"Os números de acidentes que foram apresentados pela direção de trânsito e segurança rodoviária não nos alegram como organização, não nos alegram também como líderes associativos, e estamos nesta luta”, garante.
Mas para Licínio Fernandes, há outro factor a ter em conta quando o assunto é acidentes de viação: a qualidade das estradas do país.
"É preciso que olhem com olhos de ver. Que sejam construídas por empresas idóneas", remata.
Manuel Homem reconhece que, em muitos casos, os acidentes são causados pela má qualidade das estradas. Contudo, o ministro do Interior insiste no fator humano.
"Vamos trabalhar no sentido de continuarmos a insistir na mudança de consciência sobre o nosso comportamento na estrada. Se temos estradas com dificuldades do ponto de vista técnico, a nossa condução tem que ser defensiva", apela.
A sinistralidade rodoviária é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como sendo um grave problema de saúde pública. De acordo com a organização, os acidentes são responsáveis pela morte de 1,35 milhão de pessoas anualmente no mundo.