Coordenador do ANAMOLA sequestrado em Nampula
21 de dezembro de 2025
Segundo a denúncia, Avelino Mendes foi recolhido na sua residência na madrugada de sábado (20.12). "Ele foi levado para o Comando Provincial [da Polícia da República]. Até o momento, o coordenador de Mogovolas encontra-se no comando sem roupa, sob tortura cerrada, sem água, e sob pressão", afirma o coordenador provincial do partido ANAMOLA, Castro Niquina.
"Quem o levou de Mogovolas para o comando foi o próprio comandante provincial. Trata-se de um sequestro praticado pela própria Polícia", acrescentou Niquina.
Ainda segundo Niquina, a prisão do colega teve motivações políticas. "O coordenador foi intimado ontem [sexta-feira] por um juiz do Tribunal Judicial, que solicitou esclarecimentos sobre a denúncia apresentada por ele, relacionada a alegados atos de perseguição e à recente onda de tensão envolvendo alguns membros do partido", afirmou.
"No entanto, acabou constituído arguido e obrigado a pagar uma caução equivalente a três salários mínimos [26.274 meticais, cerca de 351 euros]. Diante dessa injustiça, a juventude mobilizou-se e realizou manifestações sempre que havia presença policial no distrito. Já durante a madrugada, ocorreu o sequestro do nosso coordenador", acrescentou
A Koshukuru, organização de defesa dos direitos humanos e da boa governação que acompanha o caso, confirmou a detenção do político e afirmou que não foi apresentado qualquer mandado judicial. A organização relatou ainda que a esposa do coordenador distrital do Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) foi agredida, e pede investigação do caso.
Detenção
A Koshukuru mantém uma equipa no distrito de Mogovolas que acompanhou de perto o caso. "Informações em nosso poder indicam que um contingente policial entrou em Mogovolas, liderado pelo próprio comandante provincial, e deteve o coordenador distrital do ANAMOLA. Antes da detenção, a sua esposa foi torturada diante da família, na residência onde se encontravam", relatou Gamito dos Santos.
Segundo ele, na sexta-feira, a vila de Nametil, sede do distrito de Mogovolas, viveu momentos de tensão e confrontos envolvendo agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), deslocados da cidade de Nampula com o objetivo declarado de restabelecer a ordem e a tranquilidade públicas. A população do distrito, acrescenta, vive há cerca de duas semanas sob um clima de instabilidade, que as autoridades associam à atuação do partido ANAMOLA.
Gamito dos Santos afirmou ainda que, até ao momento, não foi possível contabilizar os danos causados pelos tumultos registados na passada sexta-feira na região.
"Condenamos veementemente a este comportamento dos agentes da PRM, particularmente o comandante provincial que é dado como quem chefiou a operação da detenção ou do sequestro do coordenador do ANAMOLA”, disse dos Santos.
À DW, o ANAMOLA em Nampula afirma que "vai paralisar a província de Nampula, e inclusive o distrito de Mogovolas". "Nós vamos liberar os nossos jovens para tomarem as artérias porque estamos cansados de crimes que são cometidos sem explicações”, disse Castro Niquina.
A Polícia moçambicana ainda não se pronunciou sobre o caso. À DW, sem gravar entrevista, Rosa Chaúque, porta-voz do Comando Provincial da PRM em Nampula, disse que, no momento, não pode avançar mais informações sobre o caso - mas garantiu que isso acontecerá em breve.