O maior festival de N'sope não é realizado há dois anos na província moçambicana de Nampula por causa da crise económica. Praticantes estão preocupados, mas autoridades prometem manter a tradição.
Foto: DW/S.Lutxeque
Publicidade
O N'sope é uma dança tradicional de salto à corda originária da região norte de Moçambique e executada maioritariamente por mulheres.
Ao longo de cinco edições, o Festival Tradicional de N'sope promoveu esta dança, praticada desde muito antes da independência do país, em 1975, mas o evento deixou de ter lugar há dois anos, devido à crise económica e financeira que Moçambique atravessa.
"Com este problema da crise, os organizadores [Universidade Lúrio e a direção Provincial da Cultura e Turismo] não se pronunciaram", afirma Ângelo Malachi, presidente da Associação Provincial dos Grupos Culturais de Nampula.
A falta deste que é o maior e o mais importante evento em torno do N'sope desanimou os poucos praticantes da modalidade.
Contra o desaparecimento da dança tradicional N'sope
This browser does not support the audio element.
Continuar a dançar
Nos últimos anos, a dança tradicional tem vindo a perder força. Na cidade de Nampula, segundo o presidente da Associação dos Grupos Culturais, existem apenas sete grupos de N'sope; noutros pontos da província existirão apenas dois.
"Não sei porquê, se calhar pelas condições [materiais e financeiras]", comenta Malachi.
Ainda assim, os grupos continuam a dançar. "Nós, como grupos culturais, não deixamos de nos organizar internamente. Os grupos continuam a fazer o seu trabalho diário e vamos ouvir os organizadores [do festival] no próximo ano", afirma o responsável.
Omar Aquiamungo, diretor provincial adjunto da Cultura e Turismo, reconhece que tem faltado dinheiro para a promoção cultural. Promete, no entanto, lutar para manter a tradição: "Pensamos que é pertinente resgatar essa dança porque, na verdade, na costa de Moçambique, ela era muito praticada, mas hoje a sua prática reduziu."
Nampula é uma das províncias moçambicanas com mais danças culturais tradicionais. Atualmente, estão inscritas na Associação Provincial dos Grupos Culturais mais de 1.600 grupos de diversas demonstrações.
São peças únicas, amigas do meio ambiente. Designers do Quénia apostam no "upcycling" e reutilizam ou reciclam lixo para criar roupa, esculturas e jóias.
Foto: Isabella Bauer
Moda amiga do ambiente
Londres - Paris - Nairobi. A capital do Quénia ganha fama entre as métropoles da moda e design. Além de originais, muitas criações também são amigas do ambiente. É a nova moda do "upcycling" - lixo e produtos inutilizados ganham novas formas. Na Europa dos produtos descartáveis, o "upcycling" não tem tido muito sucesso. Mas, em África, faz parte do quotidiano.
Foto: Mia Collis
Reciclar para a passarela
"Second Life" é uma coleção de Nike Gilager Kondakis feita a partir de roupa usada. A roupa é importada às toneladas da Europa - por isso se produz cada vez menos tecidos e coros no leste de África. Kondakis manda coser as roupas doadas, cortadas em tiras, para fazer novas peças - boleros ou camisas, por exemplo.
Foto: Mia Collis
Cacos reaproveitados
Na era do plástico, há cacos com fartura no Quénia. Kitengela, uma aldeia de artistas a sul de Nairobi, recebe toneladas de cacos, que são partidos e fundidos em fornos. A artista alemã Nani Crozi e outras 40 pessoas produzem aqui vidros artesanais.
Foto: Isabella Bauer
Bijutaria colorida
Os artistas de Kitengela são conhecidos pela sua bijutaria de vidro - estas pérolas são peças únicas feitas à mão, muito procuradas por designers de moda na região. Os artistas também aceitam pedidos exclusivos. As pérolas são vendidas assim ou são aproveitadas para outras obras.
Foto: Isabella Bauer
Reciclar em vez de deitar fora
Kibe Patrick vive e trabalha há quatro anos na comunidade de artistas de Kitengela. "Sempre reciclei objetos de forma artística", diz. Agora, além de reciclar latas, Kibe Patrick ajuda também a fazer as pérolas de vidro.
Foto: Isabella Bauer
Arte sustentável
Kibe Patrick ganha dinheiro com estas obras, amigas do ambiente. No continente, não costuma haver reciclagem de plástico, vidro e metal a nível industrial. Mas a verdade é que, quando se trabalha com materiais que já existem, gasta-se menos energia e emitem-se menos gases nocivos ao meio ambiente.
Foto: Isabella Bauer
Jóias feito de lixo
A designer de jóias Marie Rose Iberli também usa pérolas de vidro de Kitengela nas suas coleções. Além disso, produz bijutaria a partir de papel, ossos, cornos e alumínio. "Como designer, fascinam-me os limites naturais dos materiais", diz. Para Iberli, são materiais mais interessantes do que, por exemplo, o plástico - que permite fazer quase tudo.
Foto: Isabella Bauer
Dos materiais à ideia
Reciclar ou reutilizar os materiais? Iberli diz que não tem preferências. A exceção é, talvez, o alumínio: A designer faz bijutaria de alta qualidade a partir de peças de motores velhos. Muitas vezes, inspira-se nos próprios materiais para fazer as jóias.
Foto: Isabella Bauer
Tradição e moda
Iberli gosta da ideia de poder apanhar coisas do chão e dar-lhes um outro uso. A arte de Kitengela une a tradição e a moda e desperta o interesse de muitos clientes - incluindo na Europa.