Munique: Conferência de Segurança arranca em clima de tensão
13 de fevereiro de 2026
Mais desiludidos do que esperançosos: assim se pode descrever o estado de espírito dos líderes europeus que participam na Conferência de Segurança de Munique, que arrancou esta esta sexta-feira e decorre até domingo, no sul da Alemanha.
Apenas um ano após Donald Trump ter iniciado o seu segundo mandato como Presidente dos EUA, as relações transatlânticas são consideradas como deterioradas. A política externa de Trump lança uma sombra sobre a reunião de alto nível.
Destruição como característica central da política atual
Há décadas que a conferência se define como transatlântica. No entanto, segundo o seu presidente, Wolfgang Ischinger, existe atualmente uma "crise de credibilidade e confiança sem precedentes". O Relatório de Segurança de Munique, publicado em paralelo à conferência, tem o título revelador. "Em destruição".
Donald Trump é classificado no relatório na categoria "demolition men", ou seja, os chefes de Estado que, com a sua "política de demolição", destroem regras vigentes e instituições respeitadas. A observação de Trump de que não precisa do direito internacional é apenas uma das muitas provas disso.
Embora os sinais sejam mais difíceis do que nunca, a conferência de segurança fundada há mais de 60 anos continua a ser, este ano, um fórum de intercâmbio e diálogo. Entre os cerca de mil participantes, encontram-se nada menos que 200 representantes governamentais de 120 países.
Apesar do cenário mais tenso do que nunca, a conferência – fundada há mais de 60 anos – segue se apresentando como fórum de troca e diálogo. Entre os cerca de mil participantes, estarão presentes nada menos que 200 representantes de governos de 120 países.
No histórico hotel Bayerischer Hof marcam presenca entre outros, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski, o Presidente francês, Emmanuel Macron, o ministro dos Negócios Estrangeirtos da China, Wang Yi, e a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen. Esta última confrontou Donald Trump recentemente, quando o Presidente dos EUA reivindicou direitos de propriedade sobre a Gronelândia, um território autónomo pertencente à Dinamarca.
EUA enviam Marco Rubio
Apesar das tensões nas relações transatlânticas, também este ano é esperada uma grande delegação dos EUA, sendo a administração Trump representada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros Marco Rubio.
Segundo o presidente da conferência, Ischinger, espera-se que Rubio "fale sobre a política externa americana e não sobre temas que não dizem diretamente respeito ao seu departamento". Uma alusão inequívoca ao discurso inflamado com que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, irritou o público da conferência no ano passado. Vance, que não está na lista de convidados deste ano, criticou a suposta falta de liberdade de expressão na Europa.
No entanto, a delegação dos EUA não é composta apenas por seguidores de Trump. Entre eles estão também adversários declarados do Presidente dos EUA, como Gavin Newsom, governador da Califórnia, que já deixou claro no seu discurso no Fórum Económico Mundial em Davos que espera "mais coragem" e firmeza dos europeus no futuro, acusando-os de cederem depressa demais a Trump.
Europa perante nova era de autoafirmação?
Newsom atingiu o cerne da questão que deverá desempenhar um papel importante na conferência deste ano: como a Europa se deve reorientar nesta nova situação mundial? E qual o papel que a Alemanha pode desempenhar nesse processo?
Numa declaração no Parlamento, o chan chanceler Friedrich Merz, apelou recentemente aos europeus para que "aprendam a falar a linguagem da política de poder", o que inclui investimentos maciços na capacidade de defesa europeia, bem como a criação de novas parcerias.
Em todo o mundo, há "democracias emergentes com mercados abertos e em crescimento que procuram explicitamente o que temos para oferecer", salientou Merz no Bundestag. E acrescentou, com referência aos EUA: "Como democracias, somos parceiros e aliados, e não subordinados."
Representantes do regime iraniano não são bem-vindos
Os convites para a Conferência de Segurança de Munique são muito cobiçados, mas são concedidos com cautela. Assim, ao contrário do que acontecia no passado, os representantes do governo iraniano não são bem-vindos em Munique este ano. O motivo: a violência com que a liderança em Teerão reprimiu as recentes manifestações no país.
Embora a guerra da Rússia contra a Ucrânia deva ser novamente um tema central da conferência, os representantes do governo russo não estarão presentes. Em 2022, quando a conferência ocorreu pouco antes do início do grande ataque russo à Ucrânia, a delegação russa cancelou a participação, lembra o presidente da conferência.
Com vista às conversações sobre um possível fim da guerra, Wolfgang Ischinger salientou que a Rússia finge estar disposta a negociar, mas, ao mesmo tempo, aterroriza a população civil ucraniana. Por isso, o Prémio Ewald von Kleist da MSC não será atribuído este ano a uma personalidade merecedora, mas "ao corajoso povo ucraniano", revelou.