Eleições presidenciais na República do Congo, nas quais Denis Sassou Nguesso procura um quinto mandato, decorrem, este domingo, com baixa participação eleitoral e, de novo, sob um bloqueio nacional da internet.
Denis Sassou Nguesso procura reeleição para um quinto mandato.Foto: Roch Bouka/REUTERS
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"O bloqueio da internet no dia da eleição, que limita a transparência durante um período eleitoral já marcado por prisões de figuras da oposição, tem sido uma tática comum no Congo-Brazzaville", escreve o grupo global de monitorização da internet NetBlocks na rede social X.
"Confirmamos que está em vigor um apagão de internet à escala nacional na República do Congo, uma medida que provavelmente limitará a transparência durante a eleição de hoje", disse Alp Toker, diretor da NetBlocks, num e-mail à Reuters, acrescentando que a conectividade rondava os 3% dos níveis normais.
"O bloqueio de três dias em 2021 durou da abertura das urnas até ao anúncio dos resultados", acrescentou a organização.
O primeiro-ministro do Congo, Anatole Collinet Makosso, e Thierry Moungalla, ministro das Comunicações, não responderam aos pedidos de comentários sobre a interrupção.
Foto: Glody Murhabazi/AFP/Getty Images
O dia passa com a imprensa local praticamente sem publicar informações sobre a eleição, na qual pouco mais de 2,5 milhões de eleitores registados, de uma população total de cerca de seis milhões, são chamados a exercer o seu direito democrático em mais de 6.500 secções eleitorais espalhadas por todo o país.
O atual Presidente da República do Congo, Denis Sassou Nguesso, um dos líderes mais antigos de África, procura ser reeleito para o cargo, sendo que, se ganhar, este será o seu quinto mandato.
Na corrida às presidenciais concorrem mais seis candidatos, sendo estes pouco conhecidos ou sem uma base política real, tendo poucas hipóteses de impedir a reeleição de Sassou Nguesso na primeira volta.
Vários partidos da oposição boicotaram a votação, alegando que processo carece de credibilidade.
Baixa participação
A baixa participação e a falta de material eleitoral em algumas secções de voto no horário oficial de abertura marcam um dia de ruas desertas em Brazzaville, capital desta antiga colónia francesa, que está repleta de cartazes com o rosto de Nguesso. Observadores dizem que baixa participação eleitoral pode atingir nível recorde.
Os resultados eleitorais provisórios são esperados 48 a 72 horas após o fecho das urnas.
Antes das eleições presidenciais de 2016, Sassou Nguesso alterou aConstituição, eliminando o limite de idade e aumentando para três o número de mandatos de cinco anos.
Famílias influentes em África
Para muitos, a política continua a ser um negócio de família: o filho recebe a Presidência de herança, a filha dirige a empresa estatal, a esposa torna-se ministra. Há vários exemplos.
Foto: picture-alliance/dpa
Filha milionária
Isabel dos Santos, a filha mais velha do Presidente angolano, é uma das dez pessoas mais ricas de África. Do império da empresária constam a maior empresa de telecomunicações do país e uma cadeia de hipermercados. Além disso, dos Santos lidera a petrolífera angolana Sonangol. O irmão José Filomeno dirige o Fundo Soberano de Angola, que gere mais de cinco mil milhões de dólares.
Foto: picture-alliance/dpa
O meu pai decide…
Teodoro Nguema Obiang Mangue é vice-Presidente da Guiné Equatorial – e o filho do chefe de Estado. O pai, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, dirige o país desde 1979. O seu enteado, Gabriel Mbaga Obiang, é ministro das Minas e Hidrocarbonetos. A petrolífera estatal GEPetrol é controlada pelo cunhado do Presidente, Nsue Okomo.
Foto: Picture-alliance/AP Photo/F. Franklin II
O meu filho, o guarda-costas
Muhoozi Kainerugaba é o filho mais velho do Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, que está desde 1986 no poder. Ele é um oficial superior no Exército ugandês e comanda a unidade especial responsável pela proteção do chefe de Estado. A mulher de Museveni, Janet, é ministra da Educação e do Desporto. O cunhado, Sam Kutesa, é ministro dos Negócios Estrangeiros.
Foto: DW/E. Lubega
Uma irmã gémea influente
Jaynet Désirée Kabila Kyungu é filha do ex-Presidente congolês, Laurent Kabila. Agora, é o seu irmão gémeo, Joseph Kabila, que governa o país. Jaynet está no Parlamento; além disso, tem uma empresa de comunicação. Os "Panama Papers" revelaram que ela foi co-presidente de uma empresa offshore que terá tido participações no maior operador móvel no Congo.
Foto: Getty Images/AFP/J. D. Kannah
De secretária a primeira-dama
Grace Mugabe é a segunda mulher do Presidente zimbabueano, Robert Mugabe. Começaram a namorar enquanto ela ainda era a sua secretária. Entretanto, Grace é presidente da "Liga das Mulheres" do partido no poder e tem bastante influência. Grace, de 51 anos, é vista como a sucessora do marido, de 92 anos, embora ela tenha afastado essa hipótese.
Foto: picture-alliance/AP Photo/T. Mukwazhi
A ex-mulher ambiciosa
Nkosazana Dlamini-Zuma foi a primeira mulher eleita como presidente da Comissão da União Africana. Antes, foi ministra dos Negócios Estrangeiros no Governo do Presidente sul-africano Thabo Mbeki. Foi também ministra do Interior no Executivo do ex-marido, Jacob Zuma. O casamento desfez-se antes de Dlamini-Zuma ocupar esses cargos ministeriais.
Foto: picture-alliance/dpa/J. Prinsloo
A empresa familiar, o Estado
Nas mãos da família do Presidente da República do Congo, Denis Sassou Nguesso, estão numerosas empresas estratégicas e altos cargos na política. O irmão Maurice é dono de várias empresas, a filha Claudia (na foto) dirige o gabinete de comunicação do pai e pensa-se que o filho Denis Christel esteja já a ser preparado para assumir a Presidência.
Foto: Getty Images/AFP/G. Gervais
Autorizado: Presidente Bongo II
O autocrata Omar Bongo Ondimba governou o Gabão durante 41 anos até falecer, em 2009. Numas eleições polémicas, em que bastou uma maioria simples na primeira volta, o filho do ex-Presidente, Ali Bongo, derrotou 17 opositores. Ele foi reeleito em 2016. A família Bongo já governa o país há meio século.
Foto: Getty Images/AFP/M. Longari
Tal pai, tal filho
Dos cerca de 50 filhos do ex-Presidente do Togo Gnassingbé Eyadéma, Faure Gnassingbé foi o único a enveredar pela política. Entretanto, governa o país. Os pais dos atuais chefes de Estado do Quénia e do Botswana também já tinham estado na Presidência.